Cecília esfregava os olhos freneticamente, sua visão estava boa, mas seu cérebro não compreendia o que estava acontecendo. Assim que sua vista se recuperou do clarão no quarto, viu que a idosa não estava mais lá, enquanto ficava boquiaberta as pessoas no quarto agiam. O Rabino pegou uma chave de seu bolso, andou até a estante do velho quarto, destrancou uma gaveta e de dentro dela puxou um laptop em perfeitas condições de uso. Enquanto o aparelho ligava, da mesma gaveta pegou 3 aparelhos celulares, passou 1 para a madre superiora, outro para o monge e ligou o terceiro aparelho, entregando-o para Cecília que, atônita, ainda não entendia o que estava acontecendo.
- Pegue o aparelho criança e o atenda assim que tocar. Precisamos resgatá-la. – O sotaque do Rabino era forte e mostrava que não era brasileiro. Sua voz era firme e Cecília obedeceu, pegou o aparelho que estava ligando e o segurou em suas mãos com força.
Seu olhar buscava explicações, mas ninguém parecia se importar com seu desespero, então, sentiu um toque suave em suas mãos e a velha senhora de turbante que estava na reunião estava parada a sua frente com um semblante preocupado, mas seguro do que deveria ser feito.
- Filha, tudo será explicado a seu tempo, mas neste momento sua obrigação ainda é com a Anciã e ela entrará em contato. É sua obrigação nos passar as próximas instruções dela.
Essas palavras só deixaram Cecília mais confusa. "Como assim ela vai ligar, ela sumiu, será que só eu estou vendo o que está acontecendo? ". Tentar entender o que estava acontecendo não ajudava em nada, então fez a única coisa que podia fazer, saiu do caminho. Andou até o canto do quarto com o celular nas mãos e acompanhou o andamento das coisas.
O Rabino já havia ligado um headset ao laptop e falava com outras pessoas em uma língua que Cecília não entendia, a Madre Superiora havia deixado o quarto logo após o acontecido, enquanto o Monge falava freneticamente ao celular. A mulher do turbante, que era a mais velha de todos na sala, arrumava o local calmamente. Parecia até que não tinha acontecido nada. As demais pessoas olhavam insistentemente para Cecília que ainda não entendia o que estava acontecendo e sentia medo de fazer algo errado.
Não soube dizer quanto tempo passou até que o telefone em suas mãos começou a tocar cortando o frenesi do quarto. Todos ficaram em um silêncio e olharam para a menina que durante alguns segundos não soube o que fazer. Então abriu o flip do aparelho e o colocou no ouvido:
- Alo?
- Estou em São Paulo. Preciso de um ponto de extração imediatamente! – A voz era jovem mas dura, imediatamente Cecília entendeu que era a velha do quarto que falava do outro lado.
- Ela está em São Paulo! – Assim que disse isso o Rabino virou para o laptop novamente e iniciou outra chamada, agora falando em português. Ao mesmo tempo a velha Mãe de Santo pegou o outro aparelho, das mãos do Monge e discou para alguém. Enquanto isso, Cecília repetia o que ouvia na linha fazendo com que o ritmo no quarto fosse ficando cada vez mais frenético, até que a Mãe de Santo levantou a mão e todos ficaram em silêncio.
- Ela deve aguardar em frente ao hospital público na rua Catão, temos um carro a caminho. – Disse a mulher do turbante.
Cecília repassou as informações e então a ligação foi finalizada.
Depois disso, todos saíram do quarto deixando a freira sozinha e atônita, ainda com o celular em suas mãos. Ficou lá por algum tempo até que a porta se abriu e um padre entrou:
- Me acompanhe criança.
Ambos saíram do quarto e desceram as escadas, mas ao chegar a fonte, o padre virou à esquerda, em direção ao portão principal, onde um carro os esperava. O padre abriu a porta e fez sinal para que a jovem entrasse, assim que entrou a porta foi fechada e o carro arrancou pela estrada de terra.
O carro luxuoso, voava estrada abaixo como se fosse um rali, Cecília logo colocou o cinto de segurança e permaneceu calada esperando que alguém falasse com ela. Em sua cabeça, nem sabia se podia responder, já que havia feito um voto de silêncio, mas dadas as circunstâncias, acreditou que poderia ao menos responder as perguntas que fossem feitas.
Algum tempo depois, o carro saiu da estrada de terra em uma grande estrada, logo Cecília viu uma placa "São Paulo 132km".
- Para onde estou indo? – Finalmente a jovem havia tomado coragem para perguntar.
- Você vai encontrá-la. – Dito isso o motorista passou um envelope pardo para o banco de trás fazendo sinal para que Cecília abrisse.
Dentro do envelope havia uma chave em um chaveiro escrito "Edifício Armênia – 1212", virou o restante do conteúdo do envelope no banco, haviam documentos novos em seu nome. Olhou para o chão e viu uma bolsa de viagem. Sua confusão foi cortada pela voz do motorista:
- Roupas. Se troque, você não deve mais ser vista como freira.
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EVA - A Primeira Mulher!
AventuraE então Deus criou o homem e a mulher a sua imagem e semelhança. Ambos viveram no paraíso até desapontarem o Criador caindo em tentação. Depois de serem expulsos, Adão e Eva foram condenados a viver incontáveis eras na Terra, não como imortais, m...