Era como em um mundo paralelo onde tudo era ampliado.
Eu sentia cada som como se estivesse em cada poro meu, o cheiro de ovos e bacon fritando praticamente me faziam flutuar como nos desenhos animados. Cozinhar era uma das poucas coisas que realmente me deixavam feliz.
Quando eu era menor, meu pai, Robin, amava fazer churrasco aos finais de semana e passar esse tempo com ele era a coisa mais engraçada e divertida do meu dia. Ele me explicava sempre como temperar a carne, que temperatura o grill deveria estar e quanto tempo eu tinha que esperar antes de jogar o vinho branco; que tipos de misturas eu podia fazer para o vinagrete e que tipo de bebida tomar junto com cada refeição. Quando ele morreu, pensei que o gosto por cozinhar iria com ele. Me fiz de forte, como sempre, minha mãe já estava aguentando muito tendo que recomeçar sozinha, ter de se preocupar comigo era algo que eu a pouparia, mas isso me custou muito tempo. Tentei fazer outras coisas enquanto lidava com o luto e lutava para tentar cozinhar da mesma maneira de quando ele estava por perto, como se eu pudesse ser ele, mas nunca tive sucesso. Tentei sair com pessoas que sabiam cozinhar e que pudessem acrescentar algo, mulheres mais velhas que tinham algum estabelecimento e precisavam de modelos - e sexo de consolo - e que pudessem me ensinar coisas novas ou coisas que trouxessem Robin de volta de alguma forma. Nada adiantava.
Um tempo depois tornei-me modelo por alguns poucos meses após um agente ver uma de minhas fotos, já que era amigo de uma dessas mulheres com quem dormi, e acabei viajando para alguns lugares dentro da Europa e uma vez para a Tailândia. Foi uma época legal, onde fiz muitos amigos e até mesmo fui convidado para posar para uma revista famosa, mas não era e continua não sendo o que quero para minha vida.
Cozinhar e fazer as pessoas felizes apenas com aromas e combinações, esse sim era eu.
Foi depois de muito conversar com minha mãe e irmã que decidi finalmente seguir meu sonho e comecei a cursar gastronomia na grande Londres. Foi uma mudança e tanto, principalmente porquê eu nunca fui mais do que apenas o garoto miúdo, de cabelos castanhos e com cachos desarrumados, que levava bolo para os professores e não tinha muitos amigos na época de escola porém na universidade eu fui elevado á um patamar diferente em vista que tive um pico de crescimento e mudei meu estilo, tendo também conhecido muitas pessoas e elas me permitiram novas descobertas, inclusive sobre mim.
Eu nunca pensei muito sobre rótulos, como um cara solteiro apenas aproveitei muito bem todas as oportunidades que tive. Sempre fui curioso sobre novas experiencias e sensações, inclusive com homens, mas eu nunca tinha tido a oportunidade perfeita. Chances não faltaram e o desejotambém, só não parecia ser a hora certa; a pessoa certa.
Isso até eu conhecer Louis.
Eu estava andando pelo campus com Liam certo dia quando vi Louis rir ao brincar de bola com Niall. Seu sorriso era contagiante mesmo á distancia e a forma como falava, tão apaixonado, me fez não desgrudar os olhos dele. Eu não sabia seu nome, de onde era, como era sua voz ou até se ele era uma pessoa boa, mas eu simplesmente não consegui parar de o olhar. Admirar. Liam até tinha brincado na época sobre eu buscar um babador e eu apenas ri, mes esquivando, mas não deixava de ser realmente verdade. Logo depois disso eu passei a frequentar mais o prédio onde eu o tinha visto e algumas vezes tive sorte ao encontrá-lo por ali, sempre sorrindo e acompanhado do loiro. Não tinha nada demais esse meu interesse, era só um encantamento estranho que eu nunca havia sentido antes, no entanto muitas vezes eu me senti como um stalker, principalmente pois ficava o procurando na multidão mesmo estando em lugares que eu sabia que ele muito provavelmente não iria.
Foi o acaso que me disse onde ele morava e quase ri ao perceber que todo esse tempo ele era meu vizinho. Tínhamos horários muito diferentes, por isso nunca o tinha visto pelo prédio e foi só eu faltar a uma noite de balada que Louis se fez presente. Eu sabia que tinha que arrumar alguma forma de me apresentar, de tentar me aproximar e entender o porquê de ele estar me chamando tanta atenção. Foi então que eu inventei a desculpa mais exdrúxula possível e bati a sua porta pedindo café. E meu Deus, ele era adorável! Talvez até mais quando apenas de meias de pés trocados e sem camisa. Eu provavelmente até babei um pouco. Ele fora muito gentil apesar de atrapalhado e eu só queria o colocar no colo e descobrir mais sobre ele.
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Booty Call
FanfictionDois vizinhos Noites de sexta Cervejas Como prosseguir quando as cervejas tornaram-se desculpa para sexo embriagado e casual, sem sentimentos? E com o fato de que com o passar do tempo as coisas ficaram mais lúcidas, o sexo melhor e mais sujo, e ag...