Capítulo 18

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Oi gente, postando um capítulo pequeno, porque é a introdução de uma nova fase dos dois. 

Beijos e espero que gostem!

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ADRIANO

Karan não poderia saber do que eu fiz tão cedo... ainda não era tempo e ele, provavelmente, não entenderia o motivo do qual eu ter feito algo assim logo no início do nosso relacionamento. Tenho de pisar em cascas de ovo com ele, pois o mesmo é bastante inteligente e eu não posso me dar o luxo de perde-lo logo agora. Quando eu cheguei naquele dia, fui direto para o meu quarto e tomei um banho bem relaxante, para que eu não demonstrasse nada de cansaço em meu corpo... sou do tipo que as expressões corporais dizem muito e o Karan em tão pouco tempo já sabe me ler melhor do que ninguém.

Meu namorado já havia descido para trabalhar e eu estava em minha cama moscando de tanto sono. Levanto rápido e vou direto para o banheiro tomar um banho antes que eu desista e fique dormindo outra vez.

Eu acho que não expliquei bem muita coisa, mas deixem-me resumir algumas coisas que aconteceram em um tão curto espaço de tempo, como aconteceu agora nesta semana. Meu tio parece estar namorando, pois está saindo todos os dias a noite e voltando lá pelas dez horas; Wesley tirou o gesso de seu braço, pois foram consulta-lo no hospital e por alguns exames realizados, viram que o mesmo já não precisava mais usar o gesso em seu braço, mas ainda deveriam ter atenção com ele e o bracinho do mesmo; já em minha relação com o Karan estamos evoluindo bem rápido, inclusive ontem nós já começamos a explorar nosso corpo mais a fundo.

- Adriano, vem tomar café rápido que eu quero lavar as louças. – Saio do banheiro pelado, pois havia esquecido a toalha e vejo Karan perto da televisão. – Se veste e desce rápido para tomar o café. – Dito isto, o mesmo saiu e escutei seus passos descendo a escada correndo. Sim, ele é bem maluco mesmo!

Ele é uma pessoa muito mandona e não aceita nada diferente do que ele planeja, porém ele passa mais tempo planejando as coisas do que as curtindo, então eu deixo para lá e aceito. Claro que as vezes eu me imponho e não faço o que ele quer, mas é uma coisa que me dá medo... só a cara que ele faz, me deixa todo cagado de medo. Eu ando, também, muito boca suja... resultado de passar bastante tempo com o Jefferson, que é outro que só quer as coisas do seu jeito.

Eu e Douglas estamos muito ferrados.

Quando eu desci para tomar café, encontrei ele e Malu sentados nos banquinhos da mesa da cozinha, os dois com seus copinhos de café e comendo pães. Wesley estava correndo ao redor da mesa com um brinquedo que agora é inseparável, desde que meu tio deu a ele.

- Bom dia! – Digo recebendo os cumprimentos dos mesmos e me sento junto deles na mesa. – Hoje tem cuscuz, Malu? – Pergunto recebendo uma negação de cabeça da mesma.

- Não deu tempo de fazer hoje.

- Okay! – Me sirvo com café e pego um prato, colocando duas fatias de pães e passo geleia de morango entre os mesmos, dando uma mordida gigante.

Me atenho no que os dois estão conversando a minha frente. Os dois são como duas tesouras afiadas, que cortam tudo e todos... ali, em alguns instantes, fiquei sabendo de mais coisas relacionadas a meu tio do que em toda a minha vida, que ele tinha contado. Sinto a mesa tremer e o Wesley chorando alto. Olho para o mesmo e o vejo caído sentado no chão, com a mão na testa... me levanto e vou ajuda-lo, sendo seguido por Karan e Malu.

- Wesley, o que eu disse de correr ao redor da mesa? Olha só o que aconteceu agora... – Karan diz com um tom de voz acusador, o que faz com que o pobrezinho chore ainda mais e se encolha em meus braços. Ultimamente ele está me 'aceitando' mais e não me bateu mais na minha cara, um milagre, devo ressaltar.

