■ ʟɪᴠʀᴏ 1
Melissa Lee sofre com um dom de ver espíritos e sua vida se resume em trabalhar num lugar para loucos, buscando ter a sanidade mental e morando com um pai que a rejeita.
Harry Styles é um rapaz que começa a fazer parte da vida de Melissa...
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Por mais complicada que fosse a situação, eu já havia planejado tudo. Qualquer obstáculo que surgisse não me impediria e eu resolveria aquilo o mais rápido que eu conseguisse, sem interrupções ou covardia. Toda a verdade já havia sido descoberta e eu já tinha a noção exata do problema. Estava tudo tão claro quanto as águas cristalinas de um riacho.
Quando você entende o porquê de determinada coisa, se sente mais leve. Deduzi que este fosse o motivo para que uma porcentagem enorme de todos os seres humanos se sentisse apegada às várias e várias explicações sobre a origem do Universo, sobre a própria espécie e sobre a vida. Eles tinham fome do saber. Eu tive fome pelo saber, e o consegui.
Ao voltar para a realidade, me vi dentro da minha própria cova, com todas as pistas de que aquilo não era um pesadelo: as mochilas velhas com vestígio de alguém que já respirou e sorriu, a terra gélida sob minhas pernas, o luar me cobrindo com seu clarão e o vento soprando nos meus ouvidos. Rapidamente limpei o rosto molhado e me levantei, muito decidida. Me esforcei para sair daquele buraco injusto, peguei a minha bolsa e segui pela floresta, tendo a consciência de que havia deixado a cova aberta para quem quisesse ver.
Resolvi usar o portão da frente do cemitério, onde o vigilante cochilava sem perceber nada do que acontecia à sua volta. Entrei no meu carro e, depois de minutos em um devaneio que eu não queria estar, me vi em casa. Um cheiro de podridão quase me cegou e eu olhei diretamente para a residência da Sra. Howell. O seu corpo já estava com mau cheiro e eu precisava ser rápida em tudo, antes que os outros vizinhos suspeitassem e eu fosse impedida de alguma coisa.
Ao entrar em casa, não sentindo a presença de absolutamente ninguém, comecei a pensar, a pensar e a pensar... Eu não tinha mais tempo e só não agiria naquela noite porque ainda precisava convencer Henry a ir até a minha casa. Não seria tão difícil, é claro, e eu faria questão de fazer aquele convite olhando para os olhos dele. Afinal, eu não estava com medo. Na verdade, eu me sentia totalmente destemida, capaz de fazer qualquer coisa.
†
Após horas e horas acordada, com pensamentos flutuando dentro da minha cabeça, sem sentir cansaço ou qualquer coisa que me tirasse as forças, resolvi tomar um banho exatamente às seis em ponto. Vesti a minha melhor roupa, pus uma base no rosto, batom vermelho nos lábios e me coloquei a pentear os cabelos, sempre sentindo aquela pressão incansável nos dentes, algo que eu não consegui aliviar a noite inteira, enquanto observava a parede do meu quarto. Aquilo era raiva, ódio..., desgosto.
Era como se eu já tivesse morrido, mas estivesse vivendo em um mundo paralelo. Tudo corria à minha volta, as pessoas respiravam, viviam as suas vidas e eu ficava ali, quase que alucinada, ou embriagada de enfurecimento e tristeza. Passei a noite inteira sentindo as lágrimas correndo pelas minhas bochechas, o maxilar cerrado e as unhas cravando as minhas próprias mãos.