E aqui estou eu, voltando pra casa depois de uma demissão injusta, de baixo de um sol capaz de fritar uma galinha inteira. Mas eu até que gosto do sol, e por isso decidi me mudar pra esse lugarzinho quente que é a Califórnia.
Eu fico pensando em como tudo é tão injusto comigo, eu sou uma boa pessoa, ajudo animais de rua, e teve uma vez que até doei roupas para um abrigo no inverno. Tá que eu não pago alguns aluguéis, xingo o vizinho gay por ele usar um spray de cabelo horrível naquele cabelo horroroso, já roubei chicletes do sr.Cooper, e algumas outras coisas que não vem ao caso, mas eu acho que isso são coisas que a vida tem que perdoar. E ainda sobre a vida ser injusta, eu chego no meu prédio cansadíssima por ter tido um dia exaustivo xingando a Marta (minha ex chefe bruxa), e tem um vizinho de mudança usando o elevador. Será que eles acham que é fácil subir uns 100 degraus até o 5 andar?
Quando abro a porta de casa são contas e mais contas jogadas ao chão e até um aviso de despejo. Qual é, será que não podem deixar passar uns 3 aluguéis atrasados?
Desempregada, sem dinheiro, sem comida e acabo de ver que sem um namorado também. Não que eu precise de Dave, ele se acha muito, e terminou comigo pois acha que não tenho maturidade e controle sobre a minha vida.
Sentada agora no chão da cozinha percebo que a vida me pegou de jeito dessa vez, e isso me lembra o que Jake diz quando reclamo da vida, "as vezes a vida te pega de jeito pra ver se você da um jeito nela". Mas de qualquer forma, pra mim, tudo sempre foi um tanto faz.
Alissa entra pela porta com algumas malas.-Primeiro, que cheiro é esse? Segundo, por que você está jogada nesse chão? E meu Deus, você viu como o seu vizinho novo é um gato?
-Eu sou um poço de merda, Alissa.
-Isso explica o mau cheiro.
-Não, isso é a pia que está entupida a uma semana.
-Sério, você precisa dar um jeito nisso, e acho que em você também, e precisa conhecer o novo vizinho.
Ela mal respira pra falar tudo isso.
-Sério, por que todo mundo fica falando isso? E que diabos novo vizinho? Não quero conhecer ninguém nos próximos 50 anos.
Alissa me conhece muito bem e sabe quando não estou afim de conversa, e esse é um desses momentos. Ela deixa as malas ali mesmo, no chão da cozinha, e sai pela porta, só me dou conta de que ela foi embora quando me afundo em meu silêncio mortal.
Já se passaram 20 minutos desde que estou jogada nesse chão e não pensei em solução alguma pra todos os meus problemas, até que Alissa volta me tirando do transe que é minha mente.-Comprei algumas coisas pra você
comer, e aqui está, um pó mágico que desentope pias, mas não vai se suicidar, isso é soda.-Cortar os pulsos é mais dramático e bonito.
-Eu estou indo visitar o Steve, em Londres, meu voo sai daqui 2 horas, vou ficar fora por 1 mês. aqui está as chaves da minha casa e se quiser pode morar lá por quanto tempo for preciso. Promete que vai ficar bem?
Alissa faz uma cara de preocupação sempre que viaja e me deixa sozinha.
-Sim, eu vou. E você e o Steve estão se casando escondido ?
-Não e não teria motivos pra esconder um casamento.
-Teria sim, Steve é feio.
-Ah, nem é. Então certo, estou indo. E mais uma vez - então falamos juntas - as vezes só precisamos de um rumo pra tudo se arrumar.
Ela sempre diz isso.
-E o sr.cooper disse que o cinema tá contratando, talvez seja uma boa por um tempo.
Ela foi saindo pela porta novamente, seus saltos fazem um barulho que eu reconheceria de longe.
-E você tem que conhecer esse novo vizinho.
-Tchau, Alissa.
Alissa é minha melhor amiga desde que me entendo por gente, por ser mais velha, ela sempre cuidou de mim. As vezes ela é meio muito chata, mas acho que todo mundo tem esse lado. Nos conhecemos quando eu tinha 4 anos e acabará de me mudar pra Londres por conta do sumiço da minha mãe. Ela tinha uns 7 anos nessa época, era quase minha babá, e desde então nunca mais nos separamos.
Eu tenho uma habilidade incrível de dormir durante horas, e em situações como a que me vejo agora, eu prefiro dormir, bastante.
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Se Eu Acreditar Em Você
Teen Fiction-Vou indo, boa noite de novo. - Eu soltei um sorriso sincero. -Não vai me convidar pra entrar? - Estava demorando para ser babaca de novo. -Nem se você fosse a única pessoa que pudesse salvar a minha vida. Até mais. - Bati a porta na cara dele, e só...