Nova Era - Onde Vivem os Mortos

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Em Ladjermeniun, existem três nações onde os mortos dominam e sobrepõe os vivos em números. A Trindade, uma união das três raças vampiricas, é a maior nação de mortos-vivos, dominando uma extensa região desde da decadente Voldenkaiser, antiga capital dos vampiros Dýrið que foi devastada pelos invasores orcs de Kein e agora é um monte de ruínas tomada por fungos, plantas e animais que vivem junto aos vampiros, passando pelas vividas e bacanais cidades do reino Edelsvolser onde a bela e perigosa rainha imortal Eleanor Von Edelstein, mãe de todos vampiros Edel, realiza suas tradicionais festas de prazer, sangue e morte e até a cidade-catedral Hadevolden que se estende para cima e para baixo em longas torres pontudas e câmaras subterrâneas onde os Masakh guardam toda informação que quiseram compartilhar, sendo talvez a segunda maior ou a maior biblioteca de Naestria cujo o arquivo é composto por não somente livros, mas também cabeças decepadas e ainda vivas de Masakh traidores com seus lobotomizados para serem desprovidos de personalidade e vontade, apenas sabendo responder perguntas e contar o que conhecem. A nação vampira é ao mesmo tempo forte e frágil, pois unidos são capazes de cobrir suas fraquezas, mas as intrigas internas e o preconceito entre as linhagens cria conflitos internos tanto em debates nas reuniões de clãs quanto em guerras armadas. Não existe um governo centralizado, mas os Edel agem como o governo criando leis e fazendo comércio e negociações políticas com outros reinos e impérios, os Masakh agem como o clero detendo o conhecimento de milhares de anos de história e literatura e passando para os neófitos, os ensinando também as crenças da união e a devoção aos Ancestrais, os vampiros originais, e os Dýrið agem como a força militar que protege a nação contra invasores, caçam mortais que fogem das "fazendas" e capturam os inimigos em guerras para criar novos vampiros ou para alimentar os que já existem.

A outra nação predominante morta-viva é o reino de Bhalzarfia, que começou como uma cidade fundada pelo próprio demonlord Szalbar Bhalzarf e agora governada pela rainha lich Verata Yistora, que vive no antigo castelo do lorde demônio com sua legião de mortos e horrores protegendo sua filacteria, o artefato que guarda sua alma e lhe garante a imortalidade. Verata comumente desfila com sua legião de cavaleiros zumbis e servos demônios pelas ruas de Bhalzarfia em uma demonstração de poder e autoridade, além de que no começo de cada estação a rainha lich vai até a praça principal de Bhalzarfia em sua carruagem feita de ossos de orc e madeira de elementais silvestres puxada por horrores equinos com chamas exalando de seus pescoços desprovidos de cabeça, evocados pela magia nefasta de Verata em um ritual de sacrilégio e profanação, carregando a vítima do sacrifício cerimonial em uma estrutura de prata e ossos, exibindo-a para todos verem, com suas gloriosas asas rasgadas e depenadas, os olhos antes resplandecentes, agora vazios e sem brilho, presa com roseiras entrelaçadas que fazem seu sangue espalhar uma trilha dourada por onde passa a carruagem e a boca pingando saliva e sangue dourado completa a decadência de sua imagem. Uma completa depravação da divindade que fora um dia.

Na praça principal, Verata se posiciona no altar enquanto os seus servos trazem o sacrifício, uma nobre criatura desprovida de seu brilho divino e qualquer vontade de viver, um anjo capturado pelos ganchos dos "pescadores celestes", goblinoides e demônios das montanhas próximas que se lançam nas nuvens negras montados em grandes aves carniceiras com ganchos e correntes em mãos para caçar os celestiais que ousam sobrevoar os arredores de Bhalzarfia.

Quando a lua chega no ângulo certo e seu brilho atravessa o mar de nuvens no céu de Ladjermeniun, a Rainha Lich ergue sua arma ceremonial e então enfia a adaga amaldiçoada no peito da vítima perfurando o núcleo que guarda sua essência divina neste corpo material, então a grande explosão de energia que iria ocorrer é contida e capturada pelo poder de Vereta, então a lich guarda esta energia em uma pequena esfera de vidro negro com a explosão de luz eternamente cristalizada como uma micro supernova parada no tempo dentro de um brinquedo. Os mortos-vivos, svartálfar, demônios, dökkálfar e outros seres das trevas comemoram esta vitória contra a luz e os deuses enquanto a imortal maga aumenta aumenta seu poder e renova o contrato que fez com um demônio ancião a anos atrás.

Para capturar estes anjos que foram sacrificados para aumentar o colar de gemas esféricas de Vereta, os pescadores celestes usam os "suplicantes", pessoas capturadas e vendidas pelos vampiros, para atrair os anjos os fazendo rezar e pedirem por socorro até que os servos dos deuses, mesmo sabendo que é uma armadilha, se lançam nas sombras de Ladjermeniun para nunca mais voltarem. Os anjos não podem resistir, o dever de auxiliar e proteger está intrínseco neles, mesmo sabendo de seu destino eles não conseguem evitar pois acreditam que se puderem se sacrificar para salvar outra vida, sua morte será nobre e honrada. Mas não é bem assim que acontece.

