Capítulo 19

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- Nada filha. Nenhuma notícia da sua irmã. Fui até à delegacia e prestei queixa de desaparecimento. Agora temos que esperar a boa vontade da polícia. - A mulher fala triste e se senta ao lado da filha, que a abraça.

- Eu quero a minha irmã mãe. - Manuela fala chorando novamente.

- Eu também quero Manu, mas agora não podemos fazer nada. - Rebeca tenta consolar a filha, o que não adianta muito.

Manuela se levanta e vai para o quarto, onde se tranca. Deita na cama da irmã, já que era o mais próximo que podia chegar dela nos últimos dias. Escuta sua mãe bater na porta diversas vezes, mas não a abre de forma alguma.

Rebeca fica chateada, mas entende o comportamento da filha e resolve fazer alguma coisa para tentar animar a garota. Faz sua comida preferida para o jantar e liga para os amigos da filha, os convidando para jantarem lá.

Depois de não muito tempo, todo o grupo chegou à casa das gêmeas e foram recebidos pela mãe delas.

- Como você está tia? - Felipe pergunta.

- Estou tentando ficar bem, mas com uma filha desaparecida e outra claramente deprimida, não está nada fácil. - Sorri sem graça. Dava para ver nitidamente o quão cansada Rebeca estava.

- Vai dar tudo certo! - André tenta animar um pouco a mulher. Ela sorriu, pelo fato de ver os amigos maravilhosos que suas filhas tinham.

- Sentem-se. Fiquem a vontade, mas antes, preciso de um favor de vocês. - Fala Rebeca toda simpática.

- O que foi? - Téo questiona.

- A Manu não quer sair do quarto pra nada. Pensei que vocês pudessem conseguir tirar ela de lá. - Concluí a mais velha.

- Vai lá Joaquim, você é o namorado dela. Ela vai querer ver você. - Júlia fala empurrando o irmão para que se levante.

- Tá legal, calma. Não precisa empurrar também. - Responde um pouco bravo com a irmã. Joaquim se levanta e vai até a porta do quarto, onde bate algumas vezes. - Manu, sou eu, Joaquim. Abre a porta por favor. - Nenhum sinal de resposta. - Eu vim saber se você está melhor. Vai mesmo me deixar aqui plantado? Estou com saudade de você. - Bate mais algumas vezes na porta.

Manuela, do outro lado da porta, estava escutando o que o menino estava dizendo. Ficou feliz em saber que ele se preocupa com ela, mas ao mesmo tempo, não queria sair da cama de Isabela.

Levantou, com muito custo. Abriu a porta e sorriu — mesmo sem graça — ao ver o namorado. Andou em sua direção e o abraçou. Joaquim, claro, retribuiu o abraço com o maior carinho que tinha para oferecer a ela. Manu se sentiu bem e feliz em seus braços. Ficou na ponta dos pés e o beijou, coisa que ela não gostava muito de fazer em público por ser tímida. Ao se separarem, olhou para sala e viu todos seus amigos e sua mãe os olhando. Ficou mais vermelha do que tomate.

- Oi gente! - Falou toda sem graça e com o rosto ainda vermelho. Todos riram da reação dela, o que fez ela rir também.

- Quanto tempo não vejo esse sorriso! Se soubesse, tinha prendido todos vocês aqui conosco. - Brinca Rebeca fazendo todos rirem novamente, incluindo a filha.

- Obrigada por virem pessoal! Acho que eu estava mesmo precisando de vocês.

Todos sorriram e correram para abraçar a menina. Por alguns minutos, ela finalmente esquecera da irmã.

Rebeca foi para a cozinha terminar o jantar, enquanto o pessoal ficou conversando na sala. Por mais unidos que fossem, sempre tinham assunto para colocar em dia. A mulher, ora mexia as panelas, ora observava as crianças. Enfim, terminou de preparar o jantar.

- Alguém está com fome?! - Disse a mulher colocando uma travessa com arroz na mesa.

- EU!!! - Gritaram todos ao mesmo tempo.

- Espera aí tia, vou te ajudar. - Mateus diz se levantando e indo para cozinha ajudar a mãe da amiga.

