Capítulo X: Guido

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Caminho pela floresta de Sol do Sul. Estou incomodado, não só com o vento gelado daquela noite, mas também em saber que preciso lutar contra meus amigos caso eu queira passar no teste. Paro de andar como se o próximo passo fosse impossível de dar. Eu não quero matar ninguém. - Penso.
Ouço uma voz familiar me chamar, - Guido. - Olho para o lado e vejo o Ariel saindo da mata. - Nossa você já chegou? Achei que ia demorar. - Digo. Ele se aproxima olhando para os lados. - Você encontrou algum dos participantes antes de mim?. - Ariel pergunta. - Não. E você?. - Pergunto. Ariel senta em um pedaço de tronco no chão e diz - Também não. Isso é bom, vamos deixar eles lutando entre si, enquanto estamos seguros por enquanto. - Ando até chegar na sua frente e paro. - Mas e quando restar só nós três?. - Pergunto, esperando que ele tire esse peso de mim. Ele olha pra mim e diz - Eu não sei, Guido. - Meu olhar desvia dos dele e olho para seus pés. Ariel se levanta, olho para ele pensando em alguma coisa. - Alguém vêm se aproximando, deve ser o Luís. - Ele diz, suando. Olho para trás e vejo a sombra de alguém vindo pela escuridão da floresta. Luís sai da floresta. Ariel fica aliviado. - Nossa, vocês são rápidos. - Ele diz, brincando. Vejo que nas suas costas tem algo que antes não tinha, um martelo gigante. Aponto pra ele e digo - Isso é seu?!. - Ele olha para o cabo do martelo passando por trás do seu ombro e diz - Ah... Isso, eu roubei de uma loja de armas que encontrei lá no centro.

Nós três estamos sentados na grama, comendo algumas besteiras que o Luís trouxe, como salgadinho, biscoito e refrigerante. - Por que você chamou a gente aqui? Você tem algum tipo de plano?. - Ariel pergunta para o Luís que ta com a mão mexendo dentro do pacote de salgadinho. Olho para ele esperando uma resposta. Luís para de procurar um salgadinho pra comer e diz - Eu chamei vocês aqui porque são meus amigos, e não quero ter que entrar em uma luta até a morte com um de vocês. - E pega um salgadinho e coloca na boca. Ariel coloca na grama o pacote de biscoito e diz - Nenhum de nós pretende desistir, pelo visto. - Percebo uma coisa ao ouvir as palavras do Ariel. - Eu não vou desistir, preciso do dinheiro. - Diz o Luís. Ariel diz - Eu sei, mas ou vamos morrer nas mãos dos outros participantes, ou vamos nos matar, temos que decidir antes que possamos fazer qualquer coisa juntos. - Levanto, assustando eles dois, - É isso!. - Digo, para todos da floresta ouvir. Os dois estão olhando pra mim. - Ariel! Luís! Eu já sei o que a gente pode fazer!. - Digo olhando enquanto olho sorrindo para os dois, - Eu quero ver e trazer pra cá um Palitrus. O Luís quer o dinheiro do teste e, o Ariel quer ir para a Terra Nova pela experiência de conhecer um novo mundo. Vamos fazer assim, eu e você, Luís, deixamos o Ariel ganhar o teste e assim ele te dá o dinheiro, e indo pra lá, trás um Palitrus pra mim!. - Digo, esperando ver a reação deles. - Não sabemos se pode desistir, mas é uma boa idéia, Guido. - Ariel diz. Sorrio pra ele. - Mas seria muito fácil assim. - Luís diz, nervoso, - Depois de ter acabado com as chances da Gabriela de passar no tesre seja pelo motivo que for, eu vou chegar aqui e desistir? Só porque é o caminho mais fácil?. - Ele diz, amassando o pacote de salgadinho. Eu entendo o que ele quer dizer, mas não sei como responder. Ariel olha calmo pro Luís e diz - É melhor a gente fazer do jeito que o Guido falou, se não quisermos nos matar. - Luís olha pro Ariel. - É! E não é porque é o caminho mais fácil, que seja o errado. - Digo, tentando acalmar ele. Ele me olha e segundos depois, vejo a raiva indo embora dos seus olhos. Ele olha para o pacote na sua mão. - Vocês tem razão. - Ele diz, como se tivessemos vencido ele. Luís deixa de olhar para o pacote e se vira para o Ariel. - Vamos fazer você vencer então. - Ele diz. Fico feliz que finalmente resolvemos isso.

