— As melhores ideias vieram na minha mente quando eu estava deitada. Acho que vou deitar um pouco na cama pra tentar pensar em alguma coisa... — digo. Também queria descansar um pouco, mas era verdade, as minhas melhores ideias vieram quando estava na horizontal.
— Tudo bem, o que for melhor para você...
— Você pode se sentir em casa Lee. Pode olhar o que quiser, ficar onde quiser...
— Obrigado.
Vou pro quarto, me livrando das minhas botas em algum lugar do caminho antes de deitar na minha cama, afundando a cara no travesseiro. Me viro no colchão, e fico encarando o teto, perdida em pensamentos.
Ainda não tinha nem chegado a hora do almoço e eu já me sentia exausta! Eu poderia dormir uns dois dias direto sem problema!
Mesmo eu querendo muito descansar, não posso fazer isso. Não posso deixar a minha mente descansar. Eu ainda tenho que pensar em alguma solução para a situação do Gus e da Tex.
Mas como derrotar uma pessoa que tem magia? Como enganá-lo? Como se enfrenta magia?
Sei que eu sempre escrevi isso, mas pensar na possibilidade real da coisa é atordoante. Pra quem não acreditava em nada sobrenatural, nem mágico até poucas horas atrás, ter que pensar numa resposta para essa pergunta é quase engraçado, se não fosse desesperador.
Será que se eu pensar que eu estou dentro dos meus desenhos, alguma ideia vai vir? Escuto o barulho de passos.
— Eu posso me deitar do seu lado? — Lee me pergunta.
— Claro — o colchão afunda um pouco do meu lado e quando eu olho pro lado, vejo um Lee muito sério, encarando o teto.
— Acho que você botou essa sua característica em mim sem ao menos perceber. Eu também penso com mais clareza quando estou deitado. Minha cabeça funciona melhor assim...
— Acho que sim... Queria você tivesse um pouco de mim... Mesmo sendo somente uma mania...
— Manias são subestimadas às vezes... Acho essa uma mania bem saudável — ele vira o pescoço para me olhar. — Tem algum problema eu ficar aqui do seu lado? Se te incomodar, eu posso ficar no chão. Só não quero te deixar sozinha...
— Tá tudo bem Lee — sorrio para ele e volto a encarar o teto do quarto. O teto pintado com um azul bem claro.
O teto com quarenta e sete estrelas fluorescentes coladas nele.
Nem sei quantas vezes eu contei aquelas quarenta e sete estrelas, tentando fazer a minha mente funcionar e algum plano sair dela. Nem precisava ser um plano muito bom. Qualquer um serviria.
Estava começando a ficar inquieta, e não era pelo fato do homem dos meus sonhos estar sem camisa, do meu lado, deitado na minha cama. Estava inquieta pelo falo de não conseguir pensar em nada.
— As ideias estão escassas, não é?
— Sim — digo, me sentindo um pouco derrotada.
— Não consigo pensar em outro jeito... Só consigo pensar em eliminar o Bruce de uma vez por todas... — a voz do Lee é bem sombria. Sei que ele não está gostando de dizer essas palavras.
— Realmente, essa é uma solução... Mas eu não queria que chegássemos a medidas extremas assim...
— Também não queria muito, mas é assim que eu penso de como o Bruce nunca mais vai incomodar a mim ou a Tex...
— Podemos pensar em outro modo, sem ter que matar o Bruce...
— Estou aberto a sugestões então. Eu só consigo pensar no que sei. E infelizmente, ou não, matar é uma das coisas que eu sei fazer muito bem...
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Tinta Viva
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