Saímos da casa rindo. O ar frio não nos assustava mais, Pedro segurou minha mão e parecemos quando tínhamos 14 anos. O bar que ele nos levou era perto da casa, não era necessariamente um bar, estava mais para uma cabana super confortável que vendia café e bebidas alcoólicas. Sentamos próximo a janela enquanto um garçom caminhava até nós.
- Duas cervejas. - Dissera Pedro. - Tem alguma coisa que queira fazer antes de voltarmos para Los Angeles?
Pegaríamos o primeiro voo amanhã. Não queria me despedir disso, foi tão incrível quanto pensei que fosse e nem um momento me arrependi de ter seguido meus instintos e voado para a neve.
- O que teria mais de interessante? Creio que estamos com o tempo curto, já que o casamento é daqui a pouco e a festa durará até amanhã.
- É verdade. Mas podemos inventar algo. Melinda, o que planeja fazer quando chegarmos na Califórnia?
- Eu sinceramente não sei. Não quero voltar para a escola ou para aquela rotina que tínhamos. Era um saco completo! Mas eu estou com tantas saudades da mamãe e do Bê...
- E enquanto ao Aspen?
- Não quero falar dele!
- Falou com ele desde que chegamos?
- Poucas palavras.
- Acredita realmente que ele te traiu? Desculpa estar falando isso, eu juro que prefiro você comigo do que com ele. Mas eu tenho que me meter, já passamos por uma vida juntas e sei quando esta triste. Sinceramente Mell, eu acho tudo muito estranho foi a volta dessa ex namorada dele. Logo quando estava tudo bem? Já pensou por algum momento que ele foi uma vítima de alguma armação? Cara, ele me ajudou a me livrar das mãos da Priscilla! E eu tenho certeza que ele não fez isso por mim ou por ele, mas sim por você! Eu sei que ele te ama porque é impossível ninguém te amar.
- Pedro...
- Ouça, você é a garota mais forte que eu conheço, e eu me arrependo muito Mell, me arrependo muito de ter de deixado escapar pelos meus dedos. A última coisa que eu quero é te ver triste, saiba que eu vou te apoiar sempre, qualquer decisão eu estarei aqui por você. - Ele segurou a minha mão. - Posso te dar um conselho? - Acenei. - Liga para ele, pergunta o que realmente aconteceu e vamos consertar essa bagunça.
- Pedro, quem é você?
- Eu sei, eu sei. Eu também nunca me imaginaria me dizendo uma coisas dessas. Mas eu aprendi que prefiro ter você como minha amiga do que não ter. E se você gosta dele, prefiro que seja feliz. Você me conhece, todas as garotas caem ao meu pé.
Sua gargalhada foi contagiante.
- Você é um bobo iludido.
- Só quero te ver feliz, por favor, não esqueça disso. Sou capaz de abrir mão de ser feliz se isso significar você ser feliz com outro. - Ele mudou, ele realmente mudou. Nunca pensei que o veria dizer isso. Pedro realmente está disposto a abrir mão de mim para que eu possa ser feliz. Mas não é fácil assim, Aspen me magoou e eu estou tão confusa... - Vou no banheiro e já volto.
Pedro se levantou e caminhou até as portas que afirmava ser o banheiro masculino. Peguei meu celular e o liguei. Sempre deixava desligado para poupar bateria e evitar ligação. Pensei em tudo o que Pedro havia me contado, só não acreditei que o rapaz que eu namorei a anos estaria me convencendo a voltar para outra pessoa. Acho que o que ele sente por Aspen é respeito por te-ló ajudado. Mas ele estava certo, eu não ia conseguir esquecer tudo, e além disso, estaríamos voltando amanhã. Poderia apenas ligar e dizer que precisaríamos conversar assim que o avião encostasse no chão.
Mas é claro que eu estava com medo. Merda! Eu achei que finalmente iria ter meu felizes para sempre com um cara super legal e que moveu a terra por mim. Eu gosto dele, muito. Não sei ainda no fundo se é amor, mas é sentimento puro. Apertei a discagem rápida antes que eu desistisse. Chamou, chamou e ninguém atendeu. Tá tudo bem, talvez ele apenas esteja ocupado.
Confusa, confusa, confusa... Acho que seria boa ideia dar um tempo em todos os meninos, isso sim.
