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O hospital cheirava a éter.

     O cheiro incomodava meu nariz e volta e meia eu levantava a mão para coçá-lo. Mas não era isso que, de fato, me deixava afetada... Eram as memórias que eu tinha quando chegava a lugares como aquele e sentia cheiros como aquele. Lembranças ruins de quando eu esperava em uma poltrona desconfortável por um médico com péssimas notícias; de quando dor e lagrimas se misturavam a tudo, formando um borrão de sentimentos após a morte da minha mãe.

     Mas o motivo de eu estar no hospital não era ruim, nem de longe.

     Dobrei dois corredores à esquerda e me deparei com duas enfermeiras. Eu as conhecia, mas não lembrava seus nomes. Elas estavam mais sorridentes do que o normal.

     — Bonjour!

     — Bonjour, Hana. — falou a mais velha. Seus cabelos grisalhos caíam para fora da touca branca — Temos que falar com você. Na verdade, queremos que visite a ala da maternidade. Sei que consegue acalmar os bebês e... Queria que visitasse um em especial hoje.

     Franzi o cenho.

     — Não costumo me dar muito bem com crianças. — murmurei hesitante — Quando falo que lido bem com meus bebês, quero dizer, na verdade, que lido bem com meus computadores. — abri um sorriso amarelo — Não acho que posso oferecer muita ajuda nesse quesito. Désolé.

     Quando abri a boca para perguntar onde estava o médico de plantão, a mais nova e mais loira me pegou pelos braços e saiu comigo corredor a fora, praticamente me arrastando. Fiquei em dúvida entre frear e enfiar meus calcanhares contra o chão ou me deixar ser levada.

     Escolhi a segunda opção. Eu costumava não saber dizer "não".

     — Henri queria que fosse até os berçários porque ele estará lá em breve. Só está terminando uma laqueadura. Enquanto isso, ele preferia que você ficasse com as melhores companhias do hospital.

     — Vocês?

     — Não. — ela riu com leveza — Os recém-nascidos.

     Assim que chegamos ao berçário, atravessando mais e mais corredores brancos e com cheiros de produto de limpeza, muitos médicos e enfermeiras estavam em frente aos vidros longos, observando os bebês em seus berços. Franzi o cenho e inclinei a cabeça levemente. Nunca entendi o porquê que os recém-nascidos conseguiam cativar tanta gente daquele jeito.

     — Vai lá! Temos um trabalho para distraí-la!

     A loira me empurrou para dentro da sala, cheia de choro e cheiro de bebês. Eu queria dizer a ela que já tinha trabalho demais para me distrair; trabalhar na Rose Noire implicava muitas horas de dedicação e muito esforço da minha parte. Mas não achava que qualquer um poderia entender minha situação e meu trabalho. Provavelmente, ficariam chocados demais se eu falasse que era uma das melhores hackers de uma empresa feminina que procurava vingar qualquer vítima de atos horríveis cometidos por homens.

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