A barraca de Valéria era a maior e mais luxuosa. Havia móveis, tapeçarias, e até vários cômodos. Atrás da mesa estava um sujeitinho pequeno e encapuzado. Era esmirrado demais para ser um anão, tinha proporções esquisitas que não combinavam com uma criança. Syrun franzia a testa tentando decifrá-lo.
Ele limpou a garganta ruidosamente — Lorde Syrun de Norax'iam, finalmente nos conhecemos. — disse a voz raspada.
— Não sou lorde, coisa nenhuma. E quem é você?
— Berinstarg Vioranu — estendeu a mão para fora do manto vermelho escuro. Era branca gelo, cheia de manchas escuras e veias azuis.
Syrun torceu ligeiramente os lábios. O que era aquilo? Um morto-vivo? Um necromante lacorês? Tocou-o e surpreendeu-se por ser uma mão bastante quente.
— O que quer comigo?
— Ora, o que mais? Contratá-lo.
— Pode acertar os detalhes com ela, ela quem manda em tudo, sabia?
— Pode ser, mas quem vai fazer o serviço é o senhor, então, eu quero discutir os detalhes de execução com você, correto? — ele falava um axiano carregado de um sotaque estranho... Não era lacorês, nem keldoriano, muito menos de Griss ou Yrquônia.
— De onde você vem? Mostre seu rosto.
— Venho de uma cidade desconhecida e quanto a meu rosto, os humanos não nos acham nada bonitos.
Berinstarg retirou o capuz. Era pálido e feio. Os olhos negros com a pupila vermelha. A pele era rugosa e cheia de manchas, perebas e abcessos. Lindão seria um galã perto daquela pequena aberração.
— Escute Berestern...
— Berinstarg, mas pode me chamar de Bérin.
— Você é algum tipo de morto-vivo? Demônio?
O pequenino deu uma gargalhada — Ah, não. Não senhor! Sou um guardião. Somos tão reclusos que vocês devem ser os primeiros humanos a nos ver em séculos. Para começar, veja quantia que deixei com sua esposa.
Havia um saco de veludo negro sobre a mesa e Valéria derramou o conteúdo. Eram algumas dúzias de pedras preciosas. Aquilo devia valer umas cinco vezes o que ganharam em Otrin.
— Para começar, você diz...
— É.. tenho muito mais, se estiver interessado em trabalhar para mim.
— Ora, mas naturalmente — retrucou Valéria, seus olhos brilhando cobiçosos.
— O que quer? — indagou Syrun sentindo uma coceira incômoda nas bolas e um nó na garganta. Sentia que havia algo errado além da aparência grotesca do sujeitinho.
Bérin puxou um objeto de dentro do manto. Era uma gema enorme e que pulsava com energia mágica.
— Preciso que me levem, junto com isto, para Lacoresh.
— Ora, com maior prazer. Tomaremos um navio e em poucos dias...
— Não, nada de navios! Eu sou alérgico a navios.
— O que? Alerigino?
— Quer dizer que não vamos de navio, de jeito nenhum. Vamos por terra.
Syrun deu com os ombros. — Essa viagem pode levar até umas três semanas. Sem falar que atravessar os ermos em Lacoresh pode ser fatal nesses dias.
— É por isso que estou pagando bem, certo?
— Quanto mais disso aí você tem?
Bérin tirou um outro saco mais volumoso de sua bolsa.
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O Bando de Valéria
FantasiAlguém que odeia Syrun, líder do Bando de Valéria, e que está sempre por perto, vai narrar o que acontece quando seu bando de mercenários está ameaçado por um contrato de benefícios duvidosos. Um conto que antecede o próximo livro da série da Terra...