– Eu já disse o quanto você está linda? – Peeta perguntou, assim que eu desci de seu carro.
– Já sim, mas você pode dizer de novo, que eu não vou me importar – respondi, sorrindo pra ele, enquanto eu o assistia fechar a porta que ele havia aberto pra mim. – A propósito, você também não está nada mal.
Peeta abriu um sorriso torto, ao parar de frente pra mim, e depois de olhar ao nosso redor, no estacionamento quase vazio do colégio, ele me segurou pela cintura, e me empurrou contra a lataria de seu carro.
– Nem pensar – murmurei, sentindo o coração bater acelerado no peito, por culpa de seu movimento inesperado. – Temos que entrar.
Seu sorriso apenas se ampliou, e como se ele não tivesse me ouvido, Peeta esmagou meus lábios com os dele, já pedindo espaço com a ponta da língua. Neguei com a cabeça, quase que imperceptivelmente, e acabei sorrindo, antes de dar o que ele queria, enquanto passava os braços ao redor de seu pescoço.
Desde aquela segunda-feira traumatizante, eu conseguia notar o quão o elo entre mim e Peeta, havia se fortalecido.
Eu sempre achei que fossemos um ótimo casal, apesar das minhas inseguranças, medos e infantilidades. Mas nas duas últimas semanas, a sintonia e a intensidade entre nós dois, pareciam mais sólidas. Era um sentimento de paz, que nem mesmo os pesadelos que eu tive nas primeiras noites, onde Johanna sempre aparecia em seus últimos momentos de vida, me deixavam perturbada por muito tempo.
Nós havíamos colocado um ponto final naquela situação.
Estivemos com os pais de Johanna, que estavam morando em uma pequena cidade, a algumas horas de Detroit, e lhe entregamos o dinheiro. Nos surpreendemos com o olhar horrorizado de sua mãe, e então descobrimos que o casal Mason, ainda não sabia sobre a morte da filha. A mãe de Johanna desabou nos braços do marido, enquanto Peeta tentava explicar o acontecido do dia anterior, com as mãos tremendo nas laterais de seu corpo. Eu, que estava completamente silenciosa ao lado dele, precisei interferir, quando Peeta não conseguiu mais falar, e apesar da minha garganta parecer estar bloqueada com uma grande bola de choro, que eu segurava, só pra tentar demonstrar a Peeta que estava tudo bem, contei o resto ao casal, até terminar com um "eu sinto muito", quase sem som.
Peeta, quando pareceu mais calmo, sugeriu que eles comparecessem a Detroit, para fazerem um enterro apropriado a Johanna, mas o pai dela, resoluto, disse que não sairiam dali. Ele também disse que não colocaria a vida da esposa em risco, voltando para aquela maldita cidade, e com um simples obrigado, que pareceu sincero, o senhor Mason puxou a senhora Mason pra dentro, e com um olhar carregado de lágrimas, ele sorriu pra nós dois, antes de fechar a porta.
Eu compreendia, e, aparentemente, Peeta também. Johanna podia estar morta, mas não significava que seus pais estariam seguros, se voltassem para Detroit, afinal de contas, as dívidas de Johanna ainda estavam bem vivas, disso eu tinha certeza.
Naquela noite relativamente quente de terça-feira, nós saímos daquela cidade, em um silêncio mútuo, onde apenas o som do motor do carro, e do vento entrando pelas janelas, ocupavam o pequeno espaço. Com os pensamentos tão rápidos quanto a velocidade em que Peeta dirigia, demorei para me dar conta de que não estávamos indo pra casa, e eu só percebi, quando outro som foi acrescentado aos meus ouvidos.
Antes que chegássemos a Detroit, Peeta acabou fazendo um desvio, e o resultado foi nós dois sentados na areia morna da praia, assistindo as ondas quebrarem, com a escuridão da noite, refletindo na imensidão do mar como plano de fundo.
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O Sol em meio à tempestade
FanfictionKatniss Everdeen. Uma garota fechada para o mundo e para as pessoas que a cercavam. Uma garota com uma vida difícil. Uma garota com um sonho. E acima de tudo, uma garota que, apesar de todas as barreiras, decidiu seguir o que seu coração mandava. Po...