■ ʟɪᴠʀᴏ 1
Melissa Lee sofre com um dom de ver espíritos e sua vida se resume em trabalhar num lugar para loucos, buscando ter a sanidade mental e morando com um pai que a rejeita.
Harry Styles é um rapaz que começa a fazer parte da vida de Melissa...
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Anoiteceu e eu já estava pronta para a missão daquela noite. Me certifiquei de que estava tarde o suficiente e de que não havia vizinhos nas ruas ou bisbilhotando pelas janelas. Também prestei atenção aos movimentos no bairro durante o dia e notei que a polícia não havia feito rondas daquela vez. Eu não queria pensar no porquê daquilo, mas não deixei de ficar desconfortável. A ausência deles não significava algo bom, talvez estivessem mais próximos de mim do que eu imaginava...
Assim, peguei a bolsa equipada com lanterna, celular, clorofórmio, lenços de papel, a fotografia da Anne e a minha faca, que passou a ser uma cúmplice. Não pus capuz apenas para não levantar suspeitas e então entrei no meu carro, a fim de seguir até o cemitério.
Durante o caminho, não senti nenhuma presença fora do normal. Eu estava sozinha e não haviam olhos me observando. Aproveitei todo aquele silêncio e tive a ideia de comprar duas coroas de flores brancas. Após aquilo, segui o meu destino e então a presença que eu antes não sentia foi surgindo aos poucos, assim que pisei no cemitério local. Não vi ninguém, mas sabia que estavam por perto.
Cumprimentei o funcionário que cochilava em uma cadeira e caminhei sobre as ruas de terra. A minha mão suava e pressionava a bolsa, como se eu pressentisse as respostas a metros de distância. Eu não sabia o que fazer, na verdade, porque Harry apenas mencionou que o lugar certo seria o cemitério. Por isso, imaginei que encontraria as respostas que eu queria em seu túmulo.
Henry não havia feito uma cerimônia de funeral para o seu irmão, mas fez para Anne, e eu fui uma das pessoas que a presenciou. Por isso, segui até o túmulo. O de Anne se encontrava cheio de flores e fotos. O túmulo do Harry também estava ali, porém não havia nada nele, nem mesmo ele, somente palavras vazias.
Harry Edward Styles ☆ 01/02/1994 | † 30/08/2015
Sequer havia uma frase memorial. Me ajoelhei sobre os cascalhos e fiquei observando aqueles túmulos, como se esperasse alguma luz no fim do túnel. Pus uma das coroas no túmulo de Harry e a outra coroa no túmulo de Anne, sem perceber que corriam lágrimas pelas minhas bochechas. Dava tristeza perceber que as coisas haviam seguido caminhos tão dolorosos. O acidente com Anne foi como uma bomba e tudo se despedaçou. Harry acabou falecendo também, mas não conseguiu seguir o mesmo caminho da pessoa que tanto amara.
Observei as fotos no túmulo da Anne e em uma delas estavam ela e Henry, o que me trouxe apenas frustração, afinal de contas, Harry deveria estar naquelas lembranças também. Ele era da família, Henry deveria pensar nisso, apesar de todos os conflitos. — Por que você o odiava tanto? — perguntei, como se o Henry sorridente daquela foto estivesse me ouvindo. — O que ele fez a você para que o odiasse tanto?