um novo pai, uma nova eu

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Allys

Um trato, isso era sério? O quão idiota eu fui?. Um dia depois do " encontro" eu estava remoendo as coisas  que disse e fiz. Chama lo para dançar e fazer isso no meio da rua. Sério, onde eu estava com a cabeça? Fazer um trato e dizer que vou cantar pra ele, ai meu deus, eu enlouqueci. Além de  ficar encarando ele toda vez que ele dava um maldito sorriso. Mas que droga!! Porque ele tinha que ter um sorriso tão bonitinho? Tão sincero?

Eu iria ficar pensando nisso muito mais do que queria, eu e Minha mente imperativa. O apartamento estava em silêncio, mas eu sabia que meu pai estava em casa. Ele sempre estava.

Quando entrei na cozinha não esperava o encontrar la, ele devia estar no escritório.

-oi- ele disse sem jeito

Ele não era um pai que ficava jogando conversa fora, só dizia o necessário. Mas depois da nossa ultima discussão ele parecia estar mudando, ou pelo menos tentando. Com a briga ele percebeu que eu poderia sair da sua vida se quisesse, Acho que ele sentia medo de me perder.

- olá senhor Diogo- eu respondi em tom bem humorado, eu estava disposta a dar uma chance a sua mudança

Ele sorriu aliviado quando percebeu que eu estava deixando ele tentar . E eu esperava mesmo por isso.

- dormiu bem?- eu quase ri da sua tentativa ruim de puxar assunto, mas me contive e entrei na onda

- sim. O que temos pro café?- já podia sentir meu estômago roncando

-Comprei sonhos, quer?- balancei a cabeça avidamente já podendo sentir o gosto do céu daqueles sonhos

O café da manhã foi estranho. Não só pelo fato  de estar sendo feito na presença de meu pai (ele nunca fazia nenhuma refeição comigo, sempre ficava no escritório o dia todo) como também pelas suas tentativas de se puxar assunto comigo. Fazia perguntas das quais talvez nem sequer queria saber a resposta. Mas estava tentando. Por mim. E isso me deixava feliz, pois me fazia perceber o quanto ele me amava.

- sabe llys eu estou tentando, e espero que você me ajude- isso me desprendeu de meus pensamentos

- ajuda com o que?- eu realmente havia perdido um pedaço da conversa

- a me tornar um bom pai

Ai, essa doeu. Me senti culpada por me perder em pensamentos enquanto ele tentava dizer isso. Talvez eu também deve-se mudar um pouco. Era um recomeço. Para os dois.

- sabe pai, eu nunca disse que você é uma pai ruim. Você só precisa ser menos profissional e mais...- eu pensei por alguns segundos antes de terminar- pai

Ta, não me expressei direito, mas o que eu podia fazer? Eu não tinha conversas desse tipo com meu pai desde... nunca

- e como posso ser mais pai llys?

- olha o adulto aqui é você , eu só... ta, olha, tente ser mais carinhoso. Como agora comprando sonhos e puxando conversa. E também saia daquele maldito escritório. Passe alguns momentos comigo, é tudo o que quero. Não é pedir muito- ou era?

- entendo. Então, quer ir algum lugar comigo?- ele perguntou com certa relutância por nunca ter feito isso

Uau. Ele estava me impressionando com como ele realmente estava tentando mudar

- hum... Não sei, porque não da uma ideia?

Eu queria ver o que ele sentia vontade de fazer. Afinal, ele estava fazendo meus caprichos, por isso não custava deixar isso divertido pra ele.

- que tal...- ele pensou por uns instantes antes de responder- parque aquático?

Uau de novo. Imaginar meu pai em um parque aquático era algo impossível. O cara que trabalhava o dia todo em casa e ainda assim muitas vezes usava terno. Pela primeira vez em muito tempo, eu sorri para ele.

- é uma ótima ideia

                                  -~-

Lindsay estava boquiaberta quando estacionamos na sua casa e a chamamos para ir. Ela aceitou, claro. Mas todo o caminho até  nosso destino ela ficava olhando de mim para meu pai. Devia estar pensando que enlouquecemos.

- trouxe roupa de banho?- meu pai perguntou do banco do motorista.

- sim senhor Diogo- Lindsay respondeu , eu quase ri pelo senhor que ela usou. Eu só usava o " senhor" quando queria fazer graça

Não a podia culpar. Ela era minha amiga desde que me lembro por gente. Conhecia meu pai tão bem quanto eu.

Quando chegamos saímos do carro em um pulo. Ansiosas? Nem um pouco.

Enquanto ele ia comprar as entradas explicava para Lindsay o que tinha ocorrido. A surpresa em seus olhos era engraçada.

Quando entramos não pude deixar de rir. A expressão do meu pai perante ao tamanho do parque era de espanto. Era a primeira vez que ia a um lugar desses.

Depois de nos trocarmos , fomos direto para os tobogã. Eu e Lindsay gritavamos e riamos enquanto a gente descia. Já meu pai ia em completo silêncio, só que quando chegava no fim estava com os olhos arregalados parecendo que havia visto um fantasma. Aquele dia eu ia acabar tendo uma overdose de tanto dar risada.

O próximo foi o rio bravo.  Subimos em um mini barquinho redondo, nós três e mais quatro pessoas. Ele descia vagarosamente ate que chegávamos em certas partes onde era expirrado água sobre nós. E também partes em que ele caía com solavanco, assustando a todos. Sem falar no túnel que passamos, ele jorrava agua de todos os lados e uma caixa de som deixava barulhos de tambor ensurdecedores no ar

Já estava no horário de almoço quando resolvemos dar uma pausa. Eu podia ver o sorriso nos olhos de meu pai. Ele estava se divertindo, não tinha como não ficar feliz com isso.

Já que ele estava mudando eu também iria. Então o que fiz foi algo que eu não costuma dizer.

- obrigada por estar mudando por mim , você é o melhor pai que eu poderia querer

Então lhe dei um beijo na bochecha, e em troca, ele me deu o maior sorriso que já o vi dar.

O Silêncio Das PalavrasOnde histórias criam vida. Descubra agora