Capítulo 3

70 17 8
                                    

       Entramos na enfermaria e deitamos Júlia em uma das macas, notei os olhares que a Madre lançava sobre mim, senti sua preocupação até não se conter e me perguntar.
      - Pode por favor me explicar o que aconteceu? Quantas vezes já disse para não encostar nas outras meninas. - Perguntou ela demonstrando frustração.
      - Madre Susana eu também não sei como explicar, eu juro que não encostei nela, apenas fiz com que ela pedisse desculpas a uma das meninas mais novas  -Tentei explicar - depois que a senhora saiu do quarto uma da meninas mais jovens esboçou uma certa preocupação em possivelmente ser adotada por uma família de outro país foi quando a Júlia humilhou ela dizendo que ninguém iria querer adotar ela e falou que ela era feia eu apenas me aproximei dela e falei pra ela pedir desculpas para a menina e como elas tem medo de mim ela se virou e pediu desculpas e eu só me virei e fui pra minha cama e mandei as outras irem dormir.
      - Foi somente isso? - Perguntou ela.
      - Madre acredite em mim eu não toquei nela eu juro - Respondi chorando - Por que isso sempre acontece comigo? eu não compreendo Madre me diga por que não posso ser como todas as outras, eu não desejei nascer assim eu não tenho ninguém e as freiras daqui não gostam de mim e nem mesmo as meninas falam comigo para todas sou como uma abominação - Desabei em lágrimas intensas.
      - Acalme-se minha criança para tudo neste mundo se tem um motivo mais só cabe a Deus a explicação de suas aflições busque no Senhor um consolo para seu coração - Respondeu a Madre com calma acariciando meu rosto.
      - Madre se isso for um dom divino eu não quero - Disse entre lágrimas - eu apenas quero ser uma menina normal com sonhos, não quero ser uma aberração na qual todos tem medo de chegar perto.
      - Você não é uma aberração, minha querida eu compreendo suas angústias mais eu tenho certeza que Deus tem um grande propósito pra você - Respondeu a Madre.
     - Como isso poder ser um propósito? - Perguntei - o propósito de Deus seria que eu não tivesse contato com ninguém que eu não tenha amigos e nem mesmo família que viva meus dias sozinha sendo taxada pelos outros como uma louca anormal?
      - Criança acalme-se acredite no Senhor tudo tem uma explicação - Respondeu ela tentando me acalmar.
      - Eu acredito nele só não o compreendo - Respondi ainda chorando.
      - Não precisa compreender, querida apenas acreditar - Disse ela limpando as lágrimas de meu rosto - agora quero que vá se deita eu cuidarei dela.
      - Está bem - Respondi me levantando.

      Após fechar a porta da enfermaria fui até o banheiro antes de ir novamente me deitar, aquela conversa tinha acabado psicologicamente comigo ao me ver refletida no espelho não consegui conter as lágrimas e chorei ali por alguns minutos enfim contive as lágrimas lavei meu rosto que já estava inchado de tanto chorar e saindo dali me encaminhei para o quarto novamente.
      Abri a porta do quarto tomando cuidado para não fazer barulho e voltei para minha cama pensamento vai pensamento vem acabei por relembrar certas coisas que tinham acontecido a algum tempo e não consegui voltar a dormir me recordei de ocorrências passadas aquela situação já havia ocorrido outras vezes com outras meninas daqui eu nunca entendi o que eu fiz para elas ficarem daquele jeito.

Fênix- A Libertação dos Condenados(EM REVISÃO)Onde histórias criam vida. Descubra agora