Os anjos se lançam em seu mergulho final em busca de atender as preces e choro da vítima dos seres das trevas, mas logo que chegam são cercados de inimigos que não hesitam em atacar e usar as iscas suplicantes como escudo, deixando os anjos em completa desvantagem e os pescadores celestes prendem seus membros, fazendo-os sangrar derramando ichór, o sangue dourado das divindades, pela terra putrefa para torná-la fértil e boa para o cultivo e então os entregam a quem pagar mais. Por fim acabam sempre nas mãos dos vampiros que extraem até a última gota de seu ichór ou da rainha lich e outros praticantes de magia nefasta ou pior, nas mãos sujas e perversas dos ogros de Nordor.

A última nação de mortos-vivos é pequena, muito menor e menos influente que as outras que as outras duas, seu nome é Nephalus e é governada pelo alto sacerdote e rei cavaleiro, Sir Malekius Dartharam. Malekius é venerado como um santo pelos Negyorth, conhecidos como leprosos por sua aparência destruída pela infecção que os tornou morto-vivos, mas o rei não se vê como mais do que uma sombra do herói que foi no passado.

Em sua juventude Malekius foi um aventureiro como qualquer outro, invadindo calabouços e enfrentando monstros em busca de fama e ouro, mas no momento mais crítico, próximo aos seus 30 anos, quando uma vila de gnomos foi atacada e devastada por um dragão que cuspia fogo erraticamente sem motivo aparente além de causar destruição e caos. Ele matou o dragão em uma batalha feroz que durou três dias e levou a morte de seus três companheiros e dezenas de cidadãos que não tiveram tempo de fugir da vila.

Mau sabia Malekius que o dragão carregava um doença que o levaria a uma morte lenta e dolorosa, mas a criatura extremamente orgulhosa de seu posto ápice da cadeia alimentar buscou morrer lutando, mas mesmo outros dragões não eram paréos para sua experiência e força e cada vitória só o deixava mais forte e menor eram as chances dele morrer em batalha para um inimigo mais poderoso. O herói matou o dragão e o dragão agradeceu pela luta antes de desfalecer, então Malekius fez para si uma armadura com as escamas do dragão, um ato que o condenou. O guerreiro humano foi nomeado um duque e embaixador, fortaleceu a aliança entre gnomos e humanos se cansando com uma duquesa gnomo, além de receber uma prótese para o braço perdido na batalha contra o Misterioso dragão vermelho.

Mas ele não sabia que carne e sangue da criatura estavam infectados, pensava que a fraqueza que sentia após usar a armadura draconica vinha da magia envolta nas escamas do dragão, mas com o homem forte e valente se tornou moribundo e doente até que caiu morto, então logo foi sua pequena esposa Nananin, seu filho meio-gnomo Malanin e vários membros da corte e pessoas com quem o Malekius teve contato até que a epidemia tomou conta da vila e os Inquisidores decidiram cercar e queimar o local e então seguir para o sul em sua jornada para uma entrada para o subterrâneo onde havia uma cidade de svartálfar. Mas ninguém esperava que alguns dias após a morte dos habitantes, estes retornariam, mudados mas ainda com suas memórias e almas, humanos e gnomos infectados e reanimados como Negyorth.

Estes Negyorth fugiram da Inquisição que estava caçando todo tipo de criatura não-humana e magistas e seguiram para o único lugar seguro para mortos-vivos como eles, Ladjermeniun, mas mesmo lá foram rejeitados e isolados porque os habitantes locais haviam se tornado extremamente hostis com a enxurrada de imigrantes que vinham para lá fugindo da Inquisição, temendo perigos inexistentes por razões tolas como preconceito. Ironicamente, foi esta ação que protegeu os nativos da doença e também protegeu os Negyorth, que fundaram sua nova casa no Deserto Radiante ao leste do continente, longe dos perigos dos seres das trevas e da noite, não-vivendo em sua nécropole de arenito e argila construída com o trabalho duro de dezenas de mortos-vivos sob o comando de Malekius, o Cavaleiro Branco.

Este local é isolado e inóspito então eles aprenderam a sobreviver com pouco e na maioria continuaram fiéis aos deuses, mesmo que alguns acreditam que os deuses os abandonaram, tendo esperança de que um dia o Messias dos Negyorth virá e irá os curar. Os únicos outros morto-vivos inteligentes que não os evitam são os vampiros Masakh, pois estes vampiros compreendem a dor de ser deformado por uma maldição eterna e temido por sua aparência.

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E você, ousaria adentrar estes lugares e conhecer estes mortos-vivos? Ou talvez você queira ser deles não é?

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