Capítulo Seis: Tulipas.

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Bato a porta de meu quarto com força e escorro-me contra a mesma, fecho os olhos e respiro fundo. Havia sido muito por um dia, e assustava-me saber que ainda haveria mais. Caminho até minha cama e sento-me na mesma avistando um pequeno frasco de gel, o pego e leio seu rotulo, após constatar que o mesmo serve como analgésico para pequenas contusões passo-o em meu pé.

- Isso não será o suficiente, mas é o que temos por agora – digo. O silencio no ambiente serve de consolo para minha alma cansada, pelas janelas olho os grandes muros do palácio, os mesmos que eu havia assistido a construção e que agora decretavam minha prisão.

Bufo sentindo-me ridícula ao deixar que pensamentos melancólicos tomem conta de mim, porém, quanto mais tempo sozinha passo, com mais facilidade percebo que é simplesmente impossível não pensar em tudo que havia acontecido.

A morte de Kate, ser deixada para trás por mamãe, retornar a Seul como inimiga de guerra, ter as mãos de meus amigos como adagas em meu corpo – e coração – e conviver com a expectativa e o medo de revê-lo, tudo era apenas muito.

Em meio aos meus devaneios tento manter o único caminho de luz ainda existente aceso: o endereço que mamãe havia me dado.

As chances de sair do castelo eram quase nulas, porém, eu não poderia simplesmente ceder, essa não era a minha identidade, não fazia parte do que ser um Park representava se bem que, ser um Park agora não representava absolutamente nada.

Passo as mãos em meu cabelo e por um instante sinto-me estranha ao não sentir mais os fios pretos abaixo dos ombros. As imagens de Suga invadem minha mente e procuro por pistas de que, talvez eu ainda tivesse um dos meus soldados comigo.

A porta bate e levanto-me sobressaltada. Olho para a mesma e mantenho-me imóvel. Eu havia a fechado, e por falta de uma chave ela encontrava-se apenas encostada, eu sabia que isso poderia vim a ser um problema, mas por hora havia me sentido remotamente segura, pois todas as cartas de Dung-Sun já haviam sido expostas, porém...

- Eu apenas não o vi – sussurro.

Procuro em minha mente reviver o momento em que entrei no quarto, a penumbra do fim de mais um dia cobria grande parte de todo o ambiente, e por o conhecer tão bem não havia sentido necessidade de ligar os interruptores, não havia cheiros desconhecidos, nem mesmo um único móvel ou adereço fora do lugar, mas ele estava ali, eu apenas havia sido tola demais para notá-lo.

Dou um passo em direção a porta, porém paro, ele poderia estar longe demais agora e mesmo que eu o encontra-se não havia maneiras de começar uma conversa com quem você havia abandonado. Ele jamais me perdoaria, nem um deles. E lá estava a maldita pena de mim mesma que havia sentido desde o instante em que havia saído do grande salão.

Respiro fundo e viro-me de costas a porta, paraliso ao avistar tulipas roxas sob a pequena mesa ao lado das janelas. Eram apenas duas. Duas tulipas roxas. Dois soldados contra todos. A marca de que o passado pode manter-se vivo no presente.

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