- Não briga com ele, Karan. – Digo a ele e o mesmo apenas revira seus olhos.

- Adriano, se eu fosse você ficava na sua. – Malu diz e eu a olho sem entender... Karan tinha pegado Wesley dos meus braços e saído pela porta da cozinha que dá acesso a área da piscina lá atrás. – Ele está muito sensível. Presta mais atenção no que está em frente ao seu nariz! Mas que coisa, vocês dois agem igual crianças... um não consegue se abrir com ninguém e dizer que está ficando bastante mal com a morte dos pais e com a responsabilidade com a qual os fatos acarretaram; o outro não enxerga e parece não prestar atenção no seu próprio namorado que mora junto dele, dorme junto dele, come junto dele... é, eu não daria para ser mãe não, porque minha paciência é mínima. – Ela fala e sai bufando, me deixando estupefato para trás, sem saber como reagir.

Após algum tempo ainda tentando digerir tudo o que a Malu tinha me falado, eu tomei coragem para sair até lá fora, onde os dois estavam. A cena que se fez a seguir encheu o meu coração de um amor tão bonito e puro que nem eu mesmo soube como reagir a aquilo... Karan estava sentado em uma daquelas cadeiras que ficam perto da piscina e, em seu colo, estava Wesley com seus olhinhos inchados de chorar. Acho que serei inclusive crucificado por dizer isso tão cedo, mas eu já os considero como minha família e não abandonarei eles nunca, a menos que ele me peça para o fazer!

Me aproximo a passos lentos de onde os dois estão e os mesmos estão tão entretidos conversando que não me notaram chegando. Sento atrás do mais velho e abraço os dois por trás, deixando um beijo no pescoço de Karan, dou um curto sorriso quando noto que o mesmo arrepia e, em seguida, passo a mão no cabelo de Wesley. Este, por outro lado, não reagiu muito bem e me deu uma mordida na mão... acho que ele é filho de um leão, porque ele é uma pessoa tão rápido, mas eu também fui culpado, porque ele não gosta que toque em seu cabelo e eu, mesmo sabendo, ainda o fiz.

- Eu te amo! – Sussurro no ouvido de Karan e o mesmo se vira de uma vez, olhando para mim. Dou um sorriso grande para ele e toco em seu rosto, fazendo um carinho em sua bochecha. Dou vários selinhos nele e começo a sentir uma movimentação nas minhas pernas. Olho para baixo e vejo Wesley chutando para sair... ele realmente não gosta de ficar quieto. – Você não precisa guardar tudo para você, sabe? Eu estarei aqui até quando você tiver nos seus dias mais difíceis, e olha que é quase todo santo dia que você acorda virado. – Ele encosta o rosto em meu pescoço e eu continuo o que estava dizendo. – Eu sei que é difícil demais se abrir com qualquer pessoa que seja, é difícil que você diga seus medos e segredos mais profundos a qualquer outra, mas pode contar comigo sempre... nos bons e nos maus momentos, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe. Eu espero! – Ele sorri e cora. Tiro a caixinha que eu havia comprado, mostro a ele e, sob seu olhar curioso, mostro o anel que havia comprado para a 'oficialização' de nosso compromisso.

- Isso é um pedido de casamento? Recitou uma parte da frase que o padre diz e logo em seguida me deu esse anel... e olha que nós nem transamos ainda.

- Se você quiser casar comigo, é um pedido de casamento, mas tem que deixar para ser cumprido depois da faculdade.

- Então eu aceito casar com você daqui há uns anos. – Coloco o anel em seu dedo e dou um largo sorriso. Acho que nunca me senti tão feliz como hoje! 

O destino de um amor (Romance Gay)Onde histórias criam vida. Descubra agora