Capítulo 66

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– Pode começar – Madge disse, chamando a minha atenção, que estava na porta onde Gale havia sumido.

Suspirei profundamente.

– Certo... Vou tentar resumir – falei.

– Não – disse ela, me fazendo franzir o cenho. – Preciso que me distraia... Quero todos os detalhes – Madge deu um sorrisinho.

Balancei levemente a cabeça, e sorri fraco.

– Tudo bem. Apenas... Não surte – pedi, e ela assentiu silenciosamente. – Tudo começou hoje à tarde, quando...

~||~

Meu celular tocava incessantemente, em algum canto do meu apartamento.

Eu realmente gostaria de atende-lo, pois a única coisa que me vinha em mente, é que poderia ser algo relacionado ao divórcio de Peeta, e que eu poderia estar perdendo uma oportunidade de resolver tudo o mais breve possível. Contudo, o fato de estar ajoelhada em frente ao meu vaso sanitário, soltando todo o meu almoço, impedia-me de ir procura-lo.

Fazia alguns dias que eu não me sentia de bem com meu estômago. Parecia que vivíamos em um contrito eterno, principalmente no período da manhã. Quase tudo o que eu escolhia pra comer, ou ele rejeitava, sem nem me deixar colocar o alimento na boca, ou escolhia, pouco tempo depois de eu ter comido, colocar tudo pra fora.

Porém, naquela tarde, ele tinha reagido muito pior do que nos últimos dias, e acabou indo longe demais.

Era só o meu sanduiche preferido. Meu estômago só precisava aceita-lo, como um bom alimento para o café da tarde. Mas não. Só o cheiro do atum, fez todo o meu interior se revirar, obrigando-me a correr para o banheiro, no segundo seguinte. E era nele onde eu estava nos últimos minutos, ajoelhada no piso frio, praticamente abraçada ao vaso sanitário, e sentindo que logo vomitaria até meus rins.

Meu celular cessou o toque, no exato momento em que decidi sentar, e me arrastar até o outro lado do banheiro. Minha respiração estava irregular, e eu sentia o suor excessivo escorrendo por cada pedacinho do meu corpo. Estiquei as costas contra a parede, e coloquei a cabeça entre os joelhos, tentando me acalmar.

Não sei por quanto tempo fiquei daquele jeito, mas só levantei, quando senti que eu não precisaria mais do vaso sanitário.

Levantei desajeitadamente, dei inúmeras descargas, e precisei escovar os dentes, pelo menos duas vezes, para tirar o gosto amargo da minha boca, antes de decidir sair do banheiro.

A ideia era voltar para a pequena faxina que eu fazia em meu apartamento, e que eu interrompi apenas pra tentar comer alguma coisa, porém, quando avistei meu sofá, meu corpo foi atraído pelo mesmo, e foi nele onde eu me joguei, depois de alcançar o celular que eu havia encontrado em cima da mesa de centro.

As chamadas perdidas eram de Annie, e por mais que eu estivesse sem vontade nenhuma, de falar com alguém, resolvi retornar, colocando a ligação no viva voz, apenas para deixar o celular solto sobre meu peito.

– Onde você estava? – minha irmã perguntou.

– Vomitando as refeições do último mês – respondi, sem vontade.

– Como assim? – questionou, parecendo confusa.

– Como assim o quê? – perguntei de volta, com certa impaciência. – Eu estava vomitando. Ponto final.

– E você acha isso normal? – questionou, em tom de repreensão.

– Não muito... Mas não é a primeira vez essa semana – respondi.

O Sol em meio à tempestadeOnde histórias criam vida. Descubra agora