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—eu to bem mamãe?

Ela sorri um pouco incerta, e me lembro da primeira vez que Ly sorriu para mim, ela era apenas um bebê com dias de nascida, o sorriso mais belo e motivador que vi em toda a minha vida. Ly colocou um de seus vestidos cor de lilás e sapatilhas simples, passei uma fita da cor de seu vestido em seus cabelos cor de cobre escuro, e ela parece uma linda princesa me olhando agora com seus enormes olhos azuis.

De fato, idêntica ao traste.

Acho que ele já chegou, ouvi o som da campainha a alguns momentos, coloquei jeans e uma blusa simples, sapatilhas, prendi meu cabelo num coque mas estou um pouco nervosa, não quero que Ly sofra por conta de Benjamim Hill.

Em nenhum sentido.

Mas sei que ela precisa conhecê-lo, porque ele é o pai dela e mesmo que tenha desaparecido tem direitos sob ela, ao menos por enquanto de vê-la, visita-la, mamãe já achou um advogado da vizinhança, daqui a dois dias teremos nossa primeira consulta para discutir sobre os direitos do senhor Hill.

Eu sei que um cara rico e conhecido como ele jamais vai querer vincular sua imagem a mim, e sei que talvez depois ele suma, por justamente ter apenas incerteza da parte de Benjamim, eu decidi que vou me prevenir contra ele, contra qualquer coisa que ele tente ao seu aproximar da minha filha.

Ly é minha, eu a tive, eu a crio sozinha!

—pronta?—pergunto arrumando seu vestido no corpo.

—a senhora não disse...

—filha, você está lindississississimaa!

Ly sorri de ponta a ponta, depois me abraça, eu a aperto com força e lhe beijo a face. Depois seguro sua mão e respiro fundo, sei que ela também está nervosa.

—eu to bem mamãe, calma.

Estamos nervosas!

Saímos do quarto em silêncio e descemos, logo que chegamos na sala eu vejo Benjamim Hill levantar do sofá, ele segura um pequeno buquê de flores cor de rosa, usa terno e gravata, sapatos caros que reluzem, ele também cortou o cabelo, Ly aperta a minha mão, papai está sentado no sofá ao lado do dele e mamãe serve café para ambos, ele me olha primeiro depois seu olhar recai sobre Ly, e assim ela o olha também.

Tenho a sensação estranha de que ele não vai querer apenas visitar a Ly de vez enquanto. O Irresponsável Benjamim Hill que adora desvirginar garotas negras em acampamentos da faculdade, olha para minha filha como se não houvesse mais ninguém na sala, um olhar que se mescla com sentimentos que nunca vi na vida.

—Ly—papai chama—porque não vem aqui? Quero lhe apresentar o senhor Hill.

—Benjamim!—Ly exclama.

Falei sobre Benjamim para Ly hoje a tarde, lhe falei o nome, a idade aproximada, o que ele fazia, mas de uma forma bem superficial, porque afinal de contas, não o vejo a mais de dez anos, não faço a menor ideia do que ele se tornou de verdade.

Ly me puxa e vamos para sala, me sento no sofá ao lado de papai, Benjamim está no sofá de frente para ele, Ly se aproxima de Benjamim e ele lhe estende o pequeno buquê, ela aceita e seus olhos brilham enquanto olha para as flores.

—obrigada senhor Hill—Ly fala um pouco contente—mas não trouxe nenhum para minha mãe também?

Ly!

—bem... eu... bom...

—ele não precisava ter trago flores para mim Ly—corto.

—está bem—Ly se senta no sofá de frente para Benjamim.

Ele parece agora bem nervoso e constrangido com a situação, está sentado de frente para ela.

—minha mãe achou uma boa ideia comprar flores para você!

Já contou para sua mãe?

—elas são lindas, muito obrigada—Ly responde educadamente.

—é muito bom te conhecer Ly!

—Lydsay—corrige ela.

Eu sei os impactos que a ausência de um pai causaram em Ly, sei que para ela tudo isso é bem rápido, mas não há outra forma, não posso provar Benjamim desse contato, agora ele já sabe, e bom ou ruim é direito dele estar perto dela.

—desculpe, Lydsay.

Ly sorri e desvia o olhar para mim, então olha novamente para Benjamim.

—porque você abandonou a minha mãe grávida?

Papai se engasga com o café que toma, não estou surpresa, eu sabia que ela faria perguntas para ele, só não pensei que fosse ser tão indiscreta.

—bem Lydsay eu... eu...bom...—gagueja Benjamim nervoso.

—você não pensou no quanto seria difícil para ela me criar sozinha?

—eu não sabia que ela estava grávida, sinto muito Ly.

—mas ainda sim fez um bebê nela, não é mesmo?

—você não é muito pequena para falar sobre isso?

Coitado.

—eu converso sobre tudo com a minha mãe!

—ah então foi a sua mãe quem te contou isso?

—ela me disse que vocês dois se conheceram num acampamento, que fizeram amor e que depois você sumiu, isso é mentira?

Benjamim fica sem resposta.

—porque você não se casou com a minha mãe?

—Ly já chega—determino.

Ela fica emburrada depois levanta tão... magoada, isso me parte o coração.

—isso não é justo!—exclama—eu exijo que ela responda porque ele foi embora, porque ele não nos quis!

—Ly...

Ela olha pra Benjamim toda magoada depois sai da sala correndo, papai levanta e vai atrás dela, quando faço menção de levantar ele ergue a mão.

—deixa que eu cuido disso filha.

Meu coração esta espremido de tanta dor.

Achei que ela faria perguntas mais leves, ela parecia um pouco tranquila a alguns momentos, acho que Ly não estava mesmo pronta para conhecer seu pai.

—eu sinto muito por isso senhor Hill—digo sincera—mas foi tudo muito rápido.

—sei—Benjamim coça a nuca nervoso—ela está triste não é mesmo?

—confusa.

—posso entender.

—mas Ly vai se acostumar, tenha paciência com ela está bem?

—sim, eu terei.

Só espero que sim.



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Big Love -  Amor Imenso - DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora