O Orfanato possui uma área bastante extensa costumo me levantar sempre antes das outras meninas e logo após minha higiene matinal troco minhas roupas e vou para o refeitório tomar meu desjejum sozinha como de costume enquanto isso as freiras rezam na capela depois me encaminho para o jardim para cumprir as minhas tarefas. Eu gosto da terra de cuidar das flores principalmente das rosas selvagens que plantei a alguns meses e tenho cuidado desde então seu caule possui muitos espinhos mais mesmo assim são belíssimas elas me trazem uma calma enorme.
Não sou como as outras meninas que passam o dia costurando e bordando prefiro passar o dia mexendo com as coisas da terra do que meia hora fechada em uma sala com pessoas que me odeiam e até mesmo aqui isolada das outra eu sou observada elas acham que não noto que não tiram os olhos de mim o tempo todo as vezes a Madre ou uma das outras freiras, elas costumam não me incomodar por ordem da Madre .
No final da tarde quando todo o meu trabalho esta feito eu gosto de andar pela propriedade para relaxar e quando entro é um alívio me banhar e logo após o banho como não tenho o costume de almoçar com as outras eu desço para o jantar normalmente por volta das 19:00 horas, eu me sirvo sempre por ultimo e me sento em uma mesa bem no fundo do refeitório bem longe de todas o silêncio é para ser algo predominante pois as freiras não gostam de barulho pois devem manter o voto de silêncio mas basta eu adentrar o recinto que as conversinhas e cochichos começam sei bem que sou o assunto preferido delas apesar de nenhuma delas ter coragem o suficiente de me dirigir a palavra ou me provocarem e é melhor assim após o jantar eu vou para a biblioteca meu segundo lugar favorito depois do jardim, os livros da biblioteca não são muitos mais já me levaram a lugares maravilhosos eu já li e reli diversas vezes cada obra desse lugar, não são os meus conteúdos favoritos, mas da para ter uma boa leitura as meninas normalmente não veem aqui assim eu mantenho a distância e me sinto mais confortável para ser eu mesma não sou normal como elas e tenho medo de machucar alguém e aqui é o único lugar que me sinto segura.
As horas aqui se passam tão rápido que quando me dou conta já se passa da hora de me recolher guardei os livros rapidamente e fui para o quarto ao entrar notei que algumas das meninas já estavam deitadas quase dormindo e as outras que conversavam entre si ficaram apenas me olhando, mas eu não ligo e preparo minha cama e já prestes a me deitar escuto a porta sendo aberta e vejo a Madre entrar acompanhada da Irmã Jerusa uma freira bem animadinha e atrapalhada, noto um sorriso em seus rostos.
- Atenção meninas - Pediu Jerusa entusiasmada.Todas fizeram silêncio e pararam para ouvir o anúncio da Madre.
- Tenho uma notícia muito empolgante, daqui a três dias vamos receber a visita de uma família importante eles tem interesse em adotar uma de vocês - Disse a Madre deixando todas em euforia.
- Madre mas por que daqui 3 dias e por que não amanhã? - Perguntou Carla uma das meninas.
- Esta família em especial que virá conhecer vocês não são daqui da Inglaterra - Falou a Madre - eles vem da Noruega.Elas ficaram em imensa emoção já pra mim não importava não senti a mínima alegria nem empolgação, as meninas que os casais normalmente optam por adotar eram as do berçário e as mais novas e eu em poucas semanas ficarei um ano mais velha e quem iria querer adotar uma jovem de 19 anos e que aos olhos de todos era uma aberração?
A Madre antes de sair fez como de costume a oração noturna e pediu para que todas se deitassem e saiu com a outra irmã, as meninas aproveitaram a saída para levantar fofocar sobre a novidade.
- Uma de nós vai ser adotada por uma família de outro país? - Murmurou Estella demonstrando certa preocupação.Senti medo em sua voz ela era uma das quatro meninas mais novas do grupo era normal a preocupação com a adoção algumas vezes as famílias depois de alguns dias devolviam a criança alegando alguma desculpa barata, já me senti assim quando tinha a idade dela mais a Madre nós dias das visitas me mantinha fechada no quarto e me dizia que no momento certo eu seria adotada passei a não ligar conforme o passar do tempo tenho quase certeza que ficarei no quarto como das outras vezes escuto então uma delas dizer.
- Pode ter certeza que uma criança sem classe e feia como você vai ser a última opção de qualquer um - Disse Júlia em um comentário ofensivo.Eu não tenho o costume de me meter nas brigas que acontecem, entre elas mais odeio comentários grosseiros e ofensivos, mas após escutar aquilo e ver que Estella se entristeceu e começou a chorar senti meu sangue ferver em minhas veias e sai de minha cama andei até o grupinho de meninas que estavam rindo e parei em frente a ela com os braços cruzados todas se afastaram com a minha aproximação pois todas tinham medo de mim.
- Ou você pede desculpas para ela ou você vai se arrepender do dia em que você foi abandonada neste Orfanato - Falei alterada - agora Júlia.Ela me olhou com medo e por um breve momento ficou parada e se virou lentamente para o lado de Estella com a cabeça baixa e as pernas trêmulas.
- Perdoe-me eu fui mal educada e não é essa a educação que as freiras estão me dando - Disse Júlia com um olhar amedrontado.
- Você aceita as desculpas? - Perguntei a Estella.
- Aceito - Respondeu ela com uma voz chorosa.
- O que estão olhando vão para suas camas agora - Falei em um tom alto.Virei as costas e fui para minha cama, as outras correram e fizeram o mesmo mas Júlia continuou parada no mesmo lugar olhando para os lados chorando de maneira silenciosa, as luzes foram apagadas e ela não se moveu. Isso sempre acontecia quando eu chamava atenção ou quando tentava separar as brigas delas, por isso me mantinha sempre quieta, todas já estavam dormindo, eu acordei para ir ao banheiro como de costume se passava das 03:00 horas da manhã me levantei e tomei um susto ao olhar para o lado e ver Júlia ainda em pé no mesmo lugar me aproximei dela seus olhos estavam inchados de tanto ela chorar mas seu choro não era ouvido por ninguém segurei seu braço sua pele estava gelada ela parecia ausente e se assustou quando a toquei.
- Júlia! Júlia - Chamei baixinho para não acordar as outras oiie.Não ouvi resposta, apenas um gemido de dor parecia que ela não estava ouvindo, então a puxei devagarinho pelo braço até sairmos do quarto ela tinha muita dificuldade de andar parecia estar tendo alucinações andamos por um longo corredor passamos em frente a alguns quartos e chegamos até o quarto da Madre bati levemente na porta em poucos segundos ela abriu com uma vela nas mãos.
- Kathy, o que ouve? - Perguntou ela sem notar a presença de Júlia.
- Madre aconteceu outra vez - Falei dando visão a Júlia.
- Kathy! Me ajude a levar ela para a enfermaria - Respondeu a Madre com uma voz decepcionada.
Kathy era um jeito carinhoso que a Madre usava para me chamar particularmente desde que eu era pequena.
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Fênix- A Libertação dos Condenados(EM REVISÃO)
Ciencia FicciónUma criança é abandonada na porta de um Orfanato com poucos dias de vida ela é então criada pelas freiras, desde muito pequena ela chamava atenção por fazer coisas que nenhuma das outras crianças faziam a Madre Superiora sabia que ela teria papel mu...