Uma semana se passou. E naqueles dias, Piper fez uma avaliação de sua vida e chegou à conclusão de que as palavras que havia ouvido Alex falar sobre ela tinham muita verdade. Tinha uma grande amizade por Larry, mas não o amava. Ia realmente se casar com ele mais para contentar seus avós, que a ela mesma. Estava anulando suas vontades para agradar seus avós, devido à falta de coragem de se revoltar contra o domínio deles e proclamar sua independência.
Estava revoltada, irritada e deprimida. Era mesmo uma idiota! Já era uma adulta, tinha vinte e três anos, para ainda ser comandada pelos seus avós. Precisava libertar-se dessa dependência, para ser verdadeiramente feliz.
E além de tudo isso, a imagem de Alex não saía de sua cabeça. Lembrava dos momentos que havia passado com ela. Do olhar de Alex, do sorriso, da voz rouca e aveludada, do perfume que ela usava, do beijo que ela havia roubado, e estremecia de desejo. Sentia uma saudade louca dela, uma intensa necessidade de vê-la novamente, e se xingava por ter sido tão dura com ela, tão cheia de prevenção. Agora reconhecia que tudo era medo do que sentia, medo de admitir que estava irresistivelmente atraída por Alex.
Como poderia vê-la novamente? Não sabia nada sobre ela além do primeiro nome, não tinha o endereço ou telefone! Só se a procurasse naquela danceteria de lésbicas..., mas onde era aquele lugar? Não sabia o nome da rua, o bairro... só lembrava do nome. Halles. Tinha que consultar na Internet.
A pesquisa deu frutos quando digitou locais gays. Se impressionou com a grande lista de locais. Restaurantes, clubes, saunas, danceteria... f, g, h... lá estava! Halles! E o endereço!
Seu entusiasmo diminuiu quando viu que era em um bairro distante e mal afamado, na periferia da cidade. Como saberia ir lá? De táxi não podia, porque depois não acharia nenhum para voltar.
No auge da impaciência, pegou o Mercedes que havia ganhado do avô pela sua formatura e saiu sem destino. Circulou pelas ruas de Dallas procurando ver a moto de Alex, mas não viu a Harley negra em nenhum lugar. Decepcionada, estava voltando para casa quando em sentido contrário, viu surgir a moto negra. O coração de Piper deu um salto, quando reconheceu a figura de negro que pilotava a moto, com os cabelos esvoaçando ao vento, sem capacete.
-Alex! – Gritou, ansiosa, começando a buzinar desesperadamente, vendo a moto avançar. Ela cruzou com seu carro, olhando curiosa para a motorista que buzinava feito uma louca. Piper freou o carro rangendo os pneus no asfalto e fez uma conversão brusca para voltar. Quase bateu em um carro que vinha em sentido contrário. O motorista freou ruidosamente, xingando-a.
Piper acelerou e foi atrás da moto, que estava parada no acostamento mais adiante. Piper diminuiu e parou no acostamento, descendo do carro. Olhou para Alex ansiosamente, que a fitava com um olhar divertido. À luz do dia, Alex era ainda mais linda. A pele aveludada e pálida, os olhos incrivelmente verdes, os cabelos negros e sedosos, a boca sensualmente vermelha sem nenhuma pintura, os malares altos como os de uma modelo, o queixo com uma covinha, o corpo perfeito. Piper olhou tudo com admiração e uma inegável atração.
-Ora, ora! – Disse Alex, em tom jocoso – Se não é a grande Piper Chapman! Mas claro que só podia ser você, fechou o carro que vinha, quase provocando um acidente! E buzinando como uma louca!
Piper se aproximou e parou diante dela, franzindo o cenho. Não era assim que havia imaginado reencontrá-la. Alex rindo dela.
-Você também está errada, dirigindo sem o capacete! – Se defendeu.
Alex sorriu, cruzando os braços e apoiando um pé no chão.
-O dia está lindo e quis sentir o vento em meu rosto, baby. Por que você buzinava tanto?
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Garota da Moto (Versão Vauseman)
FanfictionPiper é uma garota rica que tem sua vida dirigida por seu avô. Mas na festa de seu noivado sua vida vai dar uma reviravolta, quando conhece Alex, a garota da moto.