Degustação Meu Perfeito Delinquente II

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Alguns chamariam isso de sorte, acaso, destino

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Alguns chamariam isso de sorte, acaso, destino...
Eu chamo isso  de azar.
Justo quando eu decido sair do meu lado mais obscuro isso me acontece?
Mas que merda!!!
Era só ter dado meia volta Alex. Meia volta e você estaria livre. Agora estou aqui, sentado no sofá da minha sala e olhando para a garota assustada, andando pelo cômodo e olhando cada detalhe da decoração da minha casa.
Sinto que a minha escuridão aumentou só com o ato de hoje. Ela está tentando me sufocar, me oprimir, me dominar.
Não... Não posso me permitir viver no escuro outra vez...
Não quero voltar pra lá nunca mais.
Estou apavorado.
Com medo.
Tão assustado quanto a garota desconhecida na minha sala.
Porque eu não fiquei na minha cama hoje?
Porque eu tinha que dar uma de senhor saúde em forma e sair de casa?
Eu devia ter esperado o Jordan, ele não permitia que eu fizesse essa merda.
Respiro fundo.
Ela se vira e olha pra mim.
Cabelos curtos e escuros.
Olhos castanhos expressivos.
A boca pequena e carnuda tem um leve corte no canto e há uma marca arroxeada , quase imperceptível na maçã do seu rosto.
O corpo esguio treme um pouco e ela está abraçando o próprio corpo.
Como  eles a chamaram mesmo?
Ah... Não importa.
Me levanto do sofá e a garota já fica em alerta.
Sério isso?
Ela está com medo de mim?
Porra, eu salvei a vida dela!
Suspiro contrariado e resolvo não me aproximar.
_ Está com fome?_ Inquiro como quem não quer nada.
Ela não me responde com palavras, apenas dá um leve aceno de cabeça dizendo que sim.
Assinto.
_Anita deve ter preparado algo pra comer._ Digo e saio da sala indo para a cozinha, na esperança de que ela me siga.
Eu paro e olho para trás.
A garota ainda está lá,  parada no centro da minha sala e olhando em minha direção.
_ Você não vem?_Pergunto impaciente.
A garota me olha por um tempo.
Eu rolo os olhos.
Ela parece um bichinho do mato acuado e assustado.
A alguns dias atrás, eu adoraria me alimentar desse medo.
Me fazia sentir forte, imponente e eu usava desse poder sempre que sentia vontade.
Balanço a cabeça afastando esses pensamentos para longe de mim.
Adentro a ampla cozinha, onde cinqüenta por cento das paredes é de vidro e a outra metade é de concreto e cerâmicas brancas.
Os balcões em L são iluminados por pequenas e redondas lâmpadas de led.
Um dos balcões acomodam alguns bancos altos.
Anita sorri quando me ver.
_ Bom dia senhor Alex! A corrida foi boa?
Podia ter sido melhor. Penso carrancudo.
_ Você fez isso tudo?_ Inquiro olhando a mesa farta e ignorando a sua pergunta.
Ela sorri.
_Nao tinha ideia do que ía querer, então eu fiz de tudo um... Pouco..._ Ela diz a última parte da frase pausadamente quando nota a presença da garota atrás de mim.
_ Uma menina!! _ Diz em tom de mamãe encantada.
Reviro os olhos.
O que há demais em uma "menina"?
_ Oi! Eu sou Anita. Qual o seu nome?_ Anita inquire toda amorosa.
Ela me lembra a minha mãe...
Uma mulher dedicada, amorosa, atenciosa...
Eu a amava... Muito...
Ainda sinto a dor da sua perda depois de longos anos.
Sinto a sua falta. Penso melancólico.
Puxo a respiração e encaro Anita ainda de olho na garota.
_ Dê algo pra ela comer Anita. Depois ela pode ir embora._ Digo seco, saindo da cozinha e indo para o meu quarto.
Preciso tomar um banho e depois conhecer a minha nova empresa.
O banho é demorado.
Na hora de pôr a roupa fico indeciso no que escolher.
