A Visita de Um Amigo

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6.

Sexta-feira nada de aula. Não foi difícil convencer meus pais que estava péssima. Fiquei na cama o dia todo dando respostas cheias de lacunas ao questionário que eles armaram para mim me esforçando ao máximo para não mentir e não parecer maluca depois "daquilo". Isso me roubou um bom tempo, tive um breve momento para refletir "naquilo" entre o café da tarde, que, rejeitei por ainda estar enjoada, e a visita de Gerson que tive após o horário de aula.

Ele fora ver como eu estava. Ficara sabendo por um professor, que ficou sabendo da diretora, que ficou sabendo de meu pai, que eu havia passado mal e não iria à aula, que era a última antes das férias.

Conversamos aquela "conversa-entrevista". Gerson me perguntava coisas como: "que houve?", "cê tá bem mesmo?", "tá comendo direito?", "sua pressão deve ter caído", "pode ser falta de exercícios, já pensou?" e eu respondia-o. Ele foi um amor, estava realmente preocupado comigo, contudo, fui um pouco sucinta com ele, talvez até seca dada a situação. Meu corpo estava ali, mas minha mente estava tentando entender o que acontecera no dia anterior.

Antes de ele ir embora, resolvi perguntá-lo se sabia de alguma coisa relacionada aos meus vizinhos, já que ele nascera naquele bairro, talvez pudesse me ajudar a esclarecer as coisas. Reconheci sua reação. Por um breve momento, antes de falar que não sabia de nada, ele mostrou-me no seu rosto, o mesmo que eu estava sentido naqueles dias.

Medo.

O Mistério da Estranha Residência SilvaOnde histórias criam vida. Descubra agora