Lembranças
Depois de uma hora ajoelhada escuto passos pesados vindo pelo corredor e a porta é aberta, Madre Susana entra com um olhar entristecido e fixo sobre mim eu mantenho minha cabeça baixa escuto a porta sendo batida com força e a Madre para em minha frente.
- Katherine eu espero que você tenha uma explicação muito boa pra tudo isso - Falou ela em um tom rígido - você sabe bem que eu te criei e te eduquei com muito amor e carinho mais eu nunca admiti brigas aqui dentro.Enquanto ela falava, mantive minha cabeça baixa apenas ouvindo eu aprendi com ela que não devo responder uma pessoa mais velha apenas abaixar a cabeça e ouvir quieta um toque suave na porta chama a atenção da Madre que caminha até ela à abrindo rapidamente.
- O que faz aqui Luanna? Porque seu rosto está machucado querida? - Perguntou a Madre trazendo a menina para dentro da sala.
- Madre eu vim até aqui por causa da Katherine - Respondeu ela ainda de cabeça baixa.
- Porque? - Disse a Madre.
- Mais cedo no quarto Carla me agrediu porque uma das meninas disse a ela que eu havia revirado as coisas dela, eu tentei dizer que eu não tinha mexido em nada mais ela não deixou que eu falasse apenas partiu para cima de mim e partiu cima de mim me jogou no chão e prendeu meus braços com os joelhos e começou a me bater as meninas só ficaram olhando ela me bater e ficaram rindo ninguém foi me ajudar mais a Kathy entrou no quarto e quando viu o que estava acontecendo tirou Carla de cima de mim e a empurrou contra a parede em nenhum momento Kathy bateu nela - Contou Luanna olhando para mim.
- Isto é verdade? - Perguntou a Madre olhando para mim.
- Sim Madre eu não toquei em um fio de cabelo de Carla eu tentei falar para a senhora - Respondi.
- Levante-se! - Falou - vão para o quarto as duas e Luanna quero que diga a menina que fez fofocas maldosas venha até mim.
- Sim Madre - Dissemos juntas.Saimos da sala da Madre e caminhamos até o quarto em silêncio Luanna não falou nada se manteve quieta, pensei em falar algo mais me mantive calada quando entramos no quarto todas ficaram nos olhando Luanna deu o recado para a menina que logo saiu correndo e ela foi se deitar eu fiz o mesmo foi para minha cama era tanto estresse que algo queimava parecendo me rasgar de dentro pra fora eu fiz o possível pra me controlar e fui tentar ler enquanto estava deitada para ver se passava mais acabei dormindo e nem desci para jantar.
Me senti muito incomodada durante a madrugada, perto das 04hr da manhã fui acordada pela Madre.
- Kathy acorde! Kathy - Disse a Madre me balancando.
- Madre aconteceu alguma coisa? - Perguntei assustada.
- Querida você precisa vir comigo - Respondeu ela me puxando para levantar.Era muito cedo, nem mesmo as irmãs haviam levantado, ainda tentei acompanhar seus passos apressados em direção a enfermaria ao entrar avistei Carla ela se debatia enquanto parecia estar adormecida ela suava muito suas roupas e os lençóis da cama estavam todos molhados.
- Madre o que está acontecendo com ela? - Perguntei preocupada em vê-la daquela maneira.
- Eu não sei tentei acorda-la mais não consegui ela parece em um tipo de sono profundo ou pesadelo não sei dizer - Respondeu ela.
- Por que me trouxe aqui Madre? Em que eu posso ajudar? - Perguntei.
- Algumas horas atrás ela começou a balbuciar algo sobre pessoas mortas e olhos vermelhos na escuridão lembrei por acaso que você havia me contado sobre seu sonho por isso eu chamei você - Respondeu ela.
- Isso é impossível não tem como ela saber disso - Disse perplexa.
- Eu acho que você pode acordar ela - Falou a Madre com convicção.
- Madre nem mesmo a senhora conseguiu porque acha que eu serei capaz de conseguir? Não é melhor levá-la ao hospital?- Perguntei
- Não custa tentar Kathy, eu sei que você é capaz e que vai conseguir você sempre foi diferente por favor Kathy - Implorou ela.
- Esta bem - Disse me sentando ao lado da cama.Eu não tinha ideia do que fazer então coloquei minha mão sobre seu peito, ela se debatia como se sentisse uma dor agonizante mas estava contida por lençóis amarrados em seus pulsos e pés fechei meus olhos e tentei me concentrar logo uma torrente de emoções tomaram conta mim a mais presente era o medo muito medo.
- Bidh Carla a'dùsgadh - Pronunciei em voz alta.A Madre me olhou assustada e Carla se levantou num pulo como se não entendesse o que tinha acontecido dei um passo para traz e olhei para ela e para Madre em seguida eu não compreendia o que havia acabado de acontecer.
- Madre eu vi.... eu vi um lugar com muitas pessoas mortas eles estavam vestidos de soldados tinha muito sangue e uma escuridão com olhos vermelhos e tinha uma voz que falava algo uma voz sinistra - Contou ela em pânico.
- Acalme-se querida foi apenas um sonho! - Falou a Madre a abraçando.Eu fiquei sem palavras, o que tinha acabado de ouvir era impossível, eu nunca contei sobre meu sonho a ninguém além da Madre e ouvir aquilo da boca dela me apavorou me senti zonza dei as costas para elas e sai da enfermaria andei desnorteada pelos corredores quando cheguei até a porta do quarto não sabia o que fazer tentei acalmar a mim mesma e entrei fechando a porta lentamente busquei em meus pensamentos e não encontrei uma explicação nem bem me deitei novamente e acabei adormecendo.
Dois dias depois Carla saiu da enfermaria confusa e totalmente fechada não conversava com ninguém ela permaneceu assim por muitos meses até voltar ao normal. Alguns meses depois eu separei outra briga que resultou em mais duas meninas na enfermaria a Madre Susana achava que era relacionado ao contato com as outras meninas e me proibiu de tocar em qualquer uma delas eu já não falava com ninguém não faria diferença toca-las ou não.
Eu não conseguia entender o que eu fiz de diferente, desta vez eu não havia encostado em Júlia, eu apenas falei com ela, isso me corroia por dentro eu nunca pedi para ser diferente e só faço com que todos me odeiem e tenham medo de mim.
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Fênix- A Libertação dos Condenados(EM REVISÃO)
Science FictionUma criança é abandonada na porta de um Orfanato com poucos dias de vida ela é então criada pelas freiras, desde muito pequena ela chamava atenção por fazer coisas que nenhuma das outras crianças faziam a Madre Superiora sabia que ela teria papel mu...