Capítulo Vinte e Sete

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— Como vocês podem me proteger?

— Por que você precisa de proteção?

— Demônios estão tentando me matar.

— Por que? Porque você é irritante?

— São demônios. É o que eles fazem.

— E você é irritante.

— Não mais do que você. — Eu caminhei pela sala de jogos grande com pantufas de orcas fornecidas por Jayden, já que eu estava sem sapatos quando me levaram para a casa dos Ishida.

Eu suspirei. Matthias e eu tínhamos viajado neste ir e vir por um tempo. Eu estava mantendo minha promessa. Eu estava com os meninos malditos. Gloria tinha sido tão vaga que eu tive medo de dizer algo errado, mas eu tinha confessado sobre ver demônios e pedi ajuda a eles. Eu até mesmo admiti que me escondi na sala secreta e ouvi a conversa deles. Matthias ficou com a cor de tantos tons de roxo e vermelho que não achei possível. Vasos sanguíneos estourando audivelmente.

Eles disseram que eles poderiam me ajudar a ficar viva e eles queriam responder a quaisquer perguntas, mas Matthias não respondeu nenhum das minhas, como quem eles eram, como podiam me proteger e como eles podiam se livrar dos demônios. Ainda fiquei preocupada em ser "neutralizada". Talvez Gloria estivesse errada sobre eles.

Claro, eu não podia reclamar sobre suas suspeitas. A história da empregada não fazia sentido. Pelo menos agora eu sei o porquê. Graças a Gloria. Não ajudou que as câmeras de segurança tiveram um mau funcionamento quando eu me aproximava do alpendre. Coincidência? Eles acharam que não. Mas já que Matthias não se atreveu a acreditar que eu era uma espécie de prodígio elétrico, ele deixou passar. Por enquanto.

Gloria me fez prometer que eu iria lidar com esses caras, mas nós estávamos em um barco a remo em um furacão para um nível ainda pior. Uma dor de cabeça passou atrás de meus olhos, meu plano brilhante indo a lugar nenhum.

— Eu quero ir para casa.

— Não até que nos diga...

— Eu não direi nada, Austrália.

Os olhos de Matthias brilharam como metal. Perigoso. O quarto era pequeno. O ar mais pesado.

— Seu batimento cardíaco está acelerado — disse Jayden. — Medo irracional. Tome um pouco de água. — Em pânico, eu deixei cair o vidro no chão. Quando um pouco de líquido espirrou no meu rosto, eu esfreguei com frenesi.

— Certo. Então eu posso acordar amanhã em um navio de carga de Cingapura em minha nova vida como uma escrava sexual em uma neblina perpétua de drogas, e como se isso não bastasse, pôr fim a todo meu sofrimento me suicidando? Acho que não.

Fui até a porta, mas Blake era mais rápido do que parecia.

Ele se inclinou contra a porta, palmas para cima em sinal de súplica, mas bloqueando minha saída. — O que é isso exatamente?

Recuei, girando em círculos, paranoia fechou minha garganta. Eles olharam para mim como se eu fosse louca. Além de Blake, nenhum deles se moveu.

— Operação escrava sexual? — Matthias jogou sua cabeça para trás.

— É típico dos cartéis de drogas. — Eu estava pesando as minhas chances de alcançar a parede de armas quando todo mundo riu.

***

— Caçadores de demônios? — O chá parecia sujeira. Como a de um esgoto. E cheirava ainda pior. Mas Jayden me assegurou que acalmava os nervos. E que estava livre de drogas. Sentei-me em um sofá, abraçando um travesseiro, copo repousando sobre o joelho. —Bem, soou como traficantes de drogas.

#1 - Demons At Deadnight (Divinicus Nex Chronicles) Onde histórias criam vida. Descubra agora