- Agora que deixamos um problema pra trás, vamos focar nesse teste. - Ariel diz, olhando pra nós dois. - Vamos ter que confiar um no outro caso a gente encontre um inimigo, e pra isso, é melhor que conhecemos nossos poderes personalizados. - Ele termina. - Eu começo. - Luís diz, e continua, - Chamo meu poder de Dois Socos, com esse meu poder, se acertar o oponente, fica incapacitado de usar seu poder. - Abro a boca surpreso e digo - Uau! Você é o mais forte então!. - Luís da risada e diz - Não é bem assim. A condição do Dois Socos é que preciso acertar um soco com cada mão no oponente, o efeito só aparece depois disso. - Ele termina. - Então você impede o inimigo de usar a energia Ma por completo?. - Ariel pergunta. - Eu não sei se depois que o efeito tiver aparecido, o inimigo vai poder usar o Escudo, mas é certeza que ele não vai usar o poder personalizado. - Diz, o Luís. Levanto e digo - Deixa eu falar o meu agora!. Digo. Luís passa sua atenção pra mim. - O nome do meu poder é Soco de Ferro!. - Digo. Ariel olha pra mim e diz - Você só deu um nome porque viu que o Luís deu um nome, né?. Dou risada e concordo.
- Eu consigo ficar com o peso de aço nas duas mãos. - Digo. - Isso é perigoso pra qualquer pessoa, um soco e pode vencer a luta, e talvez até matar o adversário. - Diz, o Luís. - Mas pra ativar essa força, eu preciso deixar as mãos fechadas tocadas uma na outra, por 3 minutos. - Digo. - Nossos poderes são focados em combate corpo a corpo. Bate aqui Guido. - Ele estede a palma da mão e toco e damos risada. - O poder do Ariel é muito legal também! Diz pra ele. - Digo olhando para o Ariel. Luís olha pra ele também. - Eu não dei um nome pra ele, igual vocês. Resumindo: Eu posso usar fogo em meu corpo para atacar tanto de perto, quanto de longe. - Ele diz. Vejo a expressão de surpresa pra na cara do Luís. - Sério? Isso é incrível mano!. - Ele diz, empolgado, mas o Ariel não ta empolgado. - Mas tem um preço por usar fogo em meu corpo. - Ariel diz, tirando a faixa do braço direito. Luís olha e quando Ariel tira tudo, o Luís fica paralizado ao ver o braço direito do Ariel todo queimado, queimaduras de segundo e terceiro grau. - Essa é a condição pra ativar seu poder?. Ele pergunta, sem deixar de olhar para o braço queimado. - Não. É apenas um efeito colateral do fogo que usei em.meus braços, pelo visto eu posso usar fogo em meu corpo, mas não sou imune a ele. - Diz, Ariel. - Isso é terrível. Como você vai usar seu poder nessa fase se até você é queimado?. Luís pergunta. - Eu descobri uma forma de usar fogo em meus braços sem me queimar. Só preciso usar o Escudo pra proteger meu braço, já testei e não sou queimado, mas ainda sinto o fogo. - Ariel diz, enfaixando o braço. - Mas se você precisar usar a energia Ma pra manipular o fogo no braço, e ao mesmo tempo ter que gastar a energia pra poder proteger você mesmo do poder... Sua energia não dura muito desse jeito. - Luís diz. Ariel termina de enfaixar o braço e diz - Sim, mas o que posso fazer? Esse é o poder que me deram. Por causa desse problema com a energia, eu escolhi o atributo Energia na pulseira, escolhendo esse atributo minha energia dobra de tamanho. E também escolhi o atributo Inteligência, que me deu mais facilidade pra manipular meu poder personalizado e meu escudo. Então se a luta não for muito longa, a energia Ma não vai ser problema. -
Luís pega o pacote de salgadinho enquanto pensa e diz - Entendo. Você pensou em tudo.
Eu devia ter sido mais paciente como o Ariel. Acabei escolhendo o atributo Destreza, sendo que meu poder é focado em soco. Como sou burro!. - Penso, me descabelando.

Vejo que a expressão no rosto do Ariel muda de repente. - Alguém se aproxima. - Ele diz, levantando. Eu e Luís levantamos também. - Como você sabe?. - Pergunto. - Eu sinto consigo sentir o Ma da pessoa. - Ele me responde, - Ele está sozinho, é nossa chance de eliminar 1 participante. - Ariel diz.

