Just stop crying

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POV Giovanna

Eu não sei explicar o que senti quando ouvi aquelas palavras. Eu me senti tonta e enjoada, com medo e raiva, eu me senti desacordada, mesmo estando em pé e tendo consciência disso, eu não me via ali naquele ambiente. Como ela pode esconder isso de mim? Como é possível ela estragar tudo assim sem ter a mínima consideração por mim!

- Giovanna! - Manoela veio andando até mim, eu já sentia as lágrimas caindo pelo meu rosto.

- Pq não me contou? - Perguntei fixando meus olhos no meu sapato.

- Amor, vamos conversar em outro lugar, agora não é hora disso e...- Ela disse se aproximando mais.

- Pq raios você não me contou, Manoela? Você iria me esconder isso até quando? No dia que você fosse ir embora? Olha Giovanna estou indo ficar 3 anos no Canadá, meu voo sai daqui 2 horas, xau! - Disse o final com uma voz irônica.

- Amor... - Ela tenta pegar minha mão mas me afasto, saio da área do banheiro, pego minha bolsa e vou até a porta. - Onde você vai? - Ela pergunta me seguindo.

Por causa da gritaria todos que estavam na área de fora vieram para dentro e estavam assistindo aquela cena.

- Eu vou embora, ou você tem mais alguma coisa que tenha escondido de mim? - Pergunto mas não espero sua resposta e saio da casa.

O uber chega e logo entro dentro dele.

Eu me sentia inútil, inútil por não consegui parar de chorar. Eu tinha me entregado de corpo e alma para Manoela, ela tinha o meu coração, e agora o meu coração, ou ao menos o que restou dele, estava partindo em algum momento para o Canadá. Eu sempre fui fogo em meus relacionamentos, nunca me doei aos poucos, sempre por inteiro. E agora eu estava inteiramente destruída.

Sai de meus pensamentos quando o uber estacionou na porta do meu apartamento. Confirmei a viajem e subi. Fui direto para o banho, desliguei meu celular que não parava de tocar e me sentei na varanda enquanto mais uma vez não consegui conter a dor que estava no meu peito e a mesma se anunciou por meio de lágrimas.

- Giovanna, abre a porta por favor! - Disse Manoela batendo na minha porta. Ignorei, talvez ela fosse embora se pensasse que eu não estava aqui. - Eu seu que você está aí, seu porteiro me disso. Vamos conversar, amor. Por favor. - Ela estava chorando assim como eu, sua voz era falha.

- Manoela, vá embora! - Disse em meio ao rio de lágrimas em meu rosto.

- Eu preciso conversar com você, preciso te explicar. - Ela disse. - Eu só preciso de 10 minutos.

Eu não sei o motivo, mas eu abri a porta. Eu queria ouvir o que ela tinha a dizer. O seu rosto estava vermelho e olhos inchados.

- Você tem exatos, 10 minutos! - Disse ríspida.

- Eu recebi uma proposta para fazer um filme no Canadá, ele irá durar 3 anos. - Ela disse fechando a porta atrás de si.

- Grande novidade essa. - Digo irônica.

- Eu achei que você iria me apoiar. - Ela disse cabisbaixa.

- Eu apoio a sua carreira e a sua vida, Manoela. Eu não apoio mentiras. A gente poderia ter conversado, poderia ter conseguido encontrar um caminho que coubesse a sua estrada profissional e a nossa estrada juntas. - Disse não conseguindo conter o choro. - Quando te falaram essa proposta? - Perguntei.

- Hoje. - Ela disse e eu lembrei da reunião.

- E você nem cogitou a hipótese de falar comigo? Ao menos contar?- Digo

- Eu não queria estragar a festa. - Ela disse.

- Bem, você conseguiu não estragar a festa. Mas não fez o mesmo com nosso relacionamento. - Digo

- Giovanna, o que você está falando?- Ela diz

- Quando você viaja? - Ignoro a sua pergunta.

- Daqui 3 meses e meio. Giovanna, eu... - A corto

- Eu preciso dormir, amanhã tem gravação e já esta tarde, acho melhor você ir embora. - Digo me levantando.

- Não faz isso com a gente. - Ela diz

- Você que está fazendo isso com a gente, Manoela. - Respondo.

- Eu quis recusar, recusar por você. Mas eu sei que você não aceitaria isso. Eu ia ficar por você, mas resolvi ir por você também. - Ela disse com um tom de voz triste.

- Se você realmente quisesse fazer isso por nós, nós teríamos uma conversa, mas você não cogitou essa hipótese, Manoela. - Respondi.

- Eu te amo, Giovanna. Eu não queria minha mãe atrapalhando a gente, eu não queria minha insegurança e medo atrapalhando a gente, eu nada queria esses quilômetros entre a gente. - Ela disse se aproximando.

- A gente poderia ter chegado a uma solução juntas. - Respondi.

- Eu tenho 3 meses e meio aqui ainda, pq não deixar isso de lado e apenas viver o agora. - Ela disse um pouco alterada.

- Você está se ouvindo? Do que adiante querer fingir que você não vai embora? Não vê que isso só vai fazer com que nos duas saia mais machucada ainda?- Digo.

- Eu estou saindo machucada agora, não vejo diferença. - Ela diz.

- Eu vejo! - Praticamente grito. - Eu estou acabada, Manoela! Meu coração está destruído por esta te mandando ir embora agora, imagina daqui 3 meses e meio? Eu não vou conseguir ficar com você sabendo que terei que me preparar todo dia para te dizer adeus. - Grito.

- Não precisa ser um adeus. - Ela responde.

- Que tal um até daqui 3 anos? Bem similar, não acha? - Respondo irônica.

- Amor, não faz isso com a gente. - Ela diz soluçando.

- Nós terminamos aqui, Manoela. Tanto a conversa como o relacionamento. Melhor você ir embora. - Digo retirando forças que nem eu sabia que tinha.

Ela apenas me olha como se quisesse uma confirmação, e sai.

A vida imita a arteOnde histórias criam vida. Descubra agora