- Eu ajudo também. - Téo se levantou. Estava triste por não saber aonde sua namorada estava, ele realmente a amava, mas queria que a amiga ficasse bem, então guardou esse sentimento para si.

Ao terminarem de colocar à mesa, todos se sentaram ao redor dela. Depois de muito tempo, Manu estava realmente feliz, pelo menos por algum tempo.

Conversa vai, conversa vem, e todos terminam de comer. Ainda ficaram à mesa conversando.

Téo já não aguentava mais ficar ali. Não pelo pessoal, estava tudo muito bom, mas sentia falta de alguém ali. Precisava inventar uma desculpa para ir embora.

- Pessoal, aqui está tudo maravilhoso, mas preciso ir. Meus pais pediram para eu não chegar muito tarde em casa. - Esperava que ninguém percebesse a mentira.

- Ah Téo, mas já? Ainda está cedo. Se quiser eu ligo para seus pais e converso com eles para você ficar mais aqui. - Insistiu Rebeca.

- É melhor não. A mama não anda de muito bom humor ultimamente e se eu desobedecer, vocês já sabem né?! - Mentiu mais uma vez. - Obrigada pela janta! Abraçou Rebeca e se despediu de todos com um tchau coletivo. Ao sair, escuta alguém lhe chamar. - Manu? O que foi?

- Sei que não está indo embora por causa de seus pais. É por causa da Isa, não é? - Manu disse ao chegar em seu encontro.

- Honestamente, é sim. Mas não queria que você se sentisse mal por minha causa. - Confessou ele.

- Eu sei Téo! E é por isso que você é um grande amigo. Não se preocupe, não vou falar para ninguém. - Sorri gentil a menina.

- Obrigada Manu! Você também é uma grande amiga! - Ele abraça a menina, que retribui.  Eles se afastam e Téo sai andando.

- Téo! - O garoto olha para trás. - Vamos achar a minha irmã. - O menino sorri.

- Vamos sim. - Diz ainda sorrindo. Vira às costas novamente e segue até sua casa.

- O que ele tem? - Joaquim pergunta ao chegar perto de Manu, que assusta com a presença do garoto.

- Ah, não é nada. Pelo menos foi o que ele disse. - Responde a menina.

- Ah tá. Bom, já vamos indo também. - Anuncia Joaquim.

- O que? Mas por que agora? - A garota questiona.

- Você sabe como é nossa tia. É melhor não darmos motivos à ela.

- Entendi. - Disse ela com o semblante tristonho.

- Você vai ficar bem? - Pergunta ele preocupado.

- Prometo que vou tentar. - Ela sorri doce. - Obrigada por virem! - Beija o namorado.

- Não foi nada. - Ele responde com as testas coladas.

- Então Joaquim, vamos? - André traz o amigo novamente para Terra, fazendo Júlia, Felipe e Manu rirem. - Tchau Manu!

- Tchau André! - responde a garota ainda rindo.

- Tchau Manu! - Júlia e Felipe dizem juntos.

- Até mais! - Responde a menina e os observa até perder eles de vista. Depois disso, ela entra em casa. Mateus ainda estava lá conversando com Rebeca.

- Bom, já que todos foram, é melhor eu ir também. - Observa o único que sobrou.

- Por que não dorme aqui Mateus? - Sugere a menina. Seu amigo conhecia bem aquela cara, sabia que ela estava tramando alguma coisa. A visita de seus amigos havia dado novas energias para a menina.

- Por mim tudo bem. E claro, se nossos pais deixarem. - Manuela olha para mãe dela, pedindo permissão.

- Tudo bem, pode ficar Mateus! Vou falar com a Clara. - Ela pega o telefone e liga para a amiga. Clara no começo resiste, mas acabada cedendo.  - Pronto! Mateus fica! - Diz sorrindo.

- Obaa! - Ambos dizem.

Rebeca vai arrumar as camas para os dois. Depois, eles vão se deitar, mas não dormir. Passaram grande parte da noite planejando uma busca, para acharem Isabela.

Quanto a Rebeca, acabou adormecendo no sofá mesmo.

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