- Tem certeza que ela vai ficar bem? - Ouço alguém dizer.
Tento abrir meus olhos mas eles não obedecem ao meu pedido. Sinto dor na cabeça e em meu pé.
- Sim, foi uma queda de uma altura não muito grande.
- E por que ela desmaiou? - A mesma voz.
- Ela bateu a cabeça Nanda, isso é perigoso em alguns casos.
- Se é perigoso, então ela está em perigo?
- Não senhorita Fernanda, ela está bem e apenas precisa se recuperar.
Sinto alguém segurando a minha mão e sinto minha lucidez voltando, agora meus olhos sem abrem - traidores - e me deparo com quatro pessoas me olhando.
- Oi gente, qual é a boa? O que aconteceu? - Falo tentando melhorar aquele clima.
- Como você está, amiga? Está legal? Sente dor em algum lugar? Como está o pé?- Nanda pergunta.
- Nanda, calma... Eu tô legal gente.
- Você teve uma queda feia - Pedro estava ao meu lado, segurando minha mão. Quando ele viu que eu notei esse ato, a soltou imediatamente.
- Eu fui empurrada, é bem diferente.
- Priscila te empurrou não foi? Vou matar ela, aquela vadia dos infernos. - Gabi fala saindo pela porta em direção a entrada da ala médica.
- Posso sair, doutor? Realmente estou muito melhor, e sinto que a Gabrielle vai acabar matando alguém se eu não for atrás dela.
- Tudo bem, só tome um analgésico para a dor de cabeça e a dor no pé. Você teve uma leve torção.
- VOU USAR MULETA? - Falo entrando em desespero.
- Não será necessário, mas pode sentir alguma dor.
- Vamos cuidar bem dela, obrigado doutor. - Pedro fala e eu sinceramente não consigo esconder minha cara de espanto.
O médico acena e se retira da sala.
- Gente, eu vou atrás da Gabi, as fotos dela espancando a Priscila serão as melhores. - Nanda fala e se retira.
- Que bom que está melhor. - Pedro começa a falar e sinto um leve desconforto no ar. - Fiquei preocupado.
- Com uma simples queda?
- Não imagina o caos que criou.
- Me conta.
- Quando você caiu, todos correram para te ajudar, Aspen te pegou no colo, mas como o jogo já ia começar e ele é o queridinho do momento, o treinador praticamente gritou com ele e disse que outra pessoa me levaria.
- Que maldade - Agora fico imaginando o que está se passando na cabeça de Aspen.
- Eu disse a ele que a levaria e não sairia do seu lado, custe o que custar. Ele não gostou, claro, mas acho que ele não teve escolha. - Vejo um sorriso de canto de boca se formando em Pedro.
- Foi muita gentileza sua.
- Fiz isso por você, Melinda eu ...
- Por favor Pedro, não faça isso.
- Volta para mim. - Ele fala segurando minha mão.
- Estou com o Aspen, e Pedro, eu não conseguiria.
- Melinda, você conhece a história, sabe que eu nunca faria mal a você de propósito. Você foi minha primeira em tudo, inclusive meu primeiro amor. Me permita te amar novamente.
- Eu não posso, sinto muito Pedro, eu... - Falo saindo da cama, mas assim que coloco meus pés no chão para andar uma dor percorre todo o meu corpo e se concentra no pé, me fazendo ir direto ao chão, mas os braços do Pedro são mais rápidos e me pegam antes do chão me encontrar. - Droga! - É tudo o que eu consigo falar.
- Você está legal? Vou te levar para casa.
- O jogo já acabou?
- Não, ainda faltam alguns minutos, por incrível que pareça, toda essa confusão só levou vinte minutos.
- Nossa, pareceu mais tempo. Não quero ir para casa, me leva para ver o jogo. - Falo e percebo que o Pedro está sem o uniforme.
- Ei, por que está sem o uniforme?
- Fui colocado no banco hoje.
- Por quê?
- Não faço a mínima ideia.
