capítulo 40.

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Ana Clara narrando:

Já faz alguns meses que eu estou em Washington, acho que eu precisava me afastar depois daquele baque que aconteceu com a minha mãe. Sim eu voltei a chamar ela de mãe, a final, se ela não tivesse mudado, não teria feito tudo o que fez e ter me contado a verdade. Bem, isso é um assunto no qual eu prefiro não tocar mais.

Eu e Caio ficamos amigos, só que amigos muito apegados.
Marcamos de assistir um filme hoje a noite aqui em casa.

Termino de fazer o jantar e vou para o meu quarto tomar banho. Resolvo tirar o pingente e gardar no porta joias. Abro a gaveta do penteador para pegar uns papéis do trabalho da faculdade e não encontro, resolvo tirar tudo da gaveta e jogo em cima da cama.
  Começo a procurar o papel, e um em específico cai, me abaixo para pegar, analiso melhor o envelope e vejo que é a carta que a minha mãe me mandou quando decidiu fazer contato comigo em Buenos Aires. Quando tomo a decisão de abrir, a companhia toca, eu coloco o envelope sobre o criado mudo e os outros papéis guardo de volta na gaveta.

  Abro a porta e me deparo com Caio, ele entra já com aquele sorriso dele que me contagia, de onde ele tira tanta alegria?

  - Iai ja está tudo pronto?. - Ele fala se sentando no sofá e ligando a televisão.

  - Ô..."dono da casa", oi pra você também, Boa noite.

  - Boa noite Ana. - Ele da um sorriso e me abraça.

- O jantar ja está pronto eu só vou tomar banho. Se quiser pode ligar a TV .

  - Tá.

  Fui para o banheiro tomar banho e depois para o meu quarto me trocar.
  Enquanto estou penteando meu cabelo esculto Caio me chamando.

  - Vem logo loira o filme já vai começar. - Ele fala da sala.

    - Já estou aqui. - Digo saindo do meu quarto e entrando na sala.

   [...]
 
  Ficamos assistindo o filme por um tempo e quando acaba ele dorme e eu me vejo encurralada quando olho para a bagunça.

  - É. Vou ter que limpar né!.

  Me levanto do sofá onde Caio está deitado e babando na minha almofada. Jogo uma almofada no rosto dele e o mesmo resmunga sem abrir os olhos.

  - Para de babar na minha almofada.

  O mesmo responde com nenhuma reação.

  - Idiota.

  Bufo, mas depois me esqueço.
  Recolho as coisas de cima da mesa e levo até a cozinha. Lavo a louça e guardo tudo, não gosto de bagunça.
  Desligo a luz da sala e vou para o meu quarto. Visto meu pijama de coala ( muito maduro eu sei).
Me sento na ponta da cama e olho de soslaio para o criado mudo e lembro do envelope que está a minha frente.
  Pego-o com um pouco de receio de ter que lembrar de tudo novamente.
Abro e começo a ler.

  Filha estou te mandando esse presente junto a essa carta com a intenção de que você me perdoe por não ter sido a mãe que você tanto desejou. Sei que não sou presente na sua vida e você não deve nem lembrar mais de mim. Mas, só pesso que leia.

Ela explica tudo o que aconteceu, com ela e com meu pai, e porque eles se separaram, e principalmente a parte que mais me tocou. Não fazia a menor ideia de que Werllem tinha alguma coisa haver com isso. Agora consigo entender o porque dele não ter me ligado mais, ou entrado em contato.

   É isso, eu espero com todo o amor do meu coração, que você tenha me perdoado ou pelo menos me entendido que eu errei, e que agora quero muito que você me perdoe.

  De sua mãe Natalha para Ana Clara.

  Algumas lágrimas escapam dos meus olhos, mas limpo, não quero mais chorar.

  - Eu sempre vou te perdoar mãe, só espero que você não tenha me esquecido! - Digo baixinho com a intenção de manter o silêncio no ambiente.
Coloco de volta a carta em cima do criado mudo e me deito. Desligo o abajur e afundo minha cabeça no travesseiro. Demoro um pouco para dormir, mas logo o sono chega e eu apago.

A garota da bolsa vermelha. Onde histórias criam vida. Descubra agora