Flashes inundam minha mente e eu simplesmente não consigo pronunciar nenhuma palavra. Todas as declarações de amor, todas as noites que passamos juntos, todas as carícias, tudo... Pra no final eu descobrir que o desgraçado tinha namorada e descobrir ser tarde demais. O desgraçado já estava impregnado até na minha alma. Engulo o bolo que se forma na minha garganta e tento não parecer interessada.
— Ah sim. — Murmuro e termino meu suco no estilo Barry Allen.
Mas como minha amiga me conhecia como a palma da mão dela, estreita os olhos e fica me encarando.
— Jura que não ficou nem um pouquinho curiosa?
— Juro juradinho. Eu nem me lembrava mais da existência daquele ser. — Mentira. Eu sou a porra de uma fudida mentirosa. Eu pensava naquele bastardo 25 horas por dia. — Agora, se você me permite, eu vou para minha casa estudar.
Tiro o dinheiro do almoço e coloco em cima da mesa. Coloco meus óculos escuros e decido passar num supermercado antes de me afundar na bad. Compro várias porcarias que me fariam enlouquecer pra queimar tudo na academia, mas no momento era o que eu precisava.
Me dirijo para minha casa com meu estômago revirando. Só de saber que ele estaria de volta a cidade, eu ficava em frangalhos. Ele tinha esse maldito poder sobre mim e eu odiava isso. Foda-se esse corpo traidor.
Estaciono o carro na minha vaga, pego minhas compras e subo para o conforto do meu apartamento. Entro e deposito minhas compras no balcão. Olho ao redor e pela primeira vez em muito tempo, me sinto sozinha. Faziam 3 anos que eu morava sozinha e sempre gostei dessa solidão.
Eu me considerava uma leoa solitária. Mesmo morando com meus pais, eu sempre fiquei a maior parte do tempo só, já que eles trabalhavam o dia inteiro fora. Isso fez com que eu construísse uma independência inabalável. Pois como dizia meu amado pai: "é preciso ser imenso pra ser sozinho." E eu fiz questão de dar um duplo carpado nessa imensidão.
Ligo o rádio numa música alta para afastar esse sentimento, abro uma barra de chocolate e fico me deliciando nessa depressão em que eu me encontrava. Eu gostava de curtir a fossa. Porquê não se afundar um pouquinho pra depois me reerguer? Não faz mal a ninguém.
Mas uma coisa ficava rondando a minha mente: Porquê raios aquele desgraçado voltaria?
Eu estava conseguindo viver de uma forma que eu não me sentisse uma incapaz. Tive vários encontros casuais. Eu era a maldita de uma solteira que ia pra night e beijava quem quisesse.
Decidida a dar um basta nessa confusão em que eu me encontrava, corro para um salão para fazer um tratamento completo e sair para uma noitada que iria me fazer esquecer quem eu era. Eu não iria permitir que uma notícia me abalasse tanto, ou eu não me chamaria Safira.
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Ops... Fiz merda novamente
ChickLitSafira L. Carter desde nova lia muitos romances, via o retrato do amor perfeito estampado em filmes, seriados, até em propagandas de TV. O que ela não esperava, é que na vida real, as coisas não eram tão simples. Às vezes você encontrava o amor da s...