Saímos da ala médica e fomos em direção ao campo onde estava acontecendo o jogo. O clima esfriou e a noite estava chegando, o fluxo de pessoas aumentaram, creio que poderia chegar a mil pessoas. Sim, os jogos chamam muito atenção e são bastante valorizado. Pedro me ajudou a sentar na arquibancada e ficou ao meu lado. Vi Aspen no campo, e ele estava divino, mas creio que com o tanto de pessoas, ele não perderia tempo para me encontrar no meio da arquibancada, isso porque, para ele, eu estava em uma ala médica.
- Não vejo a Gabi ou a Nanda, não sei porque, mas sinto que algo de muito errado irá acontecer.
- Você quer ir procurar elas?
- Vou lá. - Falo e fico de pé. - Obrigada por me acompanhar, ficar comigo, o pacote completo, você sabe. - Disse meio sem jeito.
Pedro ficou de pé.
- Falei ao Aspen que ficaria com você até o fim, quer dizer - Ele começa a gaguejar - Do seu lado. Então vamos procurar suas amigas juntos.
Sinto que meu rosto ficou vermelho e aceito sua ajuda.
Caminhamos cerca de dez minutos e nem sinal das meninas. Quando estávamos prontos para desistir, ouvimos gritos, olhei para o Pedro e fomos até a fonte desse som. A primeira visão que tivemos foi de um grupo de meninas usando uniforme azul e branco, e só depois percebi que era as seguidoras da Priscila e que ali era uma briga entre minha amiga e minha inimiga.- Sua vadia, quem você pensa que é - Claro, nem preciso ver o rosto para apontar e dizer que essas belas palavras são da Gabi.
- Você é a próxima, e isso é só o começo. Eu vou acabar com todas vocês, vocês irão se arrepender do dia que entraram na minha vida. - E essa bela voz era da rainha das vadias.
Pedro sai correndo para separar a briga, como o meu pé está ruim, demoro um pouco para chegar ao local. Assim que chego, vejo que Pedro tenta segurar a Priscila enquanto a Nanda, com sua câmera ao lado, tenta segurar a Gabi.
- Me solta, eu vou matar essa vadia - Priscila fala.
- Vem antes me pegar, sua rapariga, chupa pinto.
- Vai continuar com os mesmos apelidos? Tem criatividade não?
- E você não tem cérebro não?
Chego ao local e encaro a Priscila.
- Olha só, vejo que se recuperou rápido do tombo. - A bruxa começa a falar.
- Acha mesmo que eu vou deixar isso barato? Não sabe o que te espera - Falo e parto para cima dela. Mas Pedro a larga, me segura e sussurra no meu ouvido:
- Seu pé. - Depois encara a mulher que o fez fazer coisas horríveis - Priscila, sai daqui, não vê que já fez estrago demais? Arruinou a vida de todo mundo - Ele começa a falar - E o seu fim está próximo, você quer ver o que iremos fazer? Aguarde, mas eu vou te deixar avisado. Você. Nunca. Mais. Irá. Nos. Controlar. Quero ver você na sargeta e é o que irá acontecer.
- Do que você está falando? É isso? É assim que me agradece por tudo o que eu fiz por você?
- VOCÊ APENAS ESTRAGOU A MINHA VIDA. Aguarde e espere a surpresa, ou você está com medo?
- Ora seu... - Ela ameaça a ir na direção dele, mas nesse momento o jogo apita como finalizado e a festa começa. Entretanto, os telões que estavam espalhados ao redor do campo ganha vida e o vídeo que apresenta a Priscila como vilã de uma história de anos, ganha vida. O público observa em êxtase quando uma garota é jogada da escada.
- Ai meu Deus.
É só o que eu consigo dizer.
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Voltei mais gostosa do que nunca
Roman pour AdolescentsQuando tinha 14 anos, Melinda viu seu coração se despedaçar pelo seu primeiro amor em um baile de inverno. Após a humilhação em público na frente de seus amigos, ela viaja para o Rio de Janeiro, morar com seu pai e sua madrasta. Com o intuito de esq...