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Toni


20 de março de 2014, quinta-feira. Munique, Alemanha.

— Chegamos! — falei assim que adentrei a sala do apartamento com o pequeno Klaus de sete meses em meus braços, passando os olhos pelo cômodo em a procura de Leah.
Vi a figura da minha esposa aparecer na minha frente, ela tinha a expressão fechada e passava uma das mãos pela nuca, enquanto com a outra segurava o celular na orelha. Me sentei no sofá esperando que ela nos notasse ali.

—  Nossa família está bem aqui. Apreciamos muito a sua oferta. — eu brincava com o bebê mas tinha certa curiosidade pelo assunto que estava sendo tratado na chamada. — Tenha um bom dia. —  bufou finalizando a chamada apertando o teclado com tanta força que eu consegui escutar.
— Oh, vocês dois estão aqui. — disse se sentando ao meu lado tirando Klaus dos meus braços. Estiquei meus braços para me livrar do formigamento resultado de horas com um pingo de gente que pesava quase dez quilos — Olá, você! — Leah se aproximou de mim depositando um beijo em minha têmpora. — Como foi o passeio?
— Apreciamos a oferta de quem? — ignorei-a.
— Eu perguntei primeiro.
— Foi legal. Agora, sua vez.
— Não era nada demais. — respondeu dando de ombros brincando com nosso filho que estava deitado em suas pernas.
— Leah, —  suspirei. — quem era no telefone?
— Por quê você está tão interessado em quem eu falo ao telefone?
Qual era a necessidade de me responder com outra pergunta?

— Porque eu ouvi você dizer ao telefone que estávamos bem aqui. — Leah acomodou um Klaus agora adormecido em seu colo e se levantou do sofá, caminhando para fora da sala de estar. Continuei sentado no sofá vendo-a desaparecer pelo corredor, na esperança que ela voltasse para terminarmos a conversa. Cinco minutos depois, ali estava eu no sofá olhando para o mesmo lugar que ela havia passado. Eu sentia alguma coisa no ar, e sentia que Leah era culpada, constatei isso quando a encontrei sozinha sentada em uma das espreguiçadeiras de madeira que ficavam nos fundos da casa, com a cara completamente lambuzada de uma máscara facial azul. Aquilo simbolizava que ela estava cento e um por cento nem aí para mim.
— Quem era no telefone? — insisti.
—  Florentino Pérez. — soltou como se fosse uma pessoa qualquer, igual um primo de quinto grau que você nunca viu na sua vida mas te ligou para te desejar feliz aniversário.
— Você não fez o que eu estou pensando. — falei mais para mim do que para ela, negando com a cabeça desacreditado no que a mulher havia acabado de fazer.
As coisas não andavam muito bem para mim no time alemão, eu ficava tanto no banco que já não queria mais sair do banco. No momento que chegaram até mim ideias concretas de que eu seria emprestado ao Leverkusen novamente, resolvi me adiantar e pedi que meu empresário, Vice, meu irmão me oferecesse a outros clubes que já haviam demonstrado interesse em me ter em suas respectivas equipes. No caso, o Real Madrid era um deles, quando recebi uma resposta mais determinada da parte deles, eu já sabia que era para lá que eu iria.

— Uh-rum! — mas ela respondeu mesmo assim. — Como eu disse: nossa família está bem aqui, em Munique.
— Eu não estou conseguindo acreditar. — encarei Leah que me observava esperando alguma outra reação.
— Ok. — eu disse concordando com um pensamento meu.
— Só isso? — perguntou ela me encarando com a sobrancelha arqueada.
— Ok. — falei outra vez, deixando-a sozinha novamente.

*
—  Bom dia. Meu nome é Toni Kroos. Eu gostaria de falar com o Senhor Florentino Pérez, por favor.
— Bom dia, Senhor Kroos. O presidente Pérez irá atendê-lo imediatamente.

*

14 de Julho de 2014, terça-feira. Rio de Janeiro, Brasil.

— Foi ótimo fazer negócio com você! — gargalhei exageradamente de uma piada um tanto quanto sem graça que foi feita pela pessoa que estava do outro lado da linha. Finalizei a ligação me jogando na cama do hotel que a Seleção Campeã do Mundo estava hospedada, isso mesmo eu sou campeão mundial, ou seja, eu tenho todos os motivos para rir de todas as piadas sem graça do mundo. Além de ter sido contratado pelo maior time do mundo.
— Estou amando ver esse sorriso no seu rosto. — Leah se deitou sobre mim beijando todo o meu rosto. — Parabéns, pro meu campeão mundial. — soltei uma risada confusa mas mesmo assim retribui o beijo que ela começou.
— Ah, e é bom fazer negócio com quem? — perguntou ofegante pelo fim do beijo, enquanto me ajudava a tirar minha camisa.
— Florentino Pérez. — falei simplesmente. A mulher parou o que estava fazendo e se afastou para me encarar. — ¡Hala Madrid! Y nada más Y nada más.— cantarolei parte do hino do time que eu passaria a defender na próxima temporada, fingi tristeza quando minha esposa jogou minha blusa em minha cara e saiu logo em seguida pela porta da suíte. Me joguei na cama gargalhando mais uma vez.

Aqueles OlhosOnde histórias criam vida. Descubra agora