Capitulo XVI-Coisas que eu sei pt.2

37 7 19
                                    

  Na hora, Jin sentiu suas bochechas corarem. "Eu... Eu faço isso mesmo?"

"Yep, você faz."

"E não é só na dança!"

"É mais comum do que você pensa!"

"Tipo assim, muito comum."

"Ou nós somos deixados de lado, ou nós mesmos nos colocamos em segundo plano."

"E você sabe disso."

  -Eu achei que era pra vocês me ajudarem! –Jin sussura para suas vozes.

"Não reclama que você sabe que é verdade!"

  Dani coloca a mão no ombro de Jin, abrindo um sorriso. Os dois se sentam no banco e ficam olhando as nuvens. O céu realmente não sabia se queria abrir num belo dia de sol ou ficar nublado e triste. O garoto oferece ao artesão um bolinho de gatinho e pergunta:

  -Tudo bem se não quiser falar disso, mas eu só queria entender o porquê disso. –E ele bebe um pouco d'agua –Se você dança bem, você tem total direito de mostrar isso. Pelo menos eu acho isso.

  -Nhé, tudo bem. Eu acho que eu preciso falar disso. –Jin morde o bolinho com vontade –Eu nem percebo que faço isso pra falar a verdade. Eu só... Hããã... Bem... Ah! É que... Sei lá! Você é quem tem que ter o destaque! Você é quem fica lá na frente pra todo mundo ver! Eu... Não quero arrancar esse brilho de você. Só isso.

  -Amigo... Você não tá tirando brilho de ninguém. Só de você mesmo. –Dani dá uma risadinha –Jin, isso é um trabalho em grupo! Num grupo, todo mundo é importante, principalmente num grupo de dança. Como é que você quer ganhar nota se ninguém vai estar te vendo?

  -É... Complicado. –Jin suspira –Meio que eu me acostumei com isso. A ser a pessoa que só fica nos bastidores sem ninguém ver. Eu comecei a achar muito confortável fazer isso, do tipo "Não chame a atenção, seja normal e você não vai ter problemas". –ele suspira –Por mais que isso não evitou de eu não chamar atenção.

  -Como assim? –Dani fica curioso

  -Eu me seguro muito pra não falar o que eu realmente penso. Tipo assim... Muito mesmo! Só que, por mais que eu segure as palavras, eu não consigo controlar os meus gostos e acabo virando o centro das atenções por coisas que eu faço... E eu ficou desesperado pra voltar pra sombra e continuar tentando ser normal. –Jin confessa –Por exemplo: Eu gosto de rock. Meu pai colocava Legião Urbana e Paralamas do Sucesso pra tocar no carro sempre que podia e eu jogava Habbo Hotel escutando I'm want to break free porque meu pai tinha o disco original do Queen. Mas, eu não posso por na minha playlist uma música fora do mundo do rock que já me pedem meu atestado de roqueiro, porque não é possível que eu goste tanto de... Sei lá! Nirvana, quanto eu gosto de EXO. É... É muito chato e me faz me arrepender de falar uma opinião minha.

  -Jura que essas pessoas ainda existem? –Dani faz uma cara indignada –Aposto que é do tipo que endeusa banda de metal, acha que tudo que tá dentro do rock é perfeito e incontestável, aponta defeito em todo os gêneros musicais e finge que não vê que o rock também tá cheio de podres.

  -Pois é. Sempre é mais fácil criticar o que os outros gostam do que criticar o que você gosta. –Jin argumenta –O Fábio bem que podia entender isso.

  -O Fábio? –A curiosidade de Dani se intensifica.

  -Errr... A gente pode mudar de assunto? –Era o mais seguro a se dizer

Help!!!: Um garoto tentando ser normalOnde histórias criam vida. Descubra agora