A solidão, o silêncio e a tristeza eram seu consolo.
Em meio à confusão mental em que se encontrava, o estranho caminhante recostado no banco da praça, sentiu uma suave brisa assoprar-lhe no rosto, seguida de um tímido raio de sol que chegou-lhe aos olhos. Viu, nesse instante, uma minúscula gota de esperança. Sobressaltou do banco, gritou com toda a força e ar que havia em seus pulmões:
- Cristina!!
O grito era inexplicável, o som era inumano, melancólico, sofrido, assustador. Era um grito que tinha história, dessas que arrancam um coração do peito, que retira a alma e a ânsia de viver de qualquer ser. Em pé, no meio da praça, o estranho girava e, agora, repetia insistentemente o nome Cristina.
Não sei quem era aquele homem, mas o que o corroía, deu-lhe forças para levantar, a fome não mais o afetava, em seus olhos o reflexo dos raios solares iluminaram o seu interior. As algemas invisíveis que acorrentavam a dor de seu peito, deu espaço a um desejo, a um único e exclusivo objetivo. E, como em um passe de mágica, a neblina se desfez, o sol clareou o rosto do caminhante, o banco da praça, as ruas e quase todas as casas.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Um conto nada de fadas
Short StoryCapítulo III(...) Hoje, não passava de um caminhante da madrugada. Talvez precisasse do silêncio ensurdecedor para calar seus pensamentos turbulentos (...)