As picadas se tornaram mais frequentes, e meu corpo ficou com uma série desagradável de alfinetadas e agulhadas. Pensei em fazer uma colisão através da luz, mesmo que a taxa de sucesso fosse de baixo percentual. Qualquer coisa era melhor do que ser um peão neste jogo de gato e rato.
Eu me senti como um inseto, como o experimento de um cientista do mal, encapsulada sob uma cúpula de eletricidade que se não me engano, estava encolhendo. Tirei o cabelo do meu rosto e a pena de Gloria, presa no meu punho e espalhada de suor, quase me cutucou no olho. Zap, outra picada. Eu empurrei e dei um tapa na força invisível, que fez a pena tocar a energia. Uma luz laranja queimou. O zumbido irritado intensificou e meu espaço aberto parecia se expandir. Não é muito, mas...
Eu olhei para a pena. Em seguida, a bolha de energia. Movi a pena em direção ao campo de zumbido me segurando como refém. A luz cintilante parecia recuar. Eu espetei minha mão para a frente. Outro clarão laranja onde a pena apunhalou a eletricidade e minha prisão expandiu-se novamente. Um cheiro de queimado flutuava.
Eu sorri. — Oh, sim.
Mais cutucões frenéticos e tive algum espaço para me movimentar.
Um golpe na parte de trás da minha perna quase me deixou de joelhos.
— Idiota!
Ele era um astuto filho da puta, dando choques nas minhas costas sempre que virava para trás para encarar seu último ataque, mas eu senti uma pontada de delírio sobre a mudança no poder. Usando a pena como uma faca, eu me aproximei e cortei. E cortei novamente. E mais uma vez. Uma psicopata demente sem os seus remédios. Cortes abriram-se como feridas sangrentas gotejando laranja e prata, mas nada grande o suficiente para fazer meu corpo passar.
Lambi meus lábios, respirei fundo, mergulhei a pena dentro da luz, travando meu joelho e girei. Ela cortou a bolha cintilante como lasers em um copo de papel. Quando a abertura expandiu o suficiente, eu mergulhei até a liberdade.
O zumbido ficou agudo. Um grito de aborrecimento? Eu me levantei segurando a pena em minha mão estendida, mexendo um pouco menos do que um ataque epilético.
A esfera se alargou em um brilhante roxo, azul e prata, e, em seguida, se transformou em redemoinhos de fumaça que se transformaram em um humanoide azul pulsando com teias de aranhas elétricas. Parecia um daqueles modelos de corpo humano transparentes da aula de biologia. Mas com um estilo Frankenstein.
— Nada mal, pequena Nex. — Sua voz crepitava. — Mas...
— Aurora, para baixo!
Deixei-me cair.
Mesmo com as pálpebras fechadas, uma luz queimou em minhas retinas. Uma explosão de calor escaldante soprou meu cabelo da minha cabeça. Como cactos espinhosos, um golpe de eletricidade resvalou no meu ombro. Então a escuridão. Silêncio. Eu espiei. O demônio tinha ido embora.
Eu me coloquei de pé. Me senti fraca. Não. Uma completa Gumby. Caí no chão, todos aqueles fragmentos preciosos de vidro prontos para me cortar. Espero que papai conheça um bom cirurgião plástico. Pouco antes do impacto, a gravidade se desviou da sua rotina habitual e me levantou. Senti braços sob os meus ombros e minhas pernas e vi que a gravidade tinha um nome. Ayden.
— Peguei você — dito isto, eu coloquei minha bochecha quente contra sua jaqueta legal enquanto ele me levava para casa.
Eu colocaria meus dedos ao redor de seu pescoço, se eles parassem de ter espasmos. Ele se deteve na frente da casa de Tristan.
— Você está ferida? Devo procurar seu pai? Levá-la para o hospital?
Eu balancei minha cabeça.
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#1 - Demons At Deadnight (Divinicus Nex Chronicles)
ParanormalDurante dezessete anos para Aurora Lahey a sobrevivência tem sido um estilo de vida. DESTINO DEMONÍACO Aurora tem o superpoder mais inútil do planeta, e isso só liberou um esquadrão do inferno. Os demônios estão à caça, sobrevivendo apenas para cort...