Eduardo convidou Sofia para caminhar depois que limparam a cozinha. Ela não estava muito interessada em sair de casa, sua mente estava girando e girando, mas obedecia a vontade dos pais, pelo menos até um ponto.
Os pais dele já estavam se despedindo. Beatriz e Marta eram velhas amigas, desde a época do colegial, fora que congregavam na mesma igreja. Tinham histórias para contar e, quando se juntavam, pareciam voltar no tempo. A música também era algo que fazia parte das duas famílias. O pai de Eduardo tinha cargo na orquestra, como regente, e sua mãe, dona de uma bela voz, fazia parte do coral desde muito jovem. Os pais de Sofia regiam a mocidade antes mesmo de se casarem, mas Beatriz e Lorenzo, depois de muitos anos, resolveram passar a oportunidade para outras pessoas, e se sentiram em paz com a decisão, que foi tomada com muita oração e conversa.
⎯ Por que você não entra para o coral, Sô? – perguntou Eduardo; Ele, desde os dezenove anos, regia o coral como regente principal, era sua grande paixão. O rapaz sempre foi motivado a aprender cada vez mais, a servir a Deus com excelência, buscar a sua Presença com seriedade e comprometimento.
Sofia não podia negar que ele era muito talentoso e isso a deixava confusa. Tinham muitas coisas em comum, mas não conseguia sentir nada por ele. Até se arriscou a pedir para Deus que colocasse algum sentimento em seu coração, mas nada acontecia. E seus pais não queriam saber, só desejavam ver a filha casada com Eduardo, o homem que diziam ser perfeito para ela.
⎯ Não tenho interesse no momento, mas posso pensar, minha vida está muito corrida e você sabe que eu não gosto de fazer as coisas por fazer, não adianta eu me sobrecarregar simplesmente. - disse com o olhar distante.
Lara chamou a mãe para conversar no seu antigo quarto. Queria intermediar os conflitos, que já haviam passado dos limites, entre os pais e a irmã.
⎯ Mãe, o que está acontecendo? – dizia tentando manter a voz calma. Beatriz fingiu não entender a pergunta e ficou calada. – A senhora sabe que eu estou me referindo aquele circo. Vocês já perguntaram à Sofia se ela quer? A menina nem gosta dele, fora que ela não pode dizer nada, se não já é exortada. Ela não precisa de casamento arranjado, mãe. A Sofi é nova e tudo o que ela precisa é do apoio e amor de vocês. A vida dela só começou e somente Deus sabe o tempo certo para cada coisa acontecer. – disse, já perplexa, não conseguindo compreender o que se passava na cabeça dos pais.
⎯ Eu sei o que é melhor para a minha filha, Lara. A Sofia não precisa da sua ajuda, ela sabe que Eduardo é o marido ideal para ela! Olhe o quanto ele gosta dela e a trata bem, dificilmente ela encontrará uma pessoa tão boa como ele, que além de servir a Deus é trabalhador e um homem exemplar – disse encostada na porta do quarto.
⎯ Mãe, por favor! Não estamos no século passado. A senhora nem sabe o que Deus tem para a minha irmã, eu não quero vê-la sofrer por conta de um casamento meia boca. Porque é isso que esse casamento será, caso ela se case sem ao menos querer. O Eduardo não é uma pessoa ruim. Eu compreendo a sua vontade de ter ele tê-lo como genro, mas as coisas não funcionam dessa maneira, não tem existe apenas ele com essas qualidades. Deus cuida dos seus, e eu acredito que a Sofia não quer ter um relacionamento forçado – disse, com o rosto avermelhado. Não queria sentir tanta fúria, porém era tão difícil conversar com sua mãe mantendo a calma.
⎯ Dona Lara, você quer me ensinar a cuidar da minha filha? Quem é você? – disse despejando sua indignação.
⎯ Tudo bem, mãe... Quem sou eu, não é mesmo? Acredito que ninguém – disse abalada. Saiu do quarto com os olhos marejados e o coração apertado. Paulo a envolveu em seus braços como prometeu desde quando se conheceram.
⎯ Vamos orar, meu amor. Sua irmã precisa de nós. Apenas confie no agir de Deus, assim como nós passamos pelo vale e vencemos, ela também vencerá – disse o marido acalmando-a.
Encontraram Sofia aproximando-se cabisbaixa.
Lara correu até a irmã abraçando-a com força.
⎯ Vai dar tudo certo, Sofi – disse acariciando a bochecha da irmã.
Sofia entrou em sua casa correndo. Não olhou para os lados, apenas subiu as escadas o mais depressa possível. Sua cabeça estava um turbilhão, só desejava estar a sós com Deus. Trancou a porta e despencou a chorar, seria impossível ser forte sozinha, precisava de ajuda.
Cantou baixinho para si: “O Pai tá cuidando de tudo pra mim, descansa nos braços de quem te quer bem (...)”
Canção e Louvor – SOSSEGA
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Apenas Sinta - DEGUSTAÇÃO ♡
SpiritualitéA nossa vida é repleta dos mistérios de Deus, vivemos cada dia um milagre diferente, temos a certeza de que o novo de Deus é constante em nossas vidas. Eu vivi e sobrevivi a grandes desafios durante essa jornada que está registrada nesse livro, fora...