Quando fazia parte do bando do Cicatriz, roupas informais, só em ocasiões informais... Fora isso, eu usava qualquer roupa que me deixasse a vontade.
Escolho um conjunto de terno de três riscas,  Armani cinza chumbo, uma camisa branca de botões e uma gravata de ceda vermelho escuro.
Me olho no espelho e gosto do que vejo.
Por fim ponho os sapatos lustrosos e saio do meu quarto de cabeça erguida.
Andando firme.
E me sentindo orgulhoso de mim.
Desço as escadas e encontro Danilo dando algumas instruções aos seguranças.
Definitivamente não sei pra que isso tudo, mas acho que ele está gostando da brincadeira de comandar.
Sorrio e sigo direto para a cozinha,  parando  abruptamente ao ver a garota sentada em um dos banquinhos, tomando café da manhã.
Não seria nada de mais se ela não estivesse tomada banho, toda limpinha e vestindo um vestido branco de alcinhas mostrando os detalhes do seu corpo.
Onde ela conseguiu isso?
E porque ainda está aqui?
Olho pelo cômodo a procura de Anita.
A filha da mãe não está aqui.
A garota baixa os olhos quando nota a minha presença...
Isso me dá a chance de olhá-la mais detalhadamente.
Agora limpinha,  noto que tem a pele clara...  É linda...  Minhas mãos coçam de vontade de tocá-la...  De senti-la.
Me sento no banquinho de frente pra ela. Olhando cruamente pra ela e sem hesitar.
Pego a faca de mesa e corto o queijo levando o pedaço a minha boca, em seguida tomo um gole do café quente e amargo.
_ Quando pretende ir embora?_ Inquiro tirando os meus olhos de cima dela e pegando um pedaço do pão caseiro dentro do cesto de vime.
Ela não me responde.
Isso é irritante pra cacete.
_ O gato comeu a sua língua?_ Inquiro impaciente.
Ela ergue o olhar e me encara pela primeira vez.
_ Não... Não tenho pra onde ir senhor Alex.
PUTA QUE PARIU! O grito ecoa dentro de mim.
Essa porra de  "senhor Alex " não vai dá muito certo aqui! Penso.
Limpo a garganta e volto o meu olhar para o meu prato.
_ Não tenho nada haver com isso menina._ Digo áspero.
_ Fabiana. _Ela diz de repente.
Eu a encaro perdido.
_ Meu nome é Fabiana,  mas todos me chamam de Fabi.
Assinto.
Mas continuo calado.
A sua voz suave me perturba.
Tem um ar doce,  meigo e encantador que me faz querer recuar.
_ Se... Se puder me arrumar um emprego._ Sugere. _ Um lugar pra ficar..._Deixa a frase perdida no ar.
Não...
Não...
Não...
E não...
Alex não se atreva!!
Tá na cara que essa garota é chave de cadeia e você não vai querer se envolver nisso de novo. Meu subconsciente me alerta.
_ Fale com Anita. Pergunte se tem alguma função pra você aqui.
O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO PORRA???? O grito ensurdecedor do meu subconsciente ecoa.
Puxo a respiração e saio da mesa imediatamente.
Ando a passos largos para a sala sem ao menos usar de educação e dizer um bom dia para garota.
_ Danilo o carro está pronto?_ Inquiro em um tom muito rude.
_Sim senhor. Jordan irá levá-lo a empresa e ficará aguardando até a hora em que precisar voltar._Ele diz.
Assinto.
_ Ótimo!
Começo a andar em direção a porta quando ele me faz parar.
_ Aqui senhor._ Diz me entendendo uma pasta de papel grosso.
_ O que é isso?
_ Alguns documentos que precisa ler no caminho. O senhor terá uma reunião de início com os funcionários. É algo que precisa ser feito senhor.
Bufo.
_ Preciso de uma secretária que me ajude a organizar essas coisas._ Retruco.
_ Sim senhor. Vou providenciar uma.
_ Faça isso  Danilo.
Digo saindo de casa.

10. Me Apaixonei e Agora? - RETIRADA 1° DE SETEMBRO Onde histórias criam vida. Descubra agora