*Capítulo onze*

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Dias se passaram, nada foi dito ou comentado sobre a mulher, e ela nunca mais foi vista por Alexandre. Seu coração se apertava, um pressentimento ruim sobre o acontecido o dominava por inteiro.

Dean agia normalmente. Não parecia abalado com nada e com certeza pensava que ninguém o tinha visto. O olhar de Barnes para o chefe do grupo agora estava diferente. Um olhar acusador e desconfiado. Talvez eles não devessem temer somente os Mortos mas os vivos também. Pois algo de muito errado estava acontecendo bem embaixo de seus narizes.
A reunião durou cerca de uma hora e meia, mas nada foi decidido ou decretado sobre algo.
Alexandre estava em seu "pico" com o pensamento voando alto. A curiosidade e desconfiança preenchia sua mente.
Naquela tarde, Barnes não pretendia se sentar na varanda, e fumar seu maço de cigarro enquanto observava o mundo novo em que viviam. Naquele dia ele queria respostas, e ele procuraria até a hora que as encontrassem.

Dean caminhava pelo corredor junto de seu companheiro Tom. Eles conversavam sobre precisar encontrar um novo plano de inquisição para uma fórmula química. E também conversavam sobre buscar novos membros para o grupo.
Alexandre os seguia parando de vez em quando para se esconder atrás de alguma parte da parede, e logo depois caminhar em silêncio novamente.
Tom abriu uma porta de ferro que nunca havia sido vista pelo homem que os seguiam, a porta rangia suavemente e logo era escancarada.
Os dois membros superiores do grupo adentraram o local e antes de a porta se fechar Barnes entrou também. O local era frio, cheirava a nicotina e hospital. As paredes eram brancas porém com algumas manchas escuras. O ambiente era silencioso exceto por alguns "bips" ao longe.
Portas e mais portas surgiam e o barulho estranho se fazia mais alto a cada passo dado. Frios e arrepios constantes apareciam no corpo magro do homem curioso, e suas pernas queriam começar a falhar rapidamente com os tremores de medo do que estava por vir.

Alexandre se escondeu rapidamente atrás de uma poltrona jogada no corredor. Uma mulher que ele nunca havia visto apareceu com uma bandeja de seringas, tubos e um par de luvas de látex e entregou para Dean que vestiu o objeto nas mãos e carregou a bandeja.

A sala gelada apareceu diante dos olhos dos três. Dean e Tom adentraram a mesma e Barnes os seguiu cautelosamente escondido por detrás de uma mesa que encontrou na sala.
O "Bip" ficou muito alto e ao seu derredor haviam corpos e mais corpos de pessoas vivas desacordadas, presas por tubos e deitadas em macas de hospitais. Ao lado lá estava ela. A mulher desaparecida. Acordada e com os olhos estalados de terror ela tentava gritar mas era impedida por um pano amarrado em sua boca.
Barnes ficou paralisado, perplexo, e desacreditado. Ela era refém daquele grupo doentio. Eles injetaram um conteúdo esverdeado da seringa na veia da mulher que logo começou a se debater em constante agonia .

Barnes saiu rapidamente da sala, correndo pelo corredor. Ele precisava avisar seus companheiros e fugir com eles daquele lugar o mais rápido possível. Um homem calvo e baixinho surgiu em sua frente carregando uma prancheta nas mãos.

—- Ei! Quem é você? O que faz aqui?

Sem pensar duas vezes Alexandre o nocauteou e saiu correndo. Alarmes foram tocados. Todos já estavam avisados sobre o intruso.

Correndo rápido até seu quarto ele empurrou a porta e começou a colocar tudo na mochila.

—- Alex? Aconteceu alguma coisa??

—- Precisamos ir! Vamos peguem suas coisas! Rápido!!! Depois explico! Corremos perigo vamos!

Todos se entreolharam e começaram a correr contra o tempo. O alarme soava alto e eles podiam ouvir passos chegando perto. Com sua colt na mão e com as facas em posições eles saíram do ambiente carregando a criança e as mochilas.

Eles correram pelo local. Procurando a saída enquanto o som alto os atrapalhava.

—- Aonde pensa que vai Alexandre? - Dean surgiu apontando sua calibre 44 para o mesmo.

—- Eu sei sobre tudo! Sei sobre as pessoas desacordadas na sala lá embaixo! E nós vamos embora!

—- Vocês não vão a lugar algum!

Eles passaram pela porta empurrando entulhos e correndo desesperados. Corações acelerados. Medo. Confusão. E falta de esperança os dominaram. Eles não sabiam para onde ir. Ou para onde se esconder.

—- Vamos nos separar! Vão para o outro lado! É a mim que eles querem... não vão ferir vocês. Procurem um carro e depois me busquem!

—- Alex não! Não vamos o deixar!

—- Vão rápido! Eu vou ficar bem... prometo.

Ele virou à esquerda com a faca e a colt apontando para todos os lados. Haviam muitos "mortos- vivos" no caminho.

A faca era espetada na cabeça de muitos enquanto caiam aos montes no chão úmido. Alexandre podia ouvir ao longe o grupo chegando perto. Ele correu e correu. Até o seu pulmão querer começar a falhar. A asma começara a atacar.

A aniquilação da sociedade - O começo do fim - Livro I Onde histórias criam vida. Descubra agora