Quarta

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- Esqueça tudo o que eu te falei sobre aquele acampamento. - Ouço Nanda falando enquanto tenta me alcançar - Ele vai acontecer no sábado que vem.

- Desculpa, que acampamento mesmo? - Pergunto.

- Vai ser tipo uma colônia de férias, melhor que isso. Tudo liberado, bebidas, meninos. Estou cuidando com a escola para resolver os últimos detalhes.

- Me conta qualquer novidade. Vou para o treino de líder de torcida.

- Achei que não queria entrar, e acabou entrando.

- risos - Te conto meu plano depois.

***

       Atravesso o campo da escola em direção a quadra. Já passam das 13 horas e o Sol atinge sua altura máxima. Seguro minha bolsa contendo as roupas que será usada para o treino. Olho para os garotos que treinam futebol americano e percebo que Pedro joga no time, estranho, nunca o tinha percebido no ambiente, resolvo ignorar e procuro por mais! Aspen está empurrando umas coisas que não sei o nome, parecem pesadas, e vejo que a camisa cola em seu corpo, deixando óbvio os músculos definidos.  Sabe quando você sente que tem alguém olhando para você? Acho que foi o que aconteceu, quando vejo, Brenno virá o rosto e passa a me encarar. Lhe do um sorriso e sigo em direção aos banheiros para me trocar de roupa.

- O primeiro jogo da temporada é em três semanas. Então temos muito o que treinar, passos novos por exemplo. Outra coisa, antes que eu me esqueça, vamos mudar o nome do grito de guerra. Alguma sugestão? - Treinadora Turner começa a falar.

- Que tal, '' Vai Tigres '' ? - Mary, a novata que estava na mesma seleção que eu, levanta a mão.

- Não, muito simples - Priscila fala.

- Velozes e Furiosos como um tigre somos. Viemos para ganhar e não sairemos por perder. Vai Tigres, mostre sua força - Elena fala.

- Tá doida? Isso é um recital de poemas?

- Eu voto no '' Vai Tigres'' - Levanto a mão.

- Eu também - Vejo a garota, cujo nome não sei levantar a mão.

Nesse momento vejo várias mãos se levantando e vários murmúrios '' eu também''. Nesse momento Priscila me olha com desprezo e eu apenas a ignoro.

- O problema é que eu não gostei, então não vai ser. Vamos para o treino.

- Meninas, antes de mais nada, vocês sabem que eu fico treinando os garotos juntamente com o treinador Federick. A partir desse momento, Priscila, sendo a capitã do time, dará as ordens. Qualquer problema vocês poderá me comunicar.

     Nem preciso dizer que o resto do treino foi um saco. Priscila nós colocou não para treinar e sim nos exercitar. Começamos com um alongamento e logo depois abdominais. Só isso, o treino inteiro. Posso dizer que se eu não ficar gostosa em uma barriga chapada, processo ela. Como a preguiça bateu e fome mais ainda, ando em direção ao carro da família para pegar carona com o Bernardo. Olho para o relógio e vejo que já são 16 horas, então como vou para casa agora, não troco de roupa.

Distraida e pensando em nada, ouço uma buzina.

- Posso te dar uma carona até em casa?

Quando me abaixo para poder ver melhor quem me chama pelo vidro do carro, vejo Pedro.

- Não obrigada, vou esperar pelo meu irmão.

Ouço o desligar do carro, e quando vejo, ele está saindo e vindo em minha direção.

- Então vou esperar com você aqui.

- Olha Pedro, de verdade, não precisa. Bernardo já deve estar vindo.

- Acho que não, eu o vi com umas meninas lá atrás do ginásio. Acho que ele vai demorar um pouco.

- Mas que droga.

- Então, você vai para o acampamento sábado?

- Você vai? Ai que droga, já estava cogitando não ir.

- Poderia parar de agir como uma criança e conversar como uma adulta.

- Uh, desculpa. Falou o adulto. E não é da sua opinião.

- Melinda, confessa logo.

- Confessar o que, garoto?

Sinto seu olhar em mim e começo a ficar gelada. Ai minha mãezinha, alguém me acuda.

- Que ainda me ama e me quer.

Risos, é só o que consigo fazer, soltar muito risos. Como ele pode ser tão idiota a esse ponto?  

- A fila andou muito tempo atrás meu bem. Agora se me der licença, vou procurar meu irmão.

- Espera

Sinto sua mão no meu braço e outra na minha cintura, o vejo me levando para mais junto de si. Sua boca a centímetros da minha, sinto sua respiração.

- Confessa logo.

- Eu...

- Estou interrompendo algo?

Ouço uma voz atrás de mim, e sinto Pedro ficar rígido.

- Sim camarada, dá o fora. Não está vendo que estamos ocupados?

- Ocupados uma ova, me solta seu filho da mãe. - Tiro as mãos dele de mim e caminho para trás até sentir outra enrolando em minha cintura.

- Está tudo bem, Melinda? - Sinto a voz confortadora de Aspen no meu ouvido.

- Está.

- Então é isso? Tu não quer ficar comigo porque está com ele? - Pedro fala, e percebo que está com muita raiva.

- Em primeiro lugar, isso não é da sua conta. E em segundo Lugar, eu não te amo mais. Então não tem nem o porque de continuar atrás de mim.

- O QUE? Então quer dizer que está mesmo com esse merdinha ai? Ou você não tem coragem de dizer que prefere estar beijando minha boca do que a dele? Ou dizer que sente falta do meu carinho e do meu abraço.

     Nem vi o que aconteceu em seguida. Só lembro do braço do Aspen ter deixado minha cintura e em punho ter acertado o rosto de Pedro. E posso dizer que cena não foi bonita não. Porque logo depois, Pedro veio para cima de Aspen e os dois começaram a brigar. Era murro pra cá e murro pra lá. Como sei que nenhum dos dois iria me machucar, entro no meio da briga, sabe aquela brincadeira chamada Terremoto, quando duas pessoas fazem uma casinha e você tem que entrar na casa formada? Então, foi mais ou menos isso.

- Ah sério, vocês vão brigar bem aqui na minha frente mesmo? Parem os dois - Falo alto empurrando os dois.

De repente vejo meu irmão correndo em nossa direção e segurando Aspen por trás.

- Calma cara, aqui não. Quer ser expulso? - Bernardo fala.

- Me solta, estou tranquilo - Aspen Fala.

- Mas o que diabos aconteceu aqui? - Bê quis saber.

- Não te devo explicações. Isso ainda não acabou - Pedro fala apontando para o Aspen - Ainda vou te reconquistar - Fala olhando para mim  e entra no carro partindo em seguida.

- Cara, cê tá bem? Precisa de um médico?

- Não parceiro, eu vou pra casa. Melinda, desculpa. Sério, não sei o que me deu.

Apenas aceno com a cabeça e entro no carro. Zangada.

Bernardo entra logo em seguida.

- O que foi aquilo?  - Pergunta.

- Nem queira saber.

E apenas dirige seguindo o caminho de casa.

            

Voltei mais gostosa do que nuncaOnde histórias criam vida. Descubra agora