Capítulo 10 - O Vilarejo de Irenia

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Yvon acordou no próximo dia com uma sensação fúnebre. Parecia que alguém tinha morrido naquela casa, ao menos para si. No entanto, Mikhail não aparentava preocupado ou chateado que estaria saindo, o que o irritou.

Não diria a ele isso, desde que conversaram por tempo suficiente no dia anterior, Yvon o convencendo a não ir, e Mik lhe prometendo sua volta. Estava tão atribulado que doía-lhe profundamente o peito.

O corvinho duzentos anos mais jovem, desceu as escadas com sua bolsa de couro, a mesma que trouxera desde o vilarejo de Irenia, e tinha também seu arco e flechas atrás das costas. Yvon não disse muito, mas deu-lhe um fraco sorriso. Pegou o embrulho de comida e água que tinha deixado preparado e o entregou.

— Obrigado! — Mik o guardou em sua bolsa. — Eu estarei indo por três dias. Se tudo der certo, posso demorar um pouco mais, porém se não der, apenas ficarei ao redor para saber se tudo está bem com a minha família e em seguida voltarei. Você não tem que se preocupar, eu não vou deixá-lo Yvon. Eu te prometi, se lembra?

O mago assentiu. Embora seu companheiro lhe dissesse isso, ainda lhe doía saber que estaria tanto tempo longe dele. Se pudesse iria junto, contudo não estava com essa coragem. Se ele visse sua família... se eles ainda estivessem vivos, sabia que poderia se quebrar com tristeza e decepção, por que novamente teria a necessidade de falar com eles, e ninguém o reconheceria.

— Tudo bem, Mik. Eu espero sinceramente que tudo dê certo... só quero que volte para mim.

O sorriso de seu pequeno corvo sempre derretia seu coração.

— Ah! — Disse Mikhail se encaminhando para a porta. — Como chamam os seus pais?

Yvon ergueu uma sobrancelha, desconfiado. — Meus pais são Ahmar e Efrem, não sei se ainda estão vivos. Creio que talvez.

— Hum, ok.

O mago acompanhou seu companheiro amado para próximo de onde era a linha de limite da barreira mágica que envolvia o território. Sua magia seria desfeita apenas para Mikhail poder ultrapassá-la.

— E como eu farei para voltar se a barreira continuar aqui? — Indagou enquanto observava ao redor.

— Creio que será melhor que acampe e espere até que eu venha lhe buscar. É muito arriscado se eu simplesmente desfizesse da barreira. — Explicou Yvon. — Eu prometo que virei todos os dias para ver se já voltou, então não se preocupe.

Mik assentiu. Ele lhe deu um beijo doce e foi abraçado com ternura, antes de ambos se afastarem.

Yvon apenas ficou observando enquanto ele ia, nada podia fazer, nada mais poderia ser dito, ele não poderia ser impedido. Seus olhos eram tristes enquanto o via desaparecer colina abaixo, em meio a densa floresta. Sabia que Mik não se transformaria com as coisas que carregava, o que faria a viagem um pouco mais longa.

Permaneceu ali, até o sol se por, então relutantemente, voltou para sua antiga casa amaldiçoada.

–*-*-

Mikhail desabou, caindo sobre suas pernas e olhando para o alto enquanto suspirava. Estava tão cansado. Embora o caminho fosse composto mais por decidas, do que subidas, estava o desgastando a cada hora que passava. E sabia, que mesmo que tentasse voar, suas asas estariam muito mais cansadas do que o resto do corpo.

Fez sua pausa, bebendo o restante da água e saboreando o que sobrou do pão antes de se levantar e continuar a caminhada. Estava tarde, e o medo de que tivesse que caminhar durante a escuridão em meio aquela densa floresta era grande, não queria correr o risco de ser o jantar de algum animal faminto, ou que outras criaturas lhe atacassem. Sabe se lá o que a escuridão prometia.

As Colinas de Górki [Romance Gay]Onde histórias criam vida. Descubra agora