Me embananei quatro vezes para conseguir abrir a porta da frente, mesmo Maxon tendo me dado a instrução de qual era a chave, eu tive o ultra-poder de conseguir enroscá-la na fechadura e tive de empurrar e bater no trinco até enfim, ter a visão da sala de estar daquela casa enorme.
Como na primeira vez em que estive ali fiquei alguns segundos admirando tudo. A casa era tão grande para apenas uma pessoa morar e tão arrumada que nem parecia que um homem vivia nela.
Me vi observando os quadros de artistas franceses nas paredes que não me dei por conta na primeira vez que entrei naquela sala, talvez pelo aglomerado de pessoas que estavam na festa, não prestei atenção nos detalhes. Mas hoje cada ponto era enriquecedor.
Lembro-me de ter perguntado conscientemente se Maxon havia retirado as fotos com os familiares do ambiente para dar mais privacidade aos convidados naquela noite. Mas hoje, atenta a sua estante, percebi que nela estavam apenas uma pasta e uma foto de uma criança correndo em direção ao mar.
Sem querer perder muito tempo, subi as escadas e fui direto para o escritório de Maxon. Com a chave nas mãos e um pedido mental a Deus para que essa não desse problema, a girei no trinco e enxerguei a sala de trabalho de Schreave.
Como ele havia me dito, vasculhei seu escritório inteiro começando pelas gavetas que estavam cheias de papéis velhos. Me perguntei porquê Maxon não jogava aquilo fora. Procurei nos armários da direita e nos da esquerda pasta por pasta, caderno por caderno, dentro e fora. Abri até alguns livros para ver se um possível papel de que Schreave precisava não estava ali.
Insisti no escritório por mais meia hora, procurando até três vezes no mesmo lugar para ter a certeza de que não havia olhado rapidamente e me esquecido de algum canto.
Frustrada naquele lugar, que não havia nem sequer uma pasta da cor na qual Maxon havia falado que estava o relatório, fui em direção a sala que era um dos lugares mais propensos também. A pasta em cima da estante estava vazia, portanto continuei a procurar no restante dos lugares, o armário ao lado do sofá estava repleto de livros mas nada de pasta. Afastei os sofás, olhei debaixo deles, nada. Afastei a estante, afastei o armário, subi as escadas, procurei no quarto de Maxon que só havia uma cama de casal e um guarda-roupa, me perguntei se era certo procurar dentro dele, mas era uma chance.
Só haviam suas roupas, meias e sapatos. Nada.
Havia uma última porta no lado esquerdo do corredor e imaginei ser um quarto de hóspede. Pensando que ali também poderia ser uma possibilidade, tentei girar a maçaneta e percebi que a porta estava trancada. Maxon não havia me dado a chave dela para destrancar e logo raciocinei que ali deveria ser um lugar "secreto". Apesar de sentir minha curiosidade pulsando nas veias, deixei aquilo quieto, tinha muita coisa para fazer e aquilo seria invadir o espaço pessoal de Schreave, e falta de respeito.
Continuei minha busca pela casa, desde o lixo da cozinha até as caixas poeirentas da garagem. Admito que fiquei com um pé atrás naquele lugar quando vi uma barata sair de uma caixa, deixei que ela caísse no chão e sai correndo. Qualquer coisa foi um rato que fizera a bagunça.
Meu cabelo estava cheio de poeira, meus braços coçavam e suavam. Meu corpo estava cansado por todo aquele vai-e-volta e me senti levada a simplesmente sentar no sofá da sala para respirar um pouco.
Fiquei completamente desanimada, não havia conseguido nada e me senti mal por Maxon. Conseguia entender 50% da situação dele. Na faculdade eu perdia muitos documentos importantes e me prejudiquei muito por isso, imaginei Schreave que estava em uma situação bem pior. Perder um relatório empresarial era como perder um milhão de dolares em uma gaveta.
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Sr. Maxon Schreave
Fanfiction"É quase uma regra universal não gostar do próprio chefe." Maxon Schreave era o tipo de homem que parecia inalcançável - sua beleza discreta escondida atrás de uma postura rígida e palavras frias. Ele não era do tipo que notava ninguém, muito menos...