Capítulo 2 - O plano de Yvon

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Mikhail esperou pacientemente, ainda em dor, por Yvon voltar. O que quer que o homem fosse, ele tinha uma beleza incrível, que no primeiro olhar, instigou Mik a sentir coisas estranhas. Se perguntava qual era a espécie dele. Talvez um leão... Não. Um tigre? Era provável ser um leopardo das neves então.

Lenusya, aquele cão do inferno que estava deitado aos pés do sofá, permanecia quieto, porém com orelhas em pé, atencioso por cada gesto de Mikhail e pelo andar de seu dono pela casa.

Mik suspirou, segurando um gemido. Suas costelas também estavam doloridas. Praticamente cada parte de seu corpo sofria de alguma dor incessante, isso era uma maldita falta de sorte. Ele nunca antes tinha caído do alto, e para uma primeira vez, se arrebentou de verdade.

— Lenusya, verifique se o corvo está com febre. — A voz de Yvon foi ouvida do andar de cima da casa de madeira. Naquele mesmo instante, quando o cão se levantou, Mikhail se sentiu tremer. Era um cachorro tão grande e tinha um olhar bem ameaçador para ele. Suas caudas nem se moveram ao verificá-lo.

O focinho gélido o fez ganir quando se encostou ao seu pescoço. O cão se afastou e se sentou, olhando indiferente para Mik, então latiu uma única vez em direção as escadas.

— Isso é bom. Muito bem Lenusya. — Yvon desceu as escadas carregando um cobertor felpudo nos braços. — Bom saber que não está com febre, precisa de um banho para lavar essas feridas e se sentir melhor.

— Banho? — Mik não queria se banhar neste lugar. Ainda mais na casa de um homem que mal conhecia. Ele era um virgem, isso era suposto ser desonroso.

— É claro. Não importa o quão envergonhado fique, não pode ficar assim sujo por muito tempo, senão suas feridas vão infeccionar, e isso é uma coisa que você com certeza não vai querer. — A voz de Yvon era gentil. Nem grossa, nem fina, apenas tranquila, e também não muito suave. Mik se viu comparando-a com sua própria voz, que era um pouco infantil, rouca e ele tinha um tanto de dificuldade com algumas palavras.

Yvon colocou o cobertor de lado e ajudou Mikhail a se sentar, então o tomou em seus braços. Claro que o corvo ganiu em cada mover de músculos. Até mesmo suas roupas se tornaram desconfortáveis. Provavelmente seus cabelos deviam estavam um mar de embaraços.

— Vamos lá, vamos te fazer sentir melhor... Preparei um banho medicinal.

— Você é um curandeiro? — Mik perguntou com dificuldade.

— Não. — Yvon riu. — Sou um mago. Há muitos anos.

Oh. Um mago? Mikhail olhou de baixo para o rosto formoso. Yvon o carregou sem muito esforço para um quartinho em conjunção com a sala. A porta estava próxima da escada.

As narinas de Mik foram invadidas pelo aroma de ervas assim que avistou a banheira e o vapor saindo dela. Era uma grande tina de madeira, como um ofurô. Havia coisas do tipo em seu vilarejo, mas não em sua casa. Notou as estantes com tantos vidros repletos de líquidos em cores distintas, uma pequena janela ao fundo em forma oval. A madeira que revestia tanto o chão quanto as paredes e o teto eram de cor escura. E haviam alguns enfeites feitos de bronze dependurados. Nenhum deles o lembrou qualquer figura que ele conhecesse.

Yvon o fez se sentar à beira da banheira. Era quadrado, praticamente um assento, um degrau como um banco.

— Você pode se despir, eu vou ajudá-lo se precisar.

— Eu posso fazer isso sozinho. — Mik respondeu um pouco seco. Yvon ainda permaneceu em pé, próximo. Que vergonha... — Você tem mesmo que continuar me olhando?

Os olhos do outro se arregalaram e ele desviou a face, um pouco corado.

— Desculpe, apenas estou preocupado.

As Colinas de Górki [Romance Gay]Onde histórias criam vida. Descubra agora