Vic pov
A Pastelaria era bonita, em tons de cor de rosa pálido e com mesas redondas com tampo de pedra, grandes espelhos nas paredes interiores e um ar fresco digno de Pinterest.
—É um lugar bonitinho. Muito cor de rosa, mas... duvido que seja a decoração o que te interessa.
Kellin puxou-me para uma mesa que estava longe da porta e uma rapariga loura aproximou-se com um bloco na mão, as unhas pintadas de salmão e dois ganchos com flores. Percebi porque é que ele gostava de lá ir, a rapariga era muito bonita.
—Bom dia— ela sorriu mais do que era esperado para uma empregada ao ver o meu amigo.— O mesmo , senhor Quinn?
—Bom dia, Lucy. Estás cada dia mais bonita, sabias?
Ela corou um pouco, Kellin conseguia ser um cavalheiro e sempre teve jeito com as mulheres.
— Sim, o mesmo. E tu, Vic?
—O mesmo que o Kellin.
Ela encolheu os ombros e foi até ao balcão, ele olhou para mim intrigado e a sorrir de lado.
—Mas tu nem sequer sabes o que eu pedi!
—Acho que posso confiar em ti para ir a uma pastelaria, não?
Pouco depois, a Lucy apareceu com dois copos grandes completamente cor de rosa e com espuma vermelha e folhas de hortelã, a bebida perfeita para combinar com as paredes do negócio dos bolinhos. Aquilo já era Pinterest a mais para um gajo que tinha passado os últimos meses à volta de caixões e urnas.
—O que é isto?!— o monstro cor de rosa escorria para a mesa como se tivesse vida.
— Isto é um smoothie de frutos silvestres— falou o óbvio.—Parece que hoje não tem amoras, senão estaria com uma cor meio roxa. E sim, a ideia é ser cor de rosa. Por ventura, viste o que estava escrito ali na parede?
Virei-me na cadeira e li o papel afixado na parede.
"Precisa-se de colaboradores "
—Sim, e o que queres dizer com isso?
Ele encolheu os ombros.
— Estava a pensar que trabalhares aqui era uma boa ideia. Assim livravas-te dos teus problemas.
—Kells, isto é uma padaria cor de rosa com empregadas de uniforme cor de rosa!
—Sempre ouvi dizer—ele começou a beber o smoothie dele e a ficar com bigode de leite —que a melhor maneira de teres ideias é quando estás o mais longe possível da tua zona de conforto. E eu acho que isto é o oposto de trabalhar numa funerária![N/a]: Para avançar um pouco a história, Vic acabou por trabalhar lá no mesmo dia, com a condição de aquilo ser um trabalho temporário. E de não vestir o uniforme cor de rosa. (Ele teve direito a um uniforme amarelo).]
Dois dias depois...
Eu não sei porque carga de água é que comecei a trabalhar lá, mas estava maioritariamente na secção da pastelaria, alguém tinha descoberto que eu tinha jeito para a coisa e a Ruby , a empregada ruiva (que irónico), uma vez disse-me que eu tinha nascido para aquilo, que os bolos eram perfeitinhos para uma pessoa que tinha pouca experiência, a decoração era a correta e o atendimento até que não era mau. Chegou a haver uma altura que a secção de padaria tinha menos lucro do que a pastelaria, o que era estranho porque o pão deles era invejável e ninguém sabia o segredo dos pãezinhos de passas, nem eu, só a Ruby.
—Hei, Vic, tenho uma consulta no dentista, podes fazer o gelado hoje?— perguntou a Hannah enquanto vestia o casaco para sair, sim, ela fazia aquilo muitas vezes: avisar em cima da hora para que ninguém pudesse negar.
Facto: eu não tinha jeito para aquilo. No primeiro dia ainda tentaram pôr-me na parte de gelataria, mas aquilo não correu nada bem...
—Tem mesmo de ser?
—Tem —ela foi ao bolso da camisola e tirou um porta chaves. —E fechas hoje, ok?
Ela atirou as chaves sem me dar tempo para argumentar, tinha o casaco vestido e atirava um "adeus" do outro lado do espelho. Porque é que a Hannah não podia ser um pessoa normal e, pelo menos, avisar com mais de 20 segundos de antecedência?
Eram quase cinco da tarde.
—Bem, isto fecha às cinco e meia, por isso...
Ia ficar lá até fechar, como as meninas me tinham habituado a fazer, não conseguia perceber como é que elas tinham sempre alguma coisa para as cinco ou parecido... Comecei a limpar o chão e o resto até a hora de fechar, não tinha aparecido ninguém, ainda bem. Já estava a pegar nas chaves para fechar a porta quando o sininho da porta bateu.
—Um gelado de baunilha, por favor.
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Padrinho
Fanfiction"Ainda tinha a faca na mão e o sangue a escorrer pelos meus braços enquanto o corpo inanimado estava à minha frente." . . . . A última versão da obra infelizmente foi apagada, por isso, apresento a nova e melhorada versão de "Padrinho"... Em revisão...