Pulo de galho em galho, da forma mais rápida e mais silenciosa que posso. - Siga por esse caminho e irá encontrar ele. - Ariel me disse, antes da gente ter saido do local de descanso. Ouço passos vindo lá de baixo, paro em um galho para olhar e vejo o participante de sobretudo marrom, Alison. Ele ta sozinho mesmo. - Penso. Alison para de andar ao ver o Luís lá na frente dele. - Gui, enquanto a gente luta, você carrega o seu poder e tenta pegar o inimigo de surpresa. Você consegue. - Luís me disse antes de nos separarmos. Fecho minhas duas mãos e toco uma na outra.
- Eu não sei se você me seguiu, mas deu azar. - Luís diz, enquanto olha para o Alison. Alison ta olhando o Luís, sem dizer uma palavra. Alison percebe algo saindo de dentro da mata, é uma bola de fogo. Ele pula pra trás e a bola acerta uma árvore do lado dele. Quando Alison percebe, Luís já ta na sua frente erguendo o martelo e descendo querendo esmaga-lo, mas o inimigo é mais rápido e consegue se distanciar antes que o martelo o acerte. Luís consegue acertar apenas o chão. Alison ta longe olhando para ele e vê o Ariel saindo de dentro da floresta. Um sorriso misterioso aparece em seu rosto, - 2 contra 1?. - Ele diz. Talvez se o Luís tivesse usado seu poder e ter acertado um soco agora, a luta já podia estar ganha, mas... Droga! Por que a gente precisa se matar? Matar nunca resolve nada!. - Penso. Luís corre na direção do Alison, preparando outro golpe. Alison se prepara pra fazer algum movimento, mas é interrompido por outra bola de fogo vinda de outra direção. Alison corre pra dentro da floresta. Luís vai atrás dele. Ariel acompanha. Corro por dentro das matas, sem separar as mãos, e sem perder eles de vista.

Alison para perto de uma árvore e ao ver o Luís chegando, pula pra longe. O ataque que o Luís fez com seu martelo contra o oponente, foi tão poderoso a ponto de destruir aquela árvore. Alison ta olhando o Luís de longe. - Acho que consigo matar vocês sem precisar usar meu poder. - Alison provoca, enquanto sorri. Luís espera o Ariel chegar perto de onde eles estão, e novamente tenta uma investida. Ariel lá de longe lança outra bola de fogo contra o Alison, mas esse pula pra trás. Luís aproveita que a bola de fogo ta entre eles dois, e desfere uma martelada contra a bola de fogo, que acaba surpreendendo o inimigo. Luís larga o martelo e consegue dar um soco na cara dele. Alison rapidamente puxa uma faca e consegue fazer um corte no braço do Luís. Os dois se afastam um do outro. Ariel alerta o Luís - Cuidado com o veneno. Luís coloca a boca no ferimento e suga o veneno e cospe. Alison está com a atenção focada neles dois e por isso não me vê se aproximando pelo lado, separo as mãos e ao chegar por trás dele, dou um soco com meu poder. Alison consegue se virar a tempo e usa o braço como escudo. Não adianta!. - Penso, imaginando a dor que ele está sentindo. Ele é lançado pra trás e com os pés arrastando no chão, é impedido de ir pra mais longe. - Achei que você nunca fosse sair. - Ele diz. Como ele me percebeu ali?!. - Penso. Noto que seu braço não ta ferido, e ele nem parece que está sentindo dor, então percebo que talvez ele usou o Escudo pra se defender. Antes que eu possa fazer qualquer coisa, vejo ele correndo, fugindo pra longe de nós três. Luís pega o martelo e diz - Não deixem que fuja!. E corre na direção do Alison. Eu vou correr até que o Ariel diz - Guido! Mantenha a calma e vamos manter golpes conjuntos. Siga por outra trilha e tente surpreender ele denovo. E corre pra dentro da floresta. Aceno com a cabeça mesmo não tendo ninguém ali e pulo no galho da árvore mais próxima e vou pulando de galho em galho novamente.

Pulo na mata e corro. Tenho só 10 minutos com esse poder, preciso ajudar o Luís a acertar mais um golpe nele. - Penso. Ouço um barulho vindo do meu lado e logo me viro, concentrando o escudo no braço, da mesma forma que o Alison, mas o que me ataca não é humano, e sim um lobo, que morde meu braço. Me assusto com ele e vou dar um soco mas paro antes que machuque aquele animal. O lobo solta meu braço e se afasta me olhando, segundos depois ele foge pra dentro da mata escura. Quando percebo, estou perdido dentro daquela mata, sem saber de que lado eu vim e pra que lado preciso ir.

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