Capítulo 7 - A face.

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Capítulo 7 - A face.

   Pouco tempo depois das recentes descobertas, Elizabeth decidiu por si mesma ir ver a antiga casa onde um casal foi assassinado 13 anos atrás. Ela se pergunta se é uma boa ideia, mas tem que ser, ela tem que descobrir a verdade e desvendar quem é Hope.
   Chegando no local, ela se dá conta de algo estranho, a casinha mostrada nas manchetes de 2006 não estava mais lá. Pelo que parece, aquela pequena residência onde o casal foi brutalmente assassinado de forma misteriosa, foi demolida. Elizabeth vasculha o local à fim de encontrar alguma pista, mas é então que é surpreendida. Próximo daquele lugar onde supostamente ficava a casa, havia outra casa, apenas há alguns metros de distância. Elizabeth vai até a casa e bate na porta, alguém alí poderia saber o que havia ocorrido anos antes.
     - Olá? Tem alguém em casa? - Diz Elizabeth, enquanto bate na porta.
   Após alguns minutos, uma senhora à atende e pergunta qual era o motivo da jovem estar alí, já que aquele lugar, era um lugar um tanto quanto isolado das cidades mais próximas. Elizabeth explica para senhora seus motivos e conta tudo o que estava ocorrendo. Passado algum tempo olhando para baixo, numa postura pensativa, a senhora à convida para entrar. Elizabeth entra na humilde casinha daquela senhora e se senta em um sofá. A senhora pega uma cadeira e se senta de frente para Elizabeth. Após alguns minutos receosa e pensativa, a senhora começa a falar.

      - Samantha.. Sim, eu me lembro dela.. E muito. - Diz a senhora, olhando para Elizabeth e gesticulando com as mãos.
      - Ela costumava ser sua vizinha? - Questiona Elizabeth.
      - Mais que uma vizinha.. Ela era minha irmã caçula. Tudo o que ocorreu me afeta e muito até hoje, mas infelizmente, o passado é imutável.
      - Sinto muito pela sua perda.
      - Não se preocupe, já faz muito tempo..
      - Me desculpe perguntar senhora, mas você pode me confirmar uma informação?
      - Posso sim, o que é?
      - Samantha e o marido dela, Frank, cuidavam de alguma criança ou tinham algum filho?
    A senhora fica apreensiva e começa a olhar novamente para baixo. Quando ela olha novamente para Elizabeth, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
      - Me desculpe por isso.. Sim, eles cuidavam de um.. Garoto. Samantha o chamava de Maxwell. Frank sempre disse que aquele garoto era uma aberração, mas Samantha nunca o ouvia.
      - E como era a relação de Samantha com Frank?
      - Eles eram como um casal normal no começo, mas Frank pouco após se casarem se tornou um homem muito agressivo. Ele abusava da bebida e não deixava Samantha em paz. Por muitos anos foi assim. Um dia Samanta me ligou, ela dizia que ela e Frank haviam encontrado um bebê em meio ao matagal próximo daqui. Esse bebê era Maxwell. Daquele dia em diante a vida deles mudou para sempre.
      - A senhora se recorda o ano em que sua irmã encontrou o bebê?
      - Bom, algo em torno de 1995.. Na verdade foi em 1996, acabei de me lembrar.

    Elizabeth anota todas as informações em seu caderno e após ouvir aquela data ela fica surpresa. Se encontraram o bebê em 1996, atualmente ele teria 23 anos, que é exatamente a idade do Maxwell que ela conhece.
      - Só para terminar.. sei que é doloroso e se não estiver a vontade não precisa, mas a senhora poderia me descrever detalhes da noite em que Samantha e Frank.. faleceram?
      - É claro que posso.. Esse foi o dia mais doloroso de toda minha vida. Eu estava em casa, com meu já falecido marido Thomas, quando ouvi uma discussão na casa de Samantha, corri para ver o que poderia ser, estavam gritando muito, quando olhei pela janela dela, pude ver claramente toda a cena.. Frank estava segurando uma garrafa e gritando muito, de frente com Samantha, ele estava ameaçando-a e fora de si.. Eu não sei o que foi aquilo, mas aquele garoto.. Corria enquanto quebrava todo o chão na direcção de Frank. Pelo que pude ver, ele começou a espancar Frank, mas aquilo não era normal.. A força dele era algo..
     - Desumano?
     - Isso.. Sim. Ele havia matado Frank como uma mosca.. Eu não acreditava no que eu estava vendo.. Eu estava em choque, então corri para casa e liguei para polícia. Quando olhei para janela para ver se já estavam vindo, pude ver aquele garoto saindo da casa e indo em direção ao matagal. Corri para dentro da casa de Samantha e a vi no chão.. Já era tarde demais.
     - Eu sinto muitíssimo mesmo.. Deve ter sido horrível. Eu tenho uma suspeita.. A senhora poderia me dizer se esse rapaz se parece com o Maxwell que a senhora conheceu? - Elizabeth tira seu celular do bolso e mostra para a senhora uma foto do Maxwell.
      - Sim! É ele mesmo! Oh meu Deus, eu não posso acreditar! Ele está.. vivo? Foi ele quem te mandou? Por favor não me machuque! - A senhora fica em estado de pânico.
       - Olha senhora, se acalme, eu vim por mim mesma, eu estou investigando o Maxwell.. Eu conheci ele a algum tempo, mas nunca desconfiava que ele tinha feito isso. Eu temo que ele seja aquele "Super-herói" da televisão, e isso é o que mais me assusta.. Mas se eu conseguir alguma prova contra ele, o jogo pode virar e todos podem saber quem ele realmente é.
     - Ele tem que pagar pelo que fez.. Ele é um monstro!
     - Tive uma ideia.. Se você quiser, podemos fazer uma gravação "interrogatória" e você me conta toda sua história, assim, teremos a primeira prova contra ele.
    - Tudo que eu puder fazer para levar aquela coisa a justiça eu irei.
  
