Você e mais quantos?

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Notas:

Depois de todo esse tempo?

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Ele voltou para a aula, assim que tocou o sinal. Deixou sua mochila em um canto e se sentou longe de Tony, perto de Wanda, que parecia amiga dele já que viu inúmeras vezes os dois juntos. Alexia mandou várias mensagens avisando que estava no shopping e que não iria para a aula, mandando fotos de várias peças de roupa que vestia nas lojas.

-- Tenho em mãos quatro propostas. -- Yao chegou como sempre, silenciosa e assustando os desatentos, se sentando ao lado de Tony e cruzando as pernas cobertas pelas vestes longas e largas, dessa vez em tons de laranja e marrom. -- Todos serão musicais, como combinamos em fevereiro com os votos da maioria.

-- E temas polêmicos, já que viemos para causar, anjos! -- Uma garota loira exclamou, entrando com algunas pastas que entregou para a Anciã. Ela se despediu e saiu, e Tony a reconheceu como a estragiária da biblioteca.

-- Só para constar, ela veio comigo e esperou a fala para entrar. -- Yao disse simplista. -- Mas isso não vem ao caso. Ela é a responsável pela entrega dos scripts, então a procurarão depois que estabelecermos os papéis. -- Ela jogou as quatro pastas espalhadas no centro do círculo. -- Depressão, suicídio e demais transtornos. -- Ela apontou para uma pasta negra. -- Movimento negro. -- Indicou então a pasta azul. -- Violência contra a mulher, desigualdade de gênero e feminismo. -- A pasta vermelha foi apontada. -- E um romace gay. -- Por último, a pasta branca.

Tony encarou as pastas enquanto pesava cada tema. Achou todos eles interessantes, então ficou a espera das próximas palavras da professora.

-- A senhora sabe que para alguns dos temas, teremos que aumentar a classificação indicativa, não é? -- Wanda falou. -- Para não acontecer como no ano passado em que a escola quase foi processada.

-- Até hoje não entendi aquele pandemônio. -- Yao suspirou. Estava sentada ereta, como sempre, parecendo uma professora de ioga. -- Uma balbúrdia daquelas por um selinho entre dois garotos! E sequer era parte da peça, apenas uma comemoração depois do encerramento. Mas tudo bem, o diretor já avisou que seria melhor aumentar a classificação para uns doze ou quatorze anos e já estou esgotada para questionar qualquer outra decisão do conselho. -- Ela apontou outra vez para as pastas. -- Agora é com vocês: faremos uma votação para o tema.

-- E se... -- Peter interrompeu o que quer que ela falaria. Ele corou ao notar isso, sua voz sumindo, mas a Anciã sorriu para ele, o incentivando a continuar. -- E se usássemos os quatro, com os atos intercadalos de cada um dos temas, ligados de alguma forma? Vi uma peça na internet que era assim. Era um suspense, em que um cara de um grupo de amigos havia sido assassinado, então as cenas eram os pontos de vista de cada um deles, de forma alternada. Podíamos fazer algo parecido. -- Disse ele em um fôlego só. 

Todos ficaram em silêncio, esperando o que Yao diria. Tony adorou a ideia, e logo fez questão de explanar isso.

-- Acho a ideia legal. -- Se apressou em dizer, antes que alguém contestasse. -- Seria uma boa forma de trazer todos os temas, até mesmo se fossem apresentados de forma avulsa e sem ligação. O público teria a atenção presa em cada cena para entender o desenrolar de cada trama.

-- Como contos avulsos. -- Peter reiterou, pareceno um pouco animado, para a satisfação de Tony que não queria que aquele clima pesado entre eles se estendesse. -- Podíamos trazer uma cena de cada tema e seguir esse ciclo ou algo assim. 

-- Como na Malhação. -- Peter Quill completou. Todos olharam para ele, já que era o bobo da turma. -- O que foi, gente? É algum pecado assistir novela agora? Eu heim!

P.S.: Eu te odeio Onde histórias criam vida. Descubra agora