Capítulo Dezoito

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A mulher gritou de volta, sua mão livre pulando para sua garganta e seus surpreendentemente brilhantes olhos azuis ficaram selvagens antes de ela me puxar para um beco.

— Caramba, senhorita — Disse ela, voltando a respirar normalmente ao poucos. — Você me assustou.

— Você é a empregada!

Suas vestes estavam diferentes, mas era ela. Ela me deixou entrar na casa dos Ishida. Hoje ela parecia como se estivesse vindo de uma grande reunião de diretoria, usando uma saia branca e uma jaqueta ajustada ao seu corpo esguio. Entretanto, o cabelo? Não tão corporativo. Curto e moderno, ele saltava enquanto ela andava, e brilhava com o mesmo intenso azul cobalto de sua blusa de seda e olhos maliciosos.

Parei de tentar tirar meu braço do seu aperto.

— Quem é você?

Ao final do beco ela me encarou, repentinamente sombria, e com um pesado sotaque austríaco disse — Venha comigo se quer viver. — Sua expressão ameaçadora se quebrou em uma cascata de risos e ela bateu em sua coxa. — Oh, eu sempre quis dizer isso!

Eu me perguntei qual manicômio perdeu um paciente.

— Mas sério. — Ela enviesou seu rosto para um semblante de compostura. — Você precisa confiar em mim e tudo ficará certo como a chuva.

Confiar nela. Ceeeeeerto. Os caras com a van acolchoada e camisas de força estarão aqui a qualquer minuto.

— Desculpa, você já me meteu em problemas o suficiente e eu preciso ir. — Puxei a minha mão novamente. Ela não a soltou, mas começamos a andar novamente. — Alguém ameaçou a minha família e –

— Eu seeeei! Quero dizer, devo dar-lhe pontos, porque francamente, ele pareceu um pouco bobo para mim. Todo sujo, apenas músculos e sem cérebro. — Ela agitou um dedo no ar. — Vergonha de mim por julgar. — Ela viu minha cara preocupada e rolou seus olhos. — Por favoooor. Eu cuidei de sua família. Um par temporário de cifras, e, ergo, ele não pode tocá-los. Por agora. Você, por outro lado, está vulnerável, mas não posso ajudá-la. — Outro sorriso deslumbrante.

Cifras? E quem é Airgo? — Você fez o que com a minha família?

Ela afagou minha cabeça. — Explico mais tarde. Só faça o que eu te disser. Você estará segura na Rita. — Com pressa, ela me deu direções. — Te encontrarei lá.

— Com um demônio atrás de mim? Eu nunca conseguirei.

— Dois, na verdade.

— O que?

Sua mão fez um movimento de corte, pondo fim a discussões maiores. — Confie em mim. Você tem o que precisa. — Ela piscou. — Você só não sabe ainda. Ou tem o treinamento necessário.

— Quem é você?

— Sem tempo, sem tempo.

As outras perguntas foram cortadas por uma névoa verde formando-se na minha frente. A neblina se solidificou naquele horroroso duende verde da educação física, o que estava perseguindo Selena, coberto de grama, fungo, e musgo – aquilo eram cogumelos crescendo das orelhas dele? – e gotejando com algo espesso que cheirava a esterco. Delícia.

A mulher silenciou, mas o demônio não reagiu. Eu vi um inseto rastejar de seu nariz para a boca arrastando uma rede de gosma que ele lambeu com um movimento rápido de sua língua bifurcada. Ele engoliu alto após algumas mordidas crocantes.

Okay, um sério fator eca.

Um chiado veio de cima. O demônio irritante Vou Te Matar Com Vocabulário que havia me perseguido pelo quarteirão da minha casa estava de volta. Esse dia podia melhorar?

#1 - Demons At Deadnight (Divinicus Nex Chronicles) Onde histórias criam vida. Descubra agora