Elizabeth e a senhora cujo nome é Rita, começam a gravar áudios, onde Rita revela toda a história por trás de Maxwell. Depois de algum tempo, elas terminam a gravação e por fim Elizabeth agradece a cooperação e por toda a ajuda, se despede e vai embora.

  Enquanto Elizabeth vai para casa, ela começa a pensar:
     - Maxwell então realmente é um assassino? Como ele pôde me enganar tão facilmente..? Ele parecia ser tão doce.. Ah droga! Eu tinha que encontrar ele hoje. Merda!
Elizabeth caminha um longo caminho e por fim chega perto de sua casa e fica em choque. Maxwell estava na porta da casa dela, a esperando.
      - Eu tenho que agir normalmente.. Se ele realmente fez tudo aquilo ele pode acabar comigo rápido se suspeitar que eu sei de algo.
   Elizabeth vai até sua casa e quando se aproxima de Maxwell o cumprimenta. Ambos entram e se sentam, Maxwell começa a falar, mas Elizabeth fica quieta, apenas observando.
    - Você está bem? Parece meio.. estranha Elizabeth. - Ele diz isso enquanto dá um sorriso estranho.
    - Tô sim.. só um pouco estressada com trabalho eu acho.
    - Trabalho? Descobriu algo sobre o Hope?
    - Não muito.. - Após dizer isso, Elizabeth começa a se distanciar lentamente de Max.
    - O que houve? Eu falei algo errado?
    - Eu.. descobri toda a verdade sobre você. - Diz Elizabeth, já distante, enquanto encara Maxwell.
    -  O quê? Do que é que você tá falando?
    - Sobre Samantha e Frank.
    - Eu não sei o que..
    - Não minta! Eu sei o que você fez!
     - Eu acho que você entendeu tudo errado.. Samantha era o nome da minha mãe, ela morreu em um acidente quando eu era pequeno, sinceramente.. Eu não sei por que não te contei isso antes.
     - Não Maxwell. Não mente pra mim, eu sei o que houve com Samantha Wright e Frank Wright. Eu sei que você matou eles em 2006. E eu sei que você é o Hope. Eu fui até sua antiga casa e falei com a irmã de Samantha.. Rita.
     - Você vai confiar naquela velha? Ela não tem uma única prova, ela já está louca Elizabeth! Como você pode sequer pensar que eu seria capaz de algo assim, quem você pensa que eu sou? Você tem algum problema? - O tom de voz de Maxwell aumenta e ele demonstra uma expressão de raiva.
     - Eu fui no centro de adoção da cidade. Eu pensei que você pudesse ter passado algum tempo de sua infância lá, já que eles aceitam a maioria das crianças desacompanhadas de pais. Eles me disseram tudo, me falaram sobre como você mudou após sua amiga sumir. Eu sei que ela morreu, eu me aprofundei muito nisso e mesmo hoje, ainda é um caso muito falado, foi a primeira de muitas garotas a sumirem em Ashtownville. Eu também sei que você se vingou dos assassinos dela e depois disso.. Depois disso você jogou partes dos cadáveres deles pela cidade! Você é um psicopata Maxwell!
    
    Maxwell olha para baixo e depois apenas encara Elizabeth com um sorriso no rosto. Ele fica em silêncio e se aproxima dela lentamente.
    - Não chega perto de mim! - Grita Elizabeth.
    - Você acha que me conhece. Mas está errada, todos estão. Olhe para fora, as pessoas na rua estão me venerando como um rei. Eles pensam que eu vou salvar eles de qualquer coisa, você pensa que pode me parar? Eu vou ser o Deus dessas pessoas podres e decadentes e nada vai me parar. Eu vou fazer com que todos me sigam e obedeçam sem questionar, você Elizabeth.. Você é só mais uma pessoa que acha que pode mudar as coisas sendo intrometida, mas.. Você não pode.
    Maxwell começa a segurar Elizabeth pelo pescoço, os olhos dele agora estavam vermelhos como fogo.
    - Me solta! Se você me matar..
    - O que vai acontecer? Me diga.
    - Todos saberão quem você é! Eu coloquei um arquivo para upload na internet. Se eu morrer, toda a verdade é revelada. Quer que todos descubram que o herói Hope é um assassino manipulador?
    - Você está só blefando. - Diz Maxwell.
    - Me mata e descubra se é só blefe, "Hope".
    - Sua maldita! - Maxwell solta Elizabeth no chão e dá um salto, quebrando o teto da casa e por fim, some em uma velocidade inacreditável.

              Fim do capítulo 7.

Ureel, O DesesperoOnde histórias criam vida. Descubra agora