Nosso amor iniciou-se violeta, a cor da camiseta que você estava usando quando nos vimos pela primeira vez. Tinha uma frase em inglês sobre aproveitar a vida. Eu a elogiei, você sorriu e, naquele instante, desejei contar-lhe todas as piadas do mundo para ter a honra de ver aqueles belos dentes novamente.
Anil era a cor dos teus olhos quando nos esbarramos naquela festa esquisita, onde tomei muita birita e te chamei para dançar. O DJ deu play na música e coloquei o mundo no off. Dançamos, rimos e brincamos. Foi um dos melhores dias da minha vida.
Então você me beijou e tudo era azul: o céu, a piscina, a bebida desconhecida no meu copo, os balões, seus jeans... Ignorei os sussurros alheios e olhares que julgavam insensatez. Que seja insanidade, loucura, psicose, mas que sejamos os Smurfs mais idiotas e felizes.
Verde me lembra seu sorvete de menta que deixei cair, sem querer, naquela tarde quente de novembro. Você apenas riu e disse que estava tudo bem, que eu dava muita importância a coisas triviais. Sim, eu dou. Afinal, foram essas trivialidades que nos aproximaram. Coisas como sentir a grama sob nossos pés descalços, ver a luz atravessando a copa da árvore e discutir sobre a existência de extraterrestres são o que tornam um pouco mais suportável o meu dia-a-dia cinza.
A vida seguiu-se surpreendentemente ensolarada. Enquanto trocávamos sorrisos, calores, piadas e teorias conspiratórias, tudo tornava-se alegre e brilhante, como um sol amarelo. Olhamos as estrelas e o medo dissipou-se. Perdi-me no brilho dos teus olhos, tracei caminhos pelos mapas da tua pele, buscando recuperar minha sanidade que aniquilei quando te conheci.
Despimo-nos dos costumes. Entrelaçamos nossas vidas, já bastante interligadas para que não existisse mais eu ou você. Era apenas nós. Entre mãos e braços, beijos e abraços, pele, barriga e teus laços, você me levou ao céu, e ele era laranja. Era quente. A explosão de cores de um magnifico pôr do sol inundava a minha cabeça. Um fogo ardente derretia meu coração. Se aquilo era julgado ao inferno, nem imagino como deverá ser o paraíso.
E então, o som alto, gritos e correria. Vermelho. Seu sangue manchando os lençóis. Vermelho. Meus olhos de tanto chorar. Vermelho. Seus All Stars largados ao pé da cama, que jamais serão utilizados novamente. Vermelho. A taça de vinho, e as outras que vieram a seguir. Vermelho. As rosas mortas deixadas por pessoas frias. Vermelho. A cor que marcou o fim de uma história, encerrada precoce e cruelmente por um monstro cinzento que não suportou o nosso amor colorido.
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Obrigada por lerem até aqui!
Não sei se vocês perceberam, mas não coloquei nenhum pronome ou artigo que indicasse os gêneros dos personagens. Então, fica pra vocês imaginarem.
Comentem aqui o que vocês entenderam (ou o que não entenderam), como imaginaram os personagens, críticas, sugestões, etc.
Quero ver as interpretações de vocês!Beijos