Capítulo XVII - Ovos poché, rosquinhas, bacon, meu coração numa estaca

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Blake Haas

Amizade em primeiro lugar, é o que dizem. Nada pode ficar no meio dos caras.

Bem, isso até algo entrar no caminho. Algo com dois olhos, uma boca e um par de belas pernas, talvez.

Drew fazia questão que seus amigos soubessem que sua irmã mais velha estava fora de alcance.

Respeitei esse limite até o iluminado momento em que Charlotte Hyatt se mostrou interessada por mim.

Quando dois querem, um terceiro não empata uma foda. Mas ela foi muito mais do que isso. Foi meu primeiro amor e minha primeira garota.

Ficamos juntos por algum tempo e provavelmente teríamos continuado se ela não tivesse partido para New Heaven.

Charlotte descobriu o paraíso nos livros em Yale, e eu encontrei acalanto nos braços de outras mulheres. Ninguém saiu perdendo.

Nesse meio tempo, me formei summa cum laude na Columbia e recebi um MBA pela Harvard Business School.

Quinze anos depois, não temos nenhum esqueleto dentro do guarda-roupa – mesmo que ela tenha me chifrado algumas vezes, resolvemos a situação. Até porque galharda trocada não dói. E, separados, ficamos longe da rede de mentiras que nos envolvia quando estávamos juntos.

Confesso que senti uma pontada no peito ao vê-la se materializar em minha presença. Principalmente porque cada vez que a vejo, percebo que o tempo só lhe faz justiça.

Isto dito, preciso pontuar que não é ela que tem estado frequentemente em meus pensamentos nesses últimos dias. Ela não é a mulher que quero. Não é a primeira que penso quando acordo e a última que penso antes de fechar os olhos. Não é.

Você sabe melhor do que eu sobre quem estou falando.

— Tudo que eu estou dizendo é que se, naquela época, ele pudesse escolher entre a paz mundial e ganhar um pouquinho mais de envergadura, ele definitivamente teria alguns centímetros a mais. — Lotte me olha de soslaio para monitorar minha reação. Ela bem sabe que continuo com a paciência de um monge, mas nunca deixa de tentar me tirar do sério.

— Que bonitinho. Quer dizer que Blake foi um menino franzino? — Savannah indaga com um brilho malicioso nos olhos.

— Sim, ele era baixinho e esmirradinho. Isso até que a puberdade finalmente resolvesse dar o ar de sua graça — Charlotte arranca sua centésima risada da Diaba. — Ganhou altura, abdômen trincou e começou a nascer um ensaio de barba parecido com o pelo pubiano que ele agora chama de cavanhaque.

— Isso é verdade, Lotte. Por que, claro, você e todas as outras mulheres imaculadas do mundo têm um histórico de não mentir — Um sorriso de deboche escapa dos meus lábios. — A honestidade é sempre a melhor política.

Eu disse que não havia ressentimentos nem esqueletos. Não menti. Mas isso não significa que eu vá me destituir de minhas ironias.

— Acho melhor não ir por aí. Elas estão em maior número — Nicholas intervém e eu dou de ombros.

— Nem sempre número é qualidade.

— Ouça o Nick, Blake — Alexis avisa.

— É. Essas mãos de cirurgiã plástica sabem como te cortar. — Lotte começa finalmente a mostrar suas verdadeiras cores.

— Isso mesmo — E Savannah a apoia com uma expressão divertidamente diabólica no rosto. Divertida para ela, não para mim. — Dra. Hyatt sabe como te cortar, Dra. Patterson-em-breve-Hyatt sabe como se livrar da sua arcada dentária, Dra. Foster sabe Como se Livrar de um Assassinato e eu posso controlar a imprensa. É o crime perfeito.

Crossed Lines: sem limitesOnde histórias criam vida. Descubra agora