***
Uma hora depois estávamos em casa novamente. Chegamos atrasado para o casamento e eu apenas corri para o banheiro, não olhei para a enorme banheira que estava lá e me joguei debaixo da água quente que o chuveiro jorrava. Essa primeira semana aconteceu tantas coisas, eu realmente não estou preparada para voltar. Me enxuguei com a toalha quer estava atrás da porta e coloquei a mesmos roupa que tinha usado para sair, precisava comer algo se não iria desmaiar. Sai do banheiro penteando meu cabelo e então eu desceria rápido...
- Melinda...
O que ele estava fazendo no meu quarto?
- Posso ajudá-lo senhor John?
Todos os meus sentidos diziam que era melhor eu correr e correr. Mas eu estava tão longe da porta, e ele estava na frente dela, o que ele queria?
- Na verdade pode sim, desculpa eu andar tão ausente, é que as coisas do casamento de hoje me deixaram ocupado, mas eu não deixei de te observar...
Segurei a escova de cabelo o mais forte, se ele tentasse me agarrar, eu atacava.
- Não estou entendendo.
- Você acha que eu não andei percebendo que estava dando em cima de mim, você andava rebolando essa bunda e confesso que estava me deixando louco. Estava me provocando.
É com esse homem que a mãe de Pedro vai casar?
- Está mesmo dizendo isso? Vai casar e realmente teve a impressão que eu ando rebolando a minha bunda para te provocar? Absurdo!
- Vai dizer que nunca me imaginou nu e em cima de você?
Arregalei os olhos, não estava acreditando nisso. E não percebi o quanto ele estava se aproximando.
- Fique bem longe de mim.
- Calma, eu não vou te fazer nada. Só quero que saiba que ru estou no quarto ao lado de você quiser trepar.
Puta merda. Ele estava a poucos centímetros de mim, meu subconsciente gritou corra, mas minhas pernas estavam paralisadas.
- Não estou interessada.
- Mas eu estou. - Dei um passo para trás enquanto ele caminhava até mim.
- Acha que só porque é rico pode conseguir tudo o que quer?
- Eu só quero ver como você pode ser na cama. Você me deixa louco, está vendo? - Ele se encostou em mim e pude sentir o quanto estava duro. Preciso me mexer, mas seu corpo estava colado ao meu e sua não segurava meu pulso.
- Me solta, ou eu grito.
- Ah... Você não vai gritar.
E então ele me beijou, tentei empurra-lo mas ele era muito pesado, mordi seu lábio até sentir o gosto de sangue.
- Sua puta. - Senti meu rosto formigar com o tapa que ele me deu. Eu estava fraca, não havia comido, e senti que iria desmaiar. Ele me empurrou contra a parede e começou a alisar minha perna, sua outra não segurava meu pulso e eu estava indefesa. Quando eu vi o que ele estava fazendo, ele estava de alisando, ia me forçar a fazer sexo com ele, reagi.
- Shii, não vai doer, prometo que será bem rapidinho e bem prazeroso, até faço uma oral e deixo você gritar no meu ouvido enquanto goza.
A escova que ainda estava na minha mão não ia servir de nada, soltei e peguei o pequeno abajur que estava na mesa ao meu lado, só dei por mim quando tinha quebrado na cabeça do John e o chutei nas partes íntimas. Não sei o que aconteceu, sai correndo, mas não antes dele me pegar e me jogar na cama, tentei gritar mas ele tampava minha boca e estava em cima de mim. Ele já estava sem a calça, e ia me penetrar. Comecei a me mexer toda e bati contra o seu peito. Olhei para o lado e vi a garrafa de vinho vazia que havia deixado na última noite, sem pensar duas vezes peguei e a quebrei na cabeça dele que saiu desnorteado e caiu do meu lado.
Sem pensar duas vezes, sai correndo. Precisava sair dessa casa, precisava correr e foi o que eu fiz. Corri em direção à mata de pinheiros que se encontrava na minha frente e não parei. Mesmo quando eu ouvi gritarem por meu nome. Precisava me afastar de tudo.
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Voltei mais gostosa do que nunca
Teen FictionQuando tinha 14 anos, Melinda viu seu coração se despedaçar pelo seu primeiro amor em um baile de inverno. Após a humilhação em público na frente de seus amigos, ela viaja para o Rio de Janeiro, morar com seu pai e sua madrasta. Com o intuito de esq...