Capítulo 11 (Angústia)

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"Narra Ana"

Foi uma noite de muita angústia, eu senti um aperto grande no peito e um desespero incontrolável tomou conta do meu corpo. Eu nunca me senti tão infeliz como naquele dia, me senti uma péssima pessoa, se eu soubesse que tudo aquilo estava acontecendo, talvez eu poderia ter evitado. Mas eu estava focada somente em mim, eu fui egoísta, justamente com a pessoa que sempre deu tudo por mim.

Algumas horas antes.......

Víctor tentou me acalmar, e parando para analisar agora ele foi mais que perfeito. Comigo ainda no colo dele, ele foi até a cozinha, pegou um copo de água e tentou me acalmar me abraçando e secando minhas lágrimas, com palavras reconfortantes.

Manuel chegou rapidamente, e em questão de minutos já estávamos na recepção do hospital. Encontramos Daisy e Pietro sentados, e quando nos viram, vieram rapidamente em nossa direção.

- como ele está? - Víctor perguntou, já que eu mal conseguia ter controle sobre minhas pernas.

- bem, os médicos disseram que ele vai ficar bem - Pietro disse aliviado.

Meu corpo relaxou instantaneamente, minhas pernas que estavam rígidas amoleceram e pensei que ia cair, mas senti ser segurada por Manuel. Sorri para ele em forma de agradecimento, e ele me ajudou a sentar em uma das cadeiras do lugar.

- como foi que ele apagou? O que aconteceu? - eu disse finalmente conseguindo pronunciar alguma coisa.

Pietro e Daisy se entreolharam, cúmplices, e depois abaixaram a cabeça, pareciam que estavam com receio de me contar.

- por favor não escondam nada de mim - eu supliquei os fazendo me olhar nos olhos.

Pietro suspirou rendido e se preparou para me contar.

- faz um tempo que o Thiago não é mais o mesmo..

- como assim? - eu questionei confusa.

- um pouco depois que você voltou para a sua família, muitos problemas apareceram na vida dele como um avalanche - Pietro balançou a cabeça em negação e passou a mão pela cabeça - eu e a Daisy tentamos o ajudar, mas sempre que tentávamos nos aproximar ele se esquivava do assunto e dizia estar bem.... - olhei para Daisy e ela se segurava para não chorar.

- que tipos de problemas?

Eu não estava entendendo nada e o que mais me assustava era que estávamos falando do meu melhor amigo. Em que planeta eu estava que não sabia que tipos de problemas ele estava enfrentando?

- para começar o Charly, o Indi House e o Milo deixaram de morar na residência, um seguido do outro - Daisy disse chateada - eu não os culpo, eles não tinham o dever de morar lá para sempre, mas o que me deixa indignada é que eles foram sem nem dar uma satisfação para o Thiago, nem o avisaram com antecedência - ela agora parecia irritada.

- sim, e ele não teve tempo de procurar novas pessoas - Pietro completou um pouco mais calmo - e todas as pessoas que ele encontrava o deixavam na mão, passavam uma noite e no dia seguinte diziam não estarem satisfeitos e não pagavam a estadia, mas claro, o Thiago é uma pessoa muito boa, e ele não cobrou o que era devido.

Thiago era o ser humano mais bondoso que eu já tinha conhecido, ele era capaz de compartilhar energia positiva por onde ele passava.

- por causa disso as contas da residência começaram a ficar mais pesadas do que o normal, e por mais que eu e o Pietro quiséssemos ajudar dividindo as contas entre nós três não deu certo, por que ele disse que as contas eram responsabilidade dele, e que a culpa não era nossa que não tínhamos mais inquilinos - os olhos de Daisy começaram a se encher de água novamente e Pietro a abraçou de lado.

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