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A máscara de gás pesava em meu rosto e por mais que queira tirar, não posso fazer até encontrar a saída para a superfície.
Quando estabeleci a velha estação de metrô como rota de fuga, não fazia ideia do quão ruim estava aqui em baixo. Infectados vagam por boa parte do local, vagões estão soterrados ou submersos e há esporos em cada canto. Para melhorar a situação eu já não tinha mais balas para a pistola. Pelo menos não terei que voltar para a zona de quarentena, prefiro me arriscar mundo afora do que ficar a mercê de soldados.
Os contrabandistas me disseram que o subterrâneo não se estendia por muito longe, então, com a água nos tornozelos continua a andar.
Nunca fiquei tão feliz em ver uma escada como agora.
Subo rápido, torcendo para ser realmente a saída, mas paro assim que ouço vozes.
— O que faz aqui?! — A voz masculina esbraveja e reconheço o inconfundível som de uma arma sendo destravada. — Pare com esses gestos e responde caralho!
Resolvo arriscar espiar. Eles não estavam longe, um soldado armado com uma espingarda, apontava a arma para a cabeça de uma garota — aparentemente da mesma idade que eu — que gesticulava freneticamente. Como um estalo percebo o que ela está fazendo, linguagem de sinais, minha mãe me ensinou quando eu era pequeno para poder me comunicar com a minha avó. Sinto falta dessa época.
“Eu não quero problemas, por favor não atire, você já me desarmou.
Não tenho mais nada.”Demorei para compreender tudo o que ela dizia e continuava a repetir. E o soldado se tornava cada vez mais impaciente.
— Anda, Vadia. Não tenho a noite toda.
“Como vou andar se tem uma espingarda apontada pra minha testa?”
Controlo a vontade de rir e penso o mais rápido possível para tentar ajudá-la. Uma viga de ferro foi a melhor opção no momento. Sem fazer barulho eu a pego e ando na direção dos dois, o soldado precisava continuar de costas ou eu seria morto.
Ela logo me viu e começou a gesticular mais, atraindo o olhar confuso do soldado. Ele mal viu o que o acertou, logo seu corpo, espero que sem vida, se estira na grama seca.
Tiro a máscara do rosto e largo a viga, finalmente conseguindo respirar o ar puro daquela noite fria, mas logo eu tenha uma besta apontada na minha direção, pela jovem bonita que acabei de salvar e apenas ergo as mãos onde ela possa ver.
— Olá. Me chamo Yongguk.
A confusão a fez abaixar a arma e inclinar a cabeça ao me avaliar. O cabelo longo e tingido de castanho claro está preso em um rabo de cavalo e a raiz escura já está muito aparente, sua fisionomia pequena a torna fofa, no entanto seus olhos me fazem tremer ao ser avaliado, são frios, escuros como um imenso buraco negro que suga tudo para dentro dele. Minha curiosidade foi desperta pela moça com sua besta.
Ela prende a besta no cinto e automaticamente eu abaixo minhas mãos. Suas mãos se mexem rápido e não consigo segurar o sorriso ao compreender o que diz.
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Run away » » Bang Yongguk
FanficInspirado no universo de The last of us. "Corremos por vastos campos, juntos, fugindo de tudo e todos. Nesse mundo não temos outra escolha, mas não me importo de fazê-lo até meus pés cederem se você estiver do meu lado, me incentivando a viver e so...