Bruno
Coloquei uma camisa e fiquei de bermuda mesmo, peguei a chave da moto e capacete desci correndo as escadas e Isa ficou me olhando.
Isa: boa sorte, você é um cafa mas eu torço por você primo.
Bruno: só tu mesmo – rimos –.
Saí e peguei minha moto, coloquei o capacete e acelerei para a casa de Manu, talvez ela fosse gritar, me xingar e me mandar ir embora afinal o não eu já tinha. É a única mulher que fez minha cabeça pirar assim, então eu precisava lutar por ela... toquei a campainha pela terceira vez e a porta abriu e era ela, linda, como sempre linda. Mesmo com aqueles olhos fundos de quem não dormiu a maquiagem cobria um pouco, calça jeans e um nike aquele estilo que só ela tinha e eu era apaixonado, porra eu sou apaixonado por ela.
Manu: sério isso Bruno? Tá fazendo o que aqui?
Bruno: a Isa falou que você ia embora, e eu não posso deixar isso acontecer.
Manu: a Isa não tinha que falar nada, estou indo passar um tempo com os meus pais eu preciso voltar a respirar aquele ar que sempre me trouxe paz.
Bruno: não vai, eu te imploro Manu. Por favor linda – seus olhos me fitaram por alguns segundos, ela quis sorrir quando chamei ela de linda eu sabia disso –.
Manu: não, não implora, não me peça nada Bruno. Você não tem esse direito, entende? Você não pode, você conseguiu me expor e só Deus sabe quais as outras merdas que você disse sobre mim.
Bruno: nunca quis te magoar nem te ver indo embora, Manu, você é a única que fez isso comigo?
Manu: isso o que? – sua voz saiu baixa e rouca, fechei meus olhos mas não consegui... eu não consegui dizer –.
Bruno: me deixar assim – falei por fim –.
Manu: por favor tá? Eu preciso desse tempo só meu.
Enzo: está tudo bem aqui?
Manu: sim, vou pegar minhas coisas.
Seu olhar me encontrou mas virou o rosto rapidamente e sumiu pela porta dentro senti meu coração despedaçando, respirei fundo e balancei a cabeça.
Bruno: não tá certo isso, porra.
Enzo: faz o que ela pediu, dá esse tempo Bruno, namoral.Ouvi o que ele me disse, Enzo poderia querer cair na porrada comigo ali mas não. Ele fechou a porta na minha cara e aquilo foi um soco bem no meu estomago, voltei pra casa acelerei a moto e senti aquele vento gelado em meu corpo. Entrei em casa e fui a procura de uma garrafa de wisk, vodka, qualquer merda que tivesse lá e tirasse aquele desgosto que eu estava de mim.
Isa: não, não – Isa me segurou pelo braço me tirando do bar que havia em casa –.
Bruno: me deixa Isabela, porra. Vai atrás do Enzo que tu ganha mais.
Isa: fala a merda que você quiser mas tu não vai beber Bruno, para de se maltratar assim.
Bruno: do que adianta eu agir de outro jeito Isabela? Tá tudo fodido, tá tudo uma merda mesmo.
Isa: não, aqui você não encosta – ela ficou na frente e respirei fundo –.
Bruno: porra Isabela.
Saí da frente dela e fui em direção a porta, ela gritou meu nome, me chamou diversas vezes mais liguei o foda-se precisava beber e tirar aquela mulher da minha cabeça de vez. Coloquei meu capacete e acelerei fui para a empresa sabia que lá tinha uma garrafa perdida e eu teria paz. Abri tudo, desarmei o alarme e subi, fui direto pra minha sala e não havia ninguém, agradeci por isso. Entrei na minha sala e abri minha gaveta, algumas garrafas sempre deixava uma coisinha lá, sentei de frente para a vista na Paulista e bebi, bebi como se não houvesse amanhã. A voz de Manu ficava martelando na minha cabeça, ela estava indo embora e se não voltasse mais? E se tudo tivesse sido em vão? Que merda eu fui fazer, virava a garrafa no gargalho e não sentia nem descer. Meu pai, porque ele foi embora tão cedo? Porque ele me deixou nesse mundo sozinho? Eu nunca fui tão problemático assim, mas ela, a minha mãe que na verdade era uma vaca mentirosa me enganou o tempo todo, todos eles me enganaram e isso não era certo. Estava na segunda garrafa, jogado na cadeira da minha enorme sala com aquela vista linda, a porta abriu olhei irritado e era Carol, que porra que ela estava fazendo ali?
Carol: meu Deus Bruno –correu até mim tirando a garrafa da minha mão –.
Bruno: não é uma boa hora Carol, ou melhor... – dei uma pausa – mamãezinha – ri alto e ela continuou séria –.
Carol: o que houve Bruno? Por favor, me conte – continuou me olhando com a garrafa na mão –.
Bruno: o que você quer de mim? Já te perguntei isso, me responde. Quem sabe eu não abro a merda da minha boca.
Carol: o que houve? Cadê a Manu? – perguntou com receio e eu ri –.
Bruno: Manu? Ah, ela foi embora. Na verdade eu faço isso com todos que eu amo, eu faço eles irem embora da minha vida. Fiz isso com o meu pai, fiz isso com a minha mãe. Aquela vaca mentirosa –enrolei as palavras e ri por fim –.
Carol: nunca quis que fosse assim, nem eu, nem seu pai Bruno – ela se aproximou mas eu recuei –.
Bruno: não fala dele, não fala disso. Não hoje, nem agora. Não preciso disso, não preciso de vocês. Minha vida já esta uma merda Carol porque você insiste em mim? Sempre fez questão de me ver bem não precisa, não é o seu papel.
Carol: eu sou sua mãe, eu sempre quis ver você bem.
Bruno: vou pra casa, pra minha casa. Longe do meu tio, longe de todos vocês.
Carol: deixa eu te levar, por favor.
Bruno: que carro? Você tem um carro? – ri alto – você é só uma secretária nem sei porque perde seu tempo cuidando dessa empresa –.
Carol: se cuida meu filho...
Ela disse baixinho antes de eu entrar no elevador e descer, subi na moto e acelerei coloquei o capacete com a moto em movimento e quase cai, dei uma risada e acelerei. Aquele vento no meu rosto de uma certa forma me fazia esquecer do mundo, desviei de alguns carros e ouvi diversas buzinas pra mim. Quando a voz de Manu veio na minha cabeça “para essa moto, não corre Bruno, não corre”... o jeito marrento que ela sempre falava comigo.
Bruno: MANUUUU!!!
Gritei bem alto e luzes fortes surgiram na minha frente, estava na pista do lado e nem havia percebido, senti o impacto e a moto soltando da minha mão.
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Nem todo erro é errado |
Teen FictionEscritora: Ju Rabetão • Respoansável pela história: Letícia +16 | Manuela, mais conhecida como Manu. Filha da Mia e Henrique, atualmente com 20 anos mudou para São Paulo para terminar sua faculdade de direito e começar uma nova vida longe das asas...