Essa história é verídica. O sincero e exclusivo intuito aqui é de revelar verdades, somente, embora talvez seja até bom que ninguém acredite, como já é o esperado. Enfim, o relato aconteceu há pouco com um amigo meu. Um grande amigo. É meu melhor amigo, inclusive. Seu nome é Bruno. Tem 18 anos, apesar de parecer ter menos. Eu sou um pouco mais velho, no entanto isso não vem ao caso.
Bruno, a principio, é o homem perfeito para qualquer mulher. Sabe ser romântico, divertido e inteligente. Na realidade ele seria perfeito se, apesar de todo esse lado bom, não existissem suas escorregadas com a namorada. Dá muita raiva olhar certas coisas, pois ela não merece isso. Numa noite que tinha tudo para ser como outra qualquer, saindo da balada após uma noite infiel e promíscua, completamente escondido da sua linda garota, como era de costume, foi surpreendido por 2 ”assaltantes”. Eles eram incomuns. Não queriam roubar seus pertences. Sequestraram-no. Foi tudo muito rápido. Ele nem teve muito tempo de pensar. Fora logo jogado dentro da van sob ameaças de ser perfurado se não o fizesse.
Dentro da van, sob o domínio de pessoas alheias, imediatamente enfiaram-lhe alguma substância sonífera goela abaixo, que fez Bruno apagar. Seu estado não muito sóbrio facilitou o processo. Sua noite ficara incerta a partir daquele momento e a vida de Bruno estava em mãos provavelmente erradas.
Horas depois, o abrir dos olhos vem acompanhado de um despertar assustado. Bruno encontra-se amarrado numa sala escura e suja, sentado à cadeira. Que situação misteriosa. Uma sensação de impotência segue sob o seu ser totalmente dominado. Não podia sequer balançar os braços. O aperto das cordas doía. Tentou balançar a cadeira em vão. Estava presa ao chão. O lugar fedia a decomposição pura. O desespero, enfim, chegou.
Passado o momento inicial, Bruno percebeu algo medonho. Estava impossível gritar. Não emitia sons tão audíveis, independente do quanto tentasse. Sua boca não estava presa, mas algo havia acontecido a ela. Sua língua... Não funcionava. Parecia que sequer existia na verdade. Demorou uns segundos para entender. Tiraram-na. Sua língua fora arrancada enquanto Bruno dormia. Ao perceber a situação, arregalou os olhos deveras desesperado e gritou muito mentalmente. Abria sua boca com todo vigor de sua alma. Era absolutamente visível as suas tentativas eternamente falhas de fazer barulho. A força para o ato foi realmente surreal, mas inútil. E Bruno, por mais que tentasse se mover, só mexia seu tronco e cabeça. Uma impotência absurda.
Surgiu aquela vontade de chorar diante de todo o inexplicável, uma injustiça infinita que o amedrontava, até que em sua mente apareceu uma ponta de esperança. Um homem abriu a porta à sua frente. Bruno tentou falar, conversar, mas emitia sons indecifráveis. Comunicação não era mais uma opção à sua salvação. O individuo alto e gordo nem se importou. Estava com uma furadeira em mãos. Agachou-se perto de Bruno e observou sua face assustada, já meio chorosa.
O olhar de Bruno transmitia um pedido de ajuda muito sincero. Estava completamente dominado, vulnerável, dependente e infeliz. O homem encarou-o de forma indiferente. Analisou-o como se fosse um objeto. Tocou e alisou sua face. Fez um movimento suspeito mirando sua furadeira em pontos de seu rosto, o que o assustou e agitou bastante. Era uma situação claustrofóbica. Câimbras começaram a incomodar Bruno. Não sabia como fazer, como reagir. Sentia que estava morto. Aquilo só podia ser o inferno. Mas nada tinha, enfim, começado ainda.
- Seres humanos... Até onde podem ir por tão pouco? – O homem comentou, não mirando seu olhar em Bruno. Parecia estar falando consigo mesmo. Ele se aproximou da parede e ligou a luz. A retina de Bruno sofreu com o flash por alguns segundos. Enfim percebeu-se que era mesmo uma sala vazia e muito suja, como esperado. Diante da rápida recuperação da boa visão através da iluminação ocorreu um susto. Havia um espelho à sua frente. Bruno constatou, então, que estava mesmo sem língua e seu rosto estava coberto de sangue seco que provavelmente era seu.
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Contos Diversos e Universos Paralelos
Cerita PendekMini contos diversos e aleatórios feitos de forma independente, podendo ser lidos em qualquer ordem.