Fica

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27 de janeiro de 2018
Ilha de Itacuruça, Rio de Janeiro

Alguns dias já haviam passado desde que Agatha dormiu na casa de Rodrigo. Desde então, não tinham se desgrudado. Entre gravações, almoços e mensagens, passavam todo tempo juntos.

Não conversaram sobre o beijo no chuveiro, nem sobre o beijo em Carrancas. Nenhum dos dois tinha coragem suficiente de iniciar a tão temida conversa. No entanto, parecia que alguma coisa entre eles estava sempre prestes a acontecer. Estavam presos no mundinho que haviam criado para eles mesmos, um mundinho onde só existiam Agatha e Rodrigo, e todos a sua volta percebiam, menos Agatha e Rodrigo.

Rodrigo insistiu durante toda a semana, desde o dia em que ela acordou em sua cama, para que ela viesse para Itacuruça com ele comemorar o que seria, a princípio, o aniversário de 1 aninho de Madalena.

O dia tinha sido uma montanha russa de emoções. Tinha ficado eufórica por passar o dia com Rodrigo, sentimento que já estava se tornando corriqueiro. Já conhecia a maioria de seus familiares, mas estar ali com ele naquela ocasião tão importante, lhe causou um frio na barriga diferente.

O momento mais lindo e emocionante do dia ficou por conta de Bruno e Yanna, que resolveram se casar de surpresa. A comoção foi geral, não havia uma alma sequer naquele lugar que não torcesse por aquele amor e que não tivesse explodido de felicidade por aqueles dois.

Rodrigo tinha ficado visivelmente emocionado. Ela sabia o quanto ele amava irmão, o quanto eram ligados. E sabia o quanto ele amava Yanna também, eram muito amigos. Ver a felicidade dos dois fez o moreno transbordar.

Estava sentada em uma das janelas da casa térrea observando o Sol que começava a se por, pintando o céu em tons de laranja e rosa. As risadas e gritinhos das meninas lhe chamaram atenção e ela as procurou com o olhar. Nem percebeu o enorme sorriso que involuntariamente se abriu em seu rosto.

Viu Rodrigo, com uma risonha Madá no colo, correndo pelo gramado, sendo perseguido por Maria e Liz, que se deslocavam a passinhos destrambelhados. Deixou as pequenas lhe alcançar e deitou com as três na grama, lhes fazendo cócegas e arrancado mais gargalhadas de todas.

A cena aqueceu seu coração. Tinha sido um dia muito feliz e há muitas semanas não se sentia tão leve. Agradeceu.

O pensamento que lhe veio em seguida a assustou. Não sabia dizer se foi o clima de amor que tinha invadido todos ao longo da tarde, ou se culpava tudo que já vinha sentindo ultimamente em relação a ele.

Imaginou mais uma menininha naquela cena, brincando com Rodrigo e as primas. Uma garotinha de cabelos lisos e escuros, de pele morena. E olhinhos verdes.

"Ele vai ser um ótimo pai, não vai?"

Uma voz doce questionou, vinda de trás dela na janela. Seu coração foi parar no estômago. A pergunta lhe assuntou mais do que sua própria imaginação.

Ela pode ler a minha mente? Pensou consigo mesma.

Era Yanna, calmamente comendo um brigadeiro, que estava dentro da casa e veio observar a festa lá fora pela janela em que Agatha estava sentada.

"O que?" Ela perguntou, ainda meio atordoada, tentando esconder o nervosismo na voz. Falhou miseravelmente.

"Rodrigo." Yanna respondeu, apontando para a cena que ela tinha acabado de observar, e com um sorriso no rosto de quem a estava lendo todinha. "Acho que ele vai ser um ótimo pai."

Agatha voltou novamente seus olhos para o gramado. Tentou fingir que aquela era uma conversa perfeitamente normal entre duas conhecidas.

"Ele é ótimo com as meninas." Foi o melhor que conseguiu responder. "Elas são apaixonadas por ele."

Momentos de nós doisOnde histórias criam